Viagem pela Europa
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Música

Minha Coleção de quase 800 LP's de vinil

Ordem alfa por artista e album

O pop rock internacional nas décadas de 50, 60 e 70

Década de 50

Os anos 50 foram marcados por fatos importantes que influenciaram de forma significativa o comportamento da juventude nas décadas seguintes.

Musicalmente falando, quem primeiro definiu o estilo Rock and Roll foi Bill Halley, que, baseado principalmente no country, criou uma batida diferente acentuada no segundo e quarto tempos de uma marcação 4x4.

A data mais comumente aceita como a da criação do Rock and Roll é a do lançamento da música (We’re Gonna) Rock Around The Clock de Bill Halley and The Comets, em 12 de Abril de 1954, embora dezenas de gravações anteriores já apresentassem um ou outro fator do que viria a se cristalizar como Rock and Roll (o próprio Bill Haley havia gravado no mesmo ano, um pouco antes, a música Shake Rattle and Roll).

O sonho de encontrar um branco capaz de cantar como um negro havia sido realizado por San Phillips, dono de uma pequena gravadora denominada Sun Records. Em seu início de carreira com o single de Thats All Right e Blue Moon of Kentucky, logo seguido por Good Rockin’ Tonight e I Don’t Care If The Sun Don't Shine, poucos poderiam acreditar que o Elvis Presley que ouviam no rádio era um branco.

Obviamente parecia mais saudável à sociedade conservadora e racista aceitar aquele tipo de música vindo de um rapaz com rosto de bom moço. Qualquer boa intenção porém era desmentida pela maneira agressiva e sensual de dançar.

Rock N Roll Classics Capa do disco "Rock 'N' Roll Classics"

Embora criado um ano antes, o Rock and Roll só viria a explodir definitivamente em 1955, em grande parte influenciado pela inclusão de Rock Around The Clock como música de abertura do filme Blackboard Jungle (Sementes da Violência), sobre relações tumultuadas entre alunos e professores (uma analogia a algo muito mais amplo, o relacionamento entre o Stablishment e a ânsia por mudanças). Uma juventude a cada dia mais delinqüente e em busca de heróis sem relações com heróis do passado, rapidamente adotou (para pavor da parcela mais conservadora da sociedade) a rebeldia (mesmo que sem causa) como exemplo a ser seguido, e por tabela a música do filme como catalisador desta rebeldia. Obviamente o novo tipo de música passou rapidamente a ser associado à degeneração da juventude, o que tornava ainda maior seu fascínio, em um ciclo vicioso irresistível.

E quando todos pensavam que nada pior poderia influenciar em tão grande escala a juventude americana eis que um negro, Chuck Berry, sobe às paradas com uma versão para o hit country Ida Red, renomeado para Maybelline (da qual consta o nome de Allan Freed como autor, embora este não tenha ajudado na composição). Embora nunca tenha conseguido para si o título que lhe poderia ser devido de rei do Rock (usurpado pelo branco Elvis) sua importância nunca foi discutida.

Ainda mais assustadora para os conservadores seria a aparição nas paradas de um segundo negro, Little Richard, este ainda por cima afeminado, maquiado e com um penteado no mínimo exótico, cantando em seu primeiro verso o que viria a ser para sempre o grito de guerra mais conhecido do Rock and Roll, tão indecifrável quanto contagiante... "a wop bop a loo bop a lop bam boom"... a música... Tutti Frutti.

A prova definitiva de que o Rock and Roll seria a mais lucrativa música de consumo dos próximos anos viria com o pagamento de inéditos 45.000 dólares pelo passe de Elvis Presley (que chegara a ser aconselhado a voltar a dirigir caminhões menos de dois anos antes) para a gravadora RCA Victor.

Em 1956 enquanto Elvis Presley consolidava seu sucesso com novos hits como Heartbreak Hotel, Blue Suede Shoes (que deveria ter sido lançada pelo seu autor, Carl Perkins, não tivesse este sofrido um grave acidente de carro que o deixou paralisado um ano) e regravações de músicas já consagradas como Tutti Frutti (com Little Richard) e Shake Rattle and Roll (com Bill Halley) tornava-se urgente para outras gravadoras achar artistas que pudessem rivalizar Elvis ou ao menos conseguir alguma repercussão usando de seu estilo.

A Sun tentando se livrar do estigma que a perseguiria de ser apenas a gravadora que descobriu Elvis e o vendeu por (apenas depois isso seria óbvio) uma ninharia, lançava Roy Orbison com Ooby Dooby. Como pianista já tinha em seus estúdios aquele que viria em pouco tempo a ser seu grande trunfo e tentativa mais eficiente de igualar o sucesso de Elvis, Jerry Lee Lewis. A Capitol Records responderia a Elvis com Gene Vincent and The Blue Caps, marcado pelo estilo do vocalista que balançava em torno de sua perna parada (na verdade paralisada em virtude de um acidente de moto) e pelo hit Be Bop A Lula.

Elvis Presley Elvis Presley

Com uma sonoridade um pouco diferente, mais marcada pela música negra de origem, principalmente gospel, começava a despontar o talento de James Brown com o quase soul Please Please Me.

Já sobre o comando do empresário Tom Parker, o talento de Elvis era aproveitado também no cinema no filme The Reno Brothers, logo renomeado para Love Me Tender em virtude do grande sucesso da canção tema. Não tardam a aparecer outros filmes com participações de astros do rock, como Rock Around The Clock e Don’t Knock The Rock (apresentando Bill Haley e Allan Freed), The Girl Can’t Help It (Little Richard, Gene Vincent, Eddie Cochran), entre outros. Enquanto isso, na Inglaterra, com algum atraso, o filme Blackboard Jungle levava o Rock and Roll ao Reino Unido.

Com o alistamento obrigatório de Elvis Presley nas forças armadas em 1957 o fim do Rock and Roll foi anunciado pela primeira vez. Afinal o que haveria neste rítmo que o poderia fazer mais durável do que tantos outros como o cha-cha-cha, a rumba, o calipso, o mambo?

Contrariando todas as previsões novos hit makers surgem de onde menos se espera.

Se juntando à banda Crickets o até então inexpressivo Buddy Holly, de Lubock, noTexas, prova com os hits açucarados That Will Be The Day e Peggy Sue que o rock poderia ser domado e usado associado a um bom moço e letras românticas sem segundas intenções.

Crickets Crickets

As esperanças de menos rebeldia e dias mais calmos no radio não se concretizariam, obviamente, seja por lançamentos como School Days de Chuck Berry (uma ode ao fim das aulas) ou pela explosão tardia de Jerry Lee Lewis com Crazy Arms e Whole Lotta Shakin’ Going On.

Com o ingresso de Elvis nas forças armadas (a despeito de este ter deixado gravado material para dezenas de lançamentos e um filme gravado, King Creole) Jerry Lee Lewis era o candidato natural para seu posto, rebelde, carismático... e branco.

Seu apelo ao público era proporcional ao seu ego e Great Balls Of Fire rapidamente se tornou o sucesso do ano de 1958. Sua carreira viria a derrocar de maneira tão meteórica quanto surgira, em virtude de vir a público seu casamento com a prima de 13 anos, Myra Gale Brown, e de ele nem ao menos ter tido o cuidado de desmanchar um de seus casamentos anteriores, sendo, portanto, um bígamo, o que era demais para a sociedade da época.

1958 vê ainda Chuck Berry lançar dois dos maiores clássicos do rock de todos os tempos, Sweet Little Sixteen (sim, sobre garotas adolescentes) e Johnny B. Goode (quase auto biográfica). O Rock bonzinho e romântico por sua vez reage com All I Have To Do dos Everly Brothers. James Brown lança seu primeiro grande hit, Try Me.

O ano negro de 1959 começou marcado pelo acidente de avião que em janeiro, em Clear Lake, Iowa, matou Buddy Holly, Big Booper e o recém descoberto chicano Ritchie Valens (do sucesso La Bamba), após uma apresentação conjunta durante uma mal-sucedida turnê de inverno chamada Winter Dance Party. O avião que transportava o grupo de uma cidade para outra, em meio a uma tempestade de neve e com um piloto inexperiente, caiu pouco após a decolagem, não deixando sobreviventes.

A década termina com Chuck Berry sendo preso por cruzar uma fronteira estadual com uma prostituta (que teoricamente havia sido contratada para trabalhar em um clube de sua propriedade em Saint Louis). Seu grande crime obviamente era ser negro em uma sociedade racista e ter alcançado tanto sucesso. Berry foi julgado e condenado a dois anos de cadeia.

Os fatos citados acima eram emblemáticos e fáceis de notar mas os problemas do rock não se reduziam a estes. O estilo estava gasto em virtude da superexposição e mesmo grandes nomes como Carl Perkins e Jerry Lee Lewis estavam tomando o caminho mais lucrativo do country. Elvis Presley, de volta de seu serviço nas forças armadas, passaria de roqueiro rebelde a entertainer familiar, gravando praticamente apenas baladas. A juventude finalmente notara que Bill Haley e Allan Freed afinal já não tinham idade para serem ídolos jovens. Talvez o rock finalmente tivesse morrido.

Ou talvez apenas precisasse de algumas mudanças?

Década de 60

Continuando a série de fatalidades entre os Rockstars iniciadas em 1959, já em abril de 1960 morreria Eddie Cochran em uma colisão de um táxi contra um poste de energia elétrica. No mesmo carro estava Gene Vincent que juntamente com a namorada de Eddie sofreu apenas ferimentos. O impacto emocional do acidente talvez tenha sido o motivo pelo qual Gene Vincent não mais apresentou a mesma performance e iniciou o declínio de sua careira (chegando a desmaiar no palco durante uma tour pela Inglaterra).

No final da primeira fase do Rock and Roll também foi emblemática a perseguição ao criador do estilo, Allan Freed, processado e condenado ao pagamento de uma multa de mais de U$ 30.000 por ter recebido pagamentos em troca da execução de determinadas músicas em seus programas e festas. Alegava-se que as atitudes anti-éticas de Allan Freed haviam sido responsáveis pelo sucesso do rock and roll que de outra forma não poderia ter atingido tamanha repercussão. Allan Freed após a divulgação deste escândalo foi obrigado a se retirar da atenção do público.

Mas enquanto o Rock declinava sensivelmente no seu país de origem, do outro lado do Atlântico, na Inglaterra, principalmente nas cidades portuária (por terem estas acesso mais fácil às músicas que vinham do continente americano), crescia o interesse pelo Rock and Roll. Billy Furry foi o primeiro artista de Rock inglês a ter alguma repercussão nos Estados Unidos, ainda baseado nos conceitos comerciais do Rock original, com músicas feitas por encomenda. Na cidade de Liverpool estava tomando forma um movimento cultural que tomou o nome de um fanzine musical local, Mersey Beat.

Entre as bandas locais já destacavam-se os Beatles.

The Beatles The Beatles

Letras das músicas dos 13 discos oficiais

Pela ordem de lançamento

Em oposição ao Rock juvenil e inocente da década de 50, começaram a surgir nos Estados Unidos artistas mais preocupados em passar mensagens importantes através da música. Com base na música folk e tocando em bares, surge artista como Bob Dylan, que em muito breve viria a mudar o rosto do Rock. O movimento intelectual chamado de Beatnik foi de grande importancia na formação desse novo estilo. O Beat era caracterizado pela valorização da individualidade, do livre arbítrio, da experimentação e da mudança, em contradição à manutenção dos antigos valores considerados importantes pela burguesia.

Dos anos 60 ficaram a marca da boa música dos BEATLES e ROLLING STONES , bem como de cantores de protesto como BOB DYLAN, JOAN BAEZ, dentre outros. Nos Estados Unidos ganha força o movimento Hippie e seu estilo de vida psicodélico, tanto em termos de música quanto de costumes. Surgem cantores e conjuntos que ficariam conhecidos mundialmente.

Em 1963 Bob Dylan já era um astro de relativa repercussão e suas letras inteligentes chamavam a atenção de público e crítica, fato inédito até então na música pop.

Em abril fez seu primeiro grande show em New York, e teve uma apresentação no programa de TV de Ed Sullivan cancelada em virtude do conteúdo "revolucionário" de suas letras. Já em maio ocorreria na Califórnia o Monterey Festival reunindo Bob Dylan e Joan Baez, além de outros artistas do estilo como Peter Seeger e o trio Peter, Paul & Mary. Rapidamente a música folk e principalmente Bob Dylan seriam taxados de comunistas e degenerados, o que obviamente atraiu a atenção do público jovem e aumentou o apêlo ao novo estilo.

Do Rock ao estilo antigo talvez a única grande novidade no início da década de 60 tenham sido os Beach Boys, banda a início dirigida basicamente à comunidade de surfistas, mas que terminou por ter uma inesperada repercussão com o hit Surfin In USA (um plágio descarado a Sweet Little Sixteen de Chuck Berry, por quem seriam processados neste mesmo ano). Em seu rastro surgiriam outros artistas com temas de surf, como Jan and Dean.

Na Inglaterra, contratados por George Martin da EMI, após terem sido desprezados pela gravadora Decca, em 1963 os Beatles já eram um sucesso sem precedentes, usando a fórmula de juntar o apêlo fácil de músicas cativantes, bom humor e algum cinismo em entrevistas, que chamavam a atenção da imprensa.

Era estranho também para a época que fossem os próprios membros da banda responsáveis por grande parte de suas composições. Com um cover de Come On (música de Chuck Berry) estreava também na Inglaterra, ainda sem grande repercussão, a banda Rolling Stones.

As novidades já não levavam tanto tempo para se espalhar por outros países. Bob Dylan e outros artistas folk dos Estados Unidos penetravam finalmente no mercado inglês enquanto paralelamente os Beatles conquistavam a América. Curiosamente em abril de 1964 Bob Dylan era número um na Inglaterra com a música The Times They Are A Changin enquanto os Beatles ocupavam as cinco primeiras posições na parada americana (com Can't Buy Me Love em primeiro lugar). Não haviam atritos ou disputa entre os estilos musicais opostos... as letras e a postura política de Bob Dylan sempre foram abertamente elogiadas pelos Beatles.

The Rolling Stones The Rolling Stones

Os Rolling Stones se tornavam também um grande sucesso mundial com sua ida aos Estados Unidos pouco após os Beatles (a atitude irreverente dos Stones, com seus frequentes escândalos, era a antítese perfeita à educação e boa aparência dos Beatles, conquistando a parcela mais rebelde do público).

Outras bandas inglesas como Herman’s Hermits, The Kinks e The Animals também despontavam.

A partir de 1965, com a banda Yardbirds (de carreira tão curta quanto influente,que teve entre seus membros ninguém menos que Eric Clapton, Jimmy Page e Jeff Beck) e The Who, o Rock começava a ganhar uma agressividade inédita, com guitarras mais ditorcidas e mais amplificadas.

Em 1966, com o single Substitute, The Who finalmente levava o Hard Rock pela primeira vez ao topo das paradas (em grande parte devido à repercussão do quebra-quebra generalizado promovido após os shows pela banda no palco e pelo público na platéia), enquanto Eric Clapton forma o power trio Cream. Nos Estados Unidos as novidades eram menos agressivas: a fusão definitiva entre o folk e o Rock da banda The Byrds e Simon & Garfunkel e as harmonias vocais da banda The Mammas and The Pappas.

As influências das temáticas mais complexas do folk rock eram flagrantes (vide a evolução dos Beatles com o álbum Revolver) e paralelamente às letras mais instigantes, os músicos buscavam também levar adiante as sonoridades, explorando instrumentos exóticos e arranjos mais complexos, experimentais e inesperados.

As drogas não mais eram apenas consumidas para eliminar a vida estafante, mas também para buscar prazer e estados alterados de percepção. A música da época foi fortemente influenciada por drogas como LSD, seja porque era composta sobre seu efeito, seja porque era composta de maneira a simular ou tentar ampliar seus efeitos. O novo tipo de música foi chamado de psicodélico.

Sobre o efeito de LSD os Beatles gravaram o que possivelmente foi o álbum mais revolucionário da história do Rock, Sgt Peppers’ Lonely Hearts Club Band, em 1967.

Pela primeira vez uma banda de Rock rompeu definitivamente com o formato extremamente comercial da música hit single, lançando uma obra em que cada música era apenas uma parte do todo, tendo gasto mais de 700 horas e seis meses de gravação. Tratou-se de um álbum instigante, desde a sua capa (uma colagem de personalidades admiradas pelos Beatles), até o último sulco do disco (um ciclo sem fim).

Para muitos Sgt Peppers é considerado o nascimento do Rock progressivo (que não se prende a nenhum conceito predefinido, baseado na experimentação e no ineditismo). Divide esta glória com um outro álbum, curiosamente gravado no mesmo estúdio e ao mesmo tempo, The Pipers At The Gates Of Dawn, da banda Pink Floyd, que havia ficado famosa pelas suas performances audiovisuais no underground londrino, capitaneada pelo gênio movido a LSD de Syd Barret.

Descoberto e levado para a Inglaterra pelo ex-Animals Chas Chendler, Jimi Hendrix seria uma outra grande revelação de 1967.

Jimi Hendrix Jimi Hendrix

Com seu segundo single, Purple Haze (o primeiro havia sido Hey Joe, um ano antes) Hendrix captou a atenção não apenas do público, mas de astros como Eric Clapton e Mick Jagger, criando uma nova sonoridade e ampliando definitivamente o papel e os recursos da guitarra elétrica no rock.

Baseados na agressão ao Stablishment e na liberdade (sexual e de experimentação) herdada do pensamento beat, surgia nos Estados Unidos o movimento hippie, concentrado principalmente em San Francisco, e tendo como expoentes bandas como Gratefull Dead, Jefferson Airplane (claramente influenciadas por drogas) e The Doors (com seu primeiro single, Light My Fire) e artistas derivados da música folk como Janis Joplin. São marcos da época as flores no cabelo (daí o termo flower power), os cabelos longos e as comunidades alternativas. O símbolo de três pontas relacionado ao lema "paz e amor" foi tomado da sinalização militar que significava "cessar bombardeio". Nada mais adequado em época de Guerra do Vietnan.

O grande evento do ano de 1967 seria o Monterey Pop Festival que reuniu na California Jimi Hendrix, Janis Joplin, The Animals, Simon and Garfunkel, Bufallo Springfield, entre outros.

Em 1968 com o final da banda Yardbirds, Jimmy Page forma o New Yardbirds logo renomeado para Led Zeppelin, ao mesmo tempo em que o Cream alcançava um merecido sucesso.

Led Zeppelin Led Zeppelin

Uma outra banda de hard rock, Sttepenwolf, na música Born To Be Wild, cunhava pela primeira vez o termo ‘heavy metal’. A sonoridade do Led Zeppelin era inédita, e embora muito baseada no blues, mais agressiva do que qualquer música anterior. Instrumentistas virtuosos, solos e improvisações de tempo indeterminado começavam a se destacar. O hard rock iniciava seu período de apogeu ao mesmo tempo em que os clássicos como Beatles e Pink Floyd, passavam por problemas de convivência cada vez maiores (embora os Beatles ainda fossem levar sua carreira adiante por quase dois anos, o Pink Floyd sofreria uma grande mudança com a saída de Syd Barret).

1969 foi ainda o ano dos grandes festivais. A morte de um fã durante um show dos Rolling Stones durante uma apresentação gratuita no festival de Altamond, California, foi o marco negativo do ano. Mas mesmo esta má impressão não seria capaz de abafar a realização do que possivelmente foi o maior evento de música de todos os tempos, entre 15 e 17 de Agosto, em Woodstock, interpretado por muitos como o marco do início de uma nova era de paz e amor, com apresentações, entre outros, de Jimi Hendrix, Crosby Stills, Nash & Young, Joe Cocker e The Who. No Newport Jazz Festival por sua vez apresentaram-se, Led Zeppelin, Jethro Tull, John Mayall, Ten Years After, Jeff Beck, James Brows, Johnny Winter, dentre outros.

Com bandas de músicos virtuosos como Pink Floyd, Led Zepellin, Cream, Jethro Tull e Deep Purple, e os super experimentais Mothers Of Invention, de Frank Zappa, associados aos trabalhos cada vez mais elaborados de bandas antigas como os Beatles e The Who (que havia lançado a ópera rock Tommy, elevando definitivamente o rock a categoria de arte) a simplicidade característica do Rock dos primeiros tempos havia sumido.

Década de 70

Os anos 70 começam com a ressaca do fim dos BEATLES, deixando os amantes da boa música com a sensação de que "o sonho realmente havia acabado". Perde força o movimento hippie e fatos trágicos deixam suas marcas, como a morte prematura de Janis Joplin e Jimi Hendrix. Por sua vez, surgem novos talentos no mundo pop, alguns remanescentes dos anos 60, como Led Zeppelin e The Who, e outros que se destacaram a partir daí, como Emerson, Lake & Palmer, Pink Floyd, Deep Purple, Nazareth,Yes, Creedence Clearwater Revival, etc. Surgem inúmeros cantores solos que se tornam grandes ídolos nas décadas seguintes como Elton John, Cat Stevens, etc. Em 1970 o rock, assim como os roqueiros da primeira geração já haviam atingido sua maioridade. A inocência dos primeiros tempos era apenas passado. As grandes bandas em sua maioria estavam cercadas dos melhores equipamentos de estúdio e mesmo orquestras (bastante emblemático é o lançamento do Deep Purple, Concerto For Group And Orchestra). Um outro grande passo para a sofisticação fora também a rápida difusão dos sintetizadores (a início os Moogs e Minimoogs inventados por Robert Moog), teclados capazes de criar novas tessituras e variedades sonoras antes impraticáveis.

Creedence Clearwater Revival Creedence Clearwater Revival

O fim dos Beatles foi emblemático do fim de mais uma era no rock. Havia sido talvez a banda que mais ajudara na transição entre o rock básico de letras simples dos primeiros tempos ao rock mais complexo e sério musicalmente e liricamente.

Não mais apenas diversão e produto de consumo, o Rock era definitivamente encarado como expressão artística e social.

O publico de Rock se dividia em duas frentes, a dos adolescentes mais interessados nos hits singles de bandas teoricamente "descartáveis" e a dos já amadurecidos rockers dos primeiros tempos, em busca de experimentação, letras elaboradas e álbuns completos.

O rock progressivo começava a se apresentar ao grande público e Greg Lake, após abandonar a banda King Crimson, formava a clássica banda Emerson, Lake & Palmer (acompanhado de Keith Emerson e Carl Palmer), cativando um público cada vez mais sério. O álbum Deja Vu, de Crosby, Stills, Nash & Young, é o mais vendido do ano nos Estados Unidos. Com a aquisição do baterista Phill Collins a banda Genesis iniciava sua careira de sucesso.

Embora o rock progressivo continuasse em expansão, bandas de musicalidade mais simples e baseadas no apelo fácil da rebeldia, voltavam a surgir para suprir a nova geração, principalmente nos Estados Unidos, como Slade, Sweet, Gary Glitter, T Rex, ou conseguiam um sucesso tardio, como David Bowie, Bay City Rollers e Elton John. A imagem (maquiagem, cabelos, roupas exageradas e coloridas) de músicos como Marc Bolan, do T Rex, iniciavam a definição do estilo Glam Rock (que aproveitavam a imagem exdrúxula e em muitos casos andrógina como fator de marketing).

Na Inglaterra, em 1970, sem requintes musicais, o Black Sabbath gravava seu primeiro disco (conta a lenda que em apenas dois dias), auto intitulado, expandindo as fronteiras do "peso" no hard rock e criando o que possivelmente poderia ser o primeiro disco definitivamente heavy metal conhecido do grande público. O limite dos escândalos envolvendo sexo, drogas e "satanismo" também é empurrado para diante.

Munido de maquiagem e teatralidade inéditos até então, Alice Cooper seria a resposta americana ao inédito pêso e atitude do Black Sabbath. Surge para o público em 1971 com o hit Eighteen e o álbum Love It To Death.

A cristalização do uso da imagem, do teatro e da "atitude" como fator de marketing tão ou mais importante do que a própria música seria a banda americana Kiss (que lançou seu álbum de estréia, auto-intitulado, em 1974) cujos músicos tocavam maquiados, assumiam personalidades de demônio, animal, homem espacial e deus, voavam, cuspiam fogo, vomitavam sangue e vendiam discos, maquiagem e bonecos como nenhuma banda de simples músicos poderia vender.

Em 1975, paralelamente ao rock elaborado das bandas progressivas ou de hard rock, o Queen lançava seu excelente primeiro disco auto-intitulado.

Os anos 80 já começam mal, com a morte do baterista John Bonham, e com isso Led Zeppelin acaba suas atividades. Para piorar, John Lennon é assassinado com 5 tiros na porta de seu apartamento em New York por um lunático

Saiba mais sobre...

Buddy Holly & Crickets

Apesar de sua curta carreira, Charles Harden Holley, mais conhecido como Buddy Holly, influenciou muitos músicos de rock'n' roll mais famosos do mundo. Buddy nasceu no Texas, em 7 de setembro de 1936; começou fazendo parte de uma dupla country na cidade em que morava, Lubock. Sua direção mudou, quando o ídolo do rock da época, Elvis Presley, fez, em 1956, uma apresentação na cidade de Buddy. Encantado com o ritmo acelerado das canções de Presley, Buddy apressou-se em compor algumas músicas que misturavam rock e country, usualmente chamadas de rockabilly. No mesmo ano, o cantor e compositor formou um grupo chamado "Three Tunes" e foi para Nashville e gravou nada menos do que dezesseis músicas inéditas de sua autoria. Uma delas, "Girl on My Mind", continha vocais marcantes, que adaptavam o jeito de Elvis cantar repetindo as sílabas das palavras, tornando-as mais compridas e meio gaguejadas. Essa acabou por tornar-se a marca registrada de Buddy Holly, assim como seus óculos de aros pretos grossos e o topete cheio de gel. O menino com cara de certinho passou a ser apreciado até mesmo por aqueles que condenavam o rock'n' roll, pois suas letras inocentes e românticas e seu comportamento tímido no palco agradavam novos e velhos. Quando o contrato com o estúdio Decca acabou, Buddy partiu para New Mexico, mudou o nome de sua banda para "The Crickets" e gravou uma de suas músicas mais conhecidas até hoje: "That'll Be The Day". Lá, Holly estranhamente assinou dois contratos separados, sendo um para ele e outro para a banda, incluindo o cantor. E foi pelo contrato individual que o rapaz gravou outra de suas famosas canções, "Peggy Sue", lançada em 1957 e que chegou ao terceiro lugar nas paradas. Mais uma vez inovador, Buddy Holly agora gravaria vozes duplas em suas músicas, como fez em "Listen To Me, Words of Love". Ele também foi um dos primeiros a usar duas guitarras elétricas (solo e rítmica) e baixo na formação de sua banda, assim como a escrever e compor suas próprias músicas. A voz melosa e a gagueira proposital de Buddy eram suficientes para deixar as garotas malucas, mesmo que seu visual completamente certinho e seu jeito tímido, nada sensual (um verdadeiro anti-herói), não fossem compatíveis a esse tipo de reação do público feminino. Exatamente por possuir características comuns, o cantor também conquistou os rapazes da época, que invejavam a beleza e o carisma de Elvis, sentindo-se mais confortáveis com o sucesso de Buddy. Infelizmente, bem no meio de sua ascensão, o Buddy Holly morreu em um acidente aéreo, no dia 3 de fevereiro de 1959. Junto com ele estavam Richie Vallens, autor de "La Bamba", e Big Bopper, de "Chantilly Lace". Este dia triste ficou marcado e conhecido como "O Dia em que a Música Morreu", pelo fato em si e também porque a maioria dos cantores de rock da época estavam passando por algum tipo de dificuldade: Chuck Berry estava respondendo a um processo, Elvis Presley estava servindo o exército e Jerry Lee Lewis fora banido pela população que era contra o rock'n' roll por ter se casado com sua prima e quinze anos. Para homenagear os três jovens artistas, um compositor chamado McLean escreveu "American Pie", música que tem o mesmo nome do avião acidentado e que lembra tristemente do acontecido. Mesmo depois de falecido, Buddy Holly continuou a influenciar bandas (como os Beatles , que procuraram em Buddy a inspiração para o nome de seu grupo) e também a lançar hits no mercado. Com esperteza, as gravadoras lançaram músicas inéditas de sua autoria, que caíram como uma luva aos ouvidos dos fãs entristecidos. De tempos em tempos, até hoje, coletâneas, vídeos, livros ou filmes sobre a vida de Buddy Holly ainda são colocados nas prateleiras das lojas para matar a saudade daqueles que gostavam do tímido roqueiro.

Jimi Hendrix

Sem dúvida nenhuma, o guitarrista mais importante de todos os tempos, uma figura lendária que influenciou todos os instrumentistas que viriam depois dele. Seu estilo de tocar revolucionou não só a própria guitarra, mas também todo os padrões do rock vigentes até então. Hendrix (aliás, James Marshall Hendrix) nasceu em Seattle, no dia 27 de novembro de 1942, e começou tocar guitarra por volta dos dez anos de idade, tendo como grandes influências os blueseiros Muddy Waters e Robert Johnson. Chegou a participar de dúzias de bandas de garagem, até que iniciou sólida carreira profissional, tocando ao lado de grandes nomes do rock de então, como B.B. King, Sam Cooke, Jackie Wilson, Little Richard e outros. À época, usava o pseudônimo Jimmy James e seus primeiros registros fonográficos ocorreram em 1964, em discos de Lonnie Youngblood, Isley Brothers e Curtis Knight. Foi numa apresentação deste último que o empresário Chas Chandler o viu tocar, ficou impressionado com o seu estilo e passou a trabalhar com ele. Paralelamente, Hendrix já tinha seu próprio grupo, Jimmy James and the Blue Flames. Entretanto, ambos decidiram que o melhor formato era o trio, com guitarra, baixo e bateria. Formada, a banda Jimi Hendrix Experience, com Noel Redding (baixo) e Mitch Mitchell (bateria), Chandler os levou para Londres e o sucesso foi praticamente imediato. Em 66, se apresentam no programa "Ready Steady Go", da TV inglesa, apresentando, entre outras, aquela que seria seu primeiro mega-sucesso, a clássica "Hey Joe". Claro que o foco das atenções era aquele guitarrista que reunia todas as qualidades encontradas em outros instrumentistas: rapidez, técnica, presença de palco apaixonada e, acima de tudo, uma criatividade tão imensa que tornava seu estilo de tocar algo único, incomparável, inimitável. Tocava com os dentes, ateava fogo na guitarra, fazia amor com ela, produzia microfonias, distorções, desafinações sem fim, mas nunca de forma gratuita. Após "Hey Joe", seguiram-se mais alguns compactos (dentre eles o segundo mega-sucesso, "Purple Haze") até o primeiro álbum, "Are You Experienced ?" Nada, até então, era tão pesado e tão inovador. A banda passou a se apresentar em todos os festivais importantes da época, dentre eles o Monterey Pop, que finalmente lhes valeu sucesso em seu país-natal. Em 69, no entanto, o Experience se desfez. Em Woodstock, naquela que a apresentação mais magistral de sua carreira, quem tomou conta do baixo foi Billy Cox, um antigo amigo de Hendrix, com Mitchell na bateria. Ainda neste ano conseguiu realizar um antigo sonho: formou uma banda só com músicos negros, a Band Of Gypsies, com Cox no baixo e Buddy Miles. Entretanto, tal grupo não funcionou bem e logo Mitchell é convidado a voltar para as baquetas. Em julho de 1970 ele toca pela última vez nos EUA; em agosto inaugura seu próprio estúdio, o Electric Ladyland, em New York, e, ainda em 70, toca no festival da Ilha de Wight, vindo a morrer em Londres alguns dias depois, por intoxicação com barbitúricos e sufocado no próprio vômito. Porém, estava viva para sempre a lenda, um músico que jamais será igualado, cuja genialidade foi proporcional à revolução que causou no rock'n'roll, sentida até hoje.

Rolling Stones

Tida por muitos como a maior banda de rock'n'roll de todos os tempos, o Rolling Stones é, sem dúvida, a mais antiga em atividade, uma vez que sua formação remonta ao ano de 1962, quando Mick Jagger (vocais), Keith Richards (guitarra) _ os dois idealizadores do conjunto _ Charlie Watts (bateria), Bill Wyman (baixo) e Brian Jones (guitarra), acrescidos do pianista Ian Stewart, juntaram-se e começaram a apresentar-se pelo circuito londrino de bares e clubes, tocando músicas de Chuck Berry e Bo Diddley, entre outros, da forma mais selvagem possível. Não demorou muito para que chamassem a atenção não só do público, mas também dos executivos das grandes gravadoras da época. Em um de seus energéticos shows, conheceram Andrew Oldham, que se tornaria, pouco depois, seu primeiro empresário de fato. Oldham percebeu que poderia se aproveitar da imagem rebelde dos Stones para contrapor-se à de bons meninos ostentada pelos Beatles. Para tanto, expulsou Stewart do grupo, alegando que seu aspecto físico não combinava com essa mentalidade e fez vir à tona (de forma "acidental") algumas peculiaridades da vida particular de cada um dos cinco, como o fato de Richards e Jagger terem sido expulsos da escola diversas vezes, de Jones ser pai de dois filhos bastardos, etc. Em seguida, foram editados os primeiros compactos, ainda contendo apenas músicas consagradas, mas que, em suas intensas versões "stônicas", ganhavam nova roupagem e uma agressividade nunca vista. O público jovem passou a idolatrá-los, para desespero dos pais e dos setores mais conservadores da indústria e imprensa musicais, que os consideravam altamente nocivos para os padrões éticos e morais que imperavam na repressora sociedade britânica de então. A mídia, inclusive, passou a inventar coisas horríveis a respeito do grupo que, segundo ela, tomava todas as drogas do mundo antes dos shows, urinava na platéia durante e violentava as fãs após os mesmos. Logicamente, toda essa aura maldita só serviu para aumentar ainda mais a curiosidade sobre o grupo e, quando seu primeiro álbum foi lançado, para torná-lo um retumbante sucesso comercial. Nesse primeiro LP, as canções ainda eram covers, na sua maioria de canções do rhythm & blues, mas, no segundo, as primeiras composições próprias começaram a aparecer. Uma delas, "Satisfaction", explodiu nas paradas inglesas e americanas, apesar de toda a militância da imprensa contra eles. Foi nessa época que o produtor Oldham foi substituído por Allen Klein. Em 1966, com o LP "Aftermath", editaram o primeiro disco inteiramente composto de músicas próprias, que solidificou sua posição como a mais promissora banda de rock do mundo desde os Beatles. A imagem de "bad boys" continuou sendo cultivada, sempre com a ajuda involuntária da mídia que, tentando prejudicá-los, só conseguia publicidade extra para o grupo - como no episódio em que a banda foi proibida de dizer o verso "Let's spend the night together" (da música homônima) em um programa de TV; Jagger cantou "Let's spend the mmmmm together", arrancando gargalhadas dos espectadores, cientes da patética proibição. Paralelamente, começaram os primeiros problemas sérios envolvendo drogas. Em 1967, os cinco passaram uma noite na prisão por causa de porte de drogas pesadas e Jones, em especial, já dava mostras de irreversível dependência: em alguns shows não conseguia tocar e, fisicamente, estava se deteriorando. Em 1968 foi lançado o LP "Beggar's Banquet", para muitos o melhor de sua carreira e o último com Jones na formação já que, no ano seguinte, ele foi expulso da banda. Para o seu lugar, veio Mick Taylor. Um mês depois de sua saída, ocorrida em junho, ele [Jones] foi encontrado morto na piscina de sua casa. A imagem de malditos, a essa altura já mais do que consolidada em virtude de todos esses incidentes, seria ainda mais reforçada em 69, quando, durante a execução da música "Sympathy For The Devil", no concerto ao ar livre de Altamont, um bando de Hell's Angels responsável pela segurança do show assassinou um jovem da platéia. De qualquer modo, e apesar disso tudo, os Stones mantiveram-se firmes posteriormente e editando álbuns de grande qualidade durante toda a década de 70, como os clássicos "Sticky Fingers", "Exile On Main Street", "Goat's Head Soup" "It's Only Rock'n'Roll" e "Their Satanic Majestie Requests" _ em meio a novas trocas de empresários, novos problemas com drogas, novas polêmicas e críticas na imprensa e nova mudança de formação (desta vez, saía Mick Taylor para a entrada de Ron Wood). A decadência só veio mesmo a partir da segunda metade da década de 80, quando, já bastante envelhecidos, os cinco passaram a lançar discos mais voltados para o pop e outros ritmos menos associáveis ao rock. Contudo, sua competência permitiu que nunca lançassem nada de verdadeiramente ruim; o problema é que, comparados à genialidade de seus trabalhos de outrora, os contemporâneos parecem um tanto débeis. Já na década de 90, o baixista Bill Wyman deixou o conjunto, mas não foi chamado nenhum outro para ser efetivado em seu lugar: baixistas profissionais revezam-se na função em shows ao vivo e os outros membros, principalmente Richards, assumem o baixo nas gravações de estúdio. Ainda na ativa, seus shows são um exemplo de produção visual e continuam atraindo multidões. E as vendagens de seus discos seguem insuperáveis.

Led Zeppelin

Sem dúvida, dos mais importantes nomes na história do rock pesado, o Led Zeppelin exerceu influência determinante e incontestável sobre todas as outras bandas do gênero que vieram depois dela. Incorporando elementos de blues, hard rock e muitas viagens sonoras, inovaram o estilo e conquistaram platéias não só em seu país-natal, a Inglaterra, mas ao redor de todo o mundo. A história da banda é até confusa e mesmo trágica, mas qualquer fã de rock'n'roll a conhece "decor e salteado". Quem formou o Led Zeppelin foi o guitarrista Jimmy Page. Ex-músico de estúdio, ele entrara no Yardbirds e, com o fim daquela banda, montou o The New Yardbirds, com o auxílio do baixista de estúdio John Paul Jones. Para os vocais, a dupla tentou convencer Terry Reid a entrar. Contudo, este declinou do convite, mas sem antes deixar de indicar o nome de um amigo seu para o cargo, Robert Plant, que cantava numa banda chamada Band Of Joy. Plant, após ter impressionado Page com seu estilo de cantar, aceitou o convite e indicou seu companheiro de banda John Bonham para assumir a bateria. Estava formado o The New Yardbirds, que logo saiu em turnê. Em 68, após apresentação no Marquee Club, de Londres, Keith Moon (baterista do The Who) sugere à banda que troque o nome para Led Zeppelin. A sugestão não é aceita de imediato (The Whoopee Cushion e The Mad Dogs foram nomes que chegaram a batizar o conjunto por algum tempo), mas logo é escolhida como definitiva. Começaram fazendo mais sucesso nos Estados Unidos, onde o compacto com "Whole Lotta Love" (acusada de ser recriação de "You Need Love", de Willie Dixon, cujo nome acabou sendo incluído posteriormente nos créditos de autoria da canção) e "Living Loving Maid" se tornou um sucesso de vendagens assim que foi editado, em 1968, a despeito do desprezo da crítica. No ano seguinte, saiu o primeiro álbum, que tornou-se um imenso sucesso de vendas. Ainda no mesmo ano sai o segundo, que trilhou o mesmo caminho dourado. O terceiro LP, composto no País de Gales, deixou o peso um pouco de lado, ao trazer várias canções acústicas, dentre elas a famosa "Since I've Been Loving You". Entretanto, em 1971, foi editado quarto álbum, a sua obra-prima. Cheio de referências místicas (que lhes valeu acusações de satanismo e bruxaria), traz clássicos definitivos, como "Black Dog", "Rock'n'Roll" e a imortal "Stairway To Heaven", considerada por muitos a melhor música de todos os tempos. A seguir, vieram "Houses Of The Holy" e "Physical Graffiti", que deram continuidade ao sucesso massacrante da banda. Aí, começaram os problemas. Plant teve problemas na garganta, Page machucou a mão e Bonham sofreu de úlcera. Por isso, cancelaram algumas apresentações e foram tirar férias. Durante elas, Plant sofre um grave acidente de carro e grava o pesadíssimo álbum "Presence" (com certeza o mais incompreendido de sua carreira), todo engessado. Em virtude do estado do vocalista, não podiam se apresentar ao vivo e aproveitam a oportunidade para lançar o filme e disco "The Song Remains The Same". Só retornaram aos palcos em 77 e, mesmo assim, por pouco tempo, pois o filho de Plant, Karac, faleceu em meio à turnê que faziam naquele ano. Em 1979, foram para Estocolmo gravar "In Through The Out Door", que trazia John Paul Jones também nos teclados. No ano seguinte, a tragédia maior: Bonham "encheu a cara" de vodca na casa de Jimmy Page e morreu de intoxicação alcoólica ali mesmo, pondo fim a um dos mais espetaculares grupos de hard rock da década de 70. Em 1980 ainda foi lançado um disco póstumo com sobras de estúdio, "Coda", e Jimmy Page e Robert Plant partiram para carreiras solos, razoavelmente bem-sucedidas. Ambos voltaram a gravar juntos em 1994/95, quando levaram a cabo o projeto Page & Plant, que muitos encararam como uma volta do Led Zeppelin.

The Beatles

O grupo The Beatles foi um verdadeiro fenômeno do rock'n' roll, que arregimentou fãs de todas as idades em todo o planeta. O visual certinho, as letras meigas e um rock'n' roll influenciado por Buddy Holly, The Everly Brothers e Chuck Berry, logo conquistou toda uma geração que fazia loucuras para poder vê-los. Antes de se chamar os Beatles, nome que fazia um trocadilho com beetles (besouro) e beat (que tanto significa "batida" ou "compasso rítmico" quanto se refere ao movimento beatnick dos anos 50, um precursor dos primordiais tempos de rebeldia do rock), eles foram Johnny and The Moondogs e The Silver Beatles. Vale a pena comentar que o nome Beatles, cuja sonoridade ainda nos faz pensar em insetos, fora inspirado na denominação usada pela banda de Buddy Holly, chamada The Crickets (os grilos, em português). Antes de se tornarem famosos, porém, o grupo chegou a tocar durante meses seguidos em um pequeno bar na cidade de Hamburgo, por mais de oito horas por dia, todos os dias, em troca de comida e um lugar para dormir, que, às vezes, não passava de algumas cadeiras e colchões amontoados em um só quarto. A prática adquirida com toda essa maratona musical, que durou cerca de oito anos e também incluía pequenos pubs ingleses, tornou os Beatles competentes músicos e compositores, que inovaram sua época trazendo nova vida ao rock'n'roll. Tudo começou na pequena cidade de Liverpool, Inglaterra, onde todos os integrantes dos Beatles viviam. No final da década de 50, John Lennon e seu colega de escola, Paul McCartney, resolveram montar um grupo, chamado The Quarrymen. Alguns anos mais tarde, John chamou seu amigo Stu Sutcliffe para tocar baixo e Paul falou com o guitarrista George Harrison, para que ambos viessem fazer parte do que seria o embrião dos Beatles. O cargo de baterista sofreu constantes mudanças de dono até que pudesse ser preenchido por Pete Best, no ano de 1960, quando a banda fazia uma pequena turnê por Hamburgo. Voltaram à Inglaterra onde tocaram por alguns meses, gravando, inclusive, o instrumental de "My Bonnie Lies Over the Ocean", com um cantor pouco conhecido. Quando retornaram em viagem à Hamburgo, Stu resolveu sair dos Beatles para ficar com sua namorada e retomar os estudos de arte. Essa namorada, aliás, foi quem desenhou os modelos de roupas e cabelos usados por eles, que intrigariam o mundo anos mais tarde. Dois anos depois, em 1962, Stu Sutcliffe morreria vítima de problemas na cabeça, que nunca foram confirmados como sendo realmente um tumor no cérebro. Mas foi no ano de 1961 que o grupo ganhou sua grande chance, por mais estranha que ela possa ter parecido em seu início. O rico comerciante Brian Epstein, que possuía, entre outros negócios, uma loja de discos, viu-se intrigado por não poder atender um cliente que pediu o compacto de "My Bonie Lies Over The Ocean", no qual os Beatles tocaram. Sem conseguir admitir o fato de não possuir algo que seu cliente pedira, Epstein tentou entrar em contato com todos que pudessem saber sobre o disco e acabou, assim, chegando ao próprio grupo. Ele descobriu os Beatles em um pub, chamado "Cavern", e logo se apaixonou por eles, propondo-lhes ajuda imediata. Com Epstein agora como seu empresário, os Beatles conseguiram um pequeno contrato com a Parlephone, pertencente à EMI. Neste meio tempo, o baterista Pete Best, considerado pela gravadora ruim demais, foi substituído por Ringo Starr, que antes fazia parte do grupo Rory Storm and the Hurricanes. Com a nova formação, os Beatles gravaram, então, um single contendo a famosa "Love me Do", lançado em outubro de 1962. A música chegou ao décimo-sétimo lugar nas paradas, colocando o nome do grupo no cenário musical inglês. Outro single, lançado no ano seguinte, chamado "Please Please Me", chegou ao primeiro lugar na lista dos mais pedidos, assim como outros três outros que se seguiram. O primeiro grande sucesso dos rapazes de Liverpool nos Estados Unidos aconteceu em 1964, quando "I Want to Hold Your Hand" passou a ser tocado em todas as rádios norte-americanas, impulsionando uma grande procura, por parte dos americanos, aos singles anteriores a este. O mais irônico é que a Capitol Records, filiada da EMI, recusou-se, a princípio, a lançar os singles do grupo porque achou que eles não interessariam à juventude de seu país. Como se sabe, eles estavam redondamente enganados, uma vez que os Beatles, em apenas alguns meses, conseguiram colocar todas as suas músicas dentre as cinco mais pedidas nas paradas. Estava começando o fenômeno conhecido como "Beatlemania", que tomou conta dos Estados Unidos em meados dos anos 60, levando milhares de fãs a comprar os discos e assistir aos filmes lançados pelo grupo. Duas grandes produções cinematográficas com a participação do quarteto foram lançadas no ano de 1964: A Hard Day's Night e Help, cujas filas nas entradas dos cinemas eram disputadas palmo a palmo. E foi neste mesmo ano, mais precisamente no dia sete de fevereiro, que os Beatles pisaram nos Estados Unidos pela primeira vez. Com um grande destaque na mídia nacional, que anunciou cansativamente a chegada dos rapazes, milhares de jovens foram recebê-los no aeroporto, para depois continuarem seguindo o grupo onde quer que ele fosse. A vizinhança do hotel onde o grupo hospedou-se, tornou-se tumultuada da noite para o dia e os ingressos dos setecentos lugares para o show de Ed Sullivan, no qual eles se apresentaram no dia nove de fevereiro, foram disputados por cinquenta mil pessoas. A "Beatlemania" arrebatou sessenta por cento da audiência de toda a TV norte-americana durante a apresentação deste programa, o que representa, na época, cerca de setenta milhões de pessoas assistindo aos Beatles. Dezenas de entrevistas, concedidas à estações de rádio e televisão, jornais e revistas, mostraram aos Estados Unidos e ao mundo quatro rapazes divertidos que davam as respostas mais inesperadas aos repórteres. Definitivamente, eles haviam conquistado o mundo através da América do Norte. No ano seguinte, os Beatles lançaram o álbum "Help", que continha a famosa "Yesterday", na qual o grupo experimentou o uso de violinos e pianos, fazendo bastante sucesso com a mistura. Neste mesmo 1965, eles colocaram no mercado "Rubber Soul", consolidando o nome do grupo como o maior de sua época. O sucesso mundial dos Beatles trouxe algumas claras mudanças em suas vidas pessoais, que iam além do fator dinheiro. A fama e o reconhecimento tornaram os integrantes do grupo prisioneiros constantes, uma vez que eles eram reconhecidos e recebidos por multidões onde quer que fossem, impedindo que pudessem levar uma vida normal. O envolvimento com drogas como o LSD e os problemas que causavam onde quer que fossem, por causa do tumulto criado pelos fãs, dificultavam suas apresentações ao vivo em turnês mundiais. Por causa disso, os Beatles, em 1966, ano do lançamento de "Revolver", anunciaram que não mais fariam estas turnês, limitando-se apenas às apresentações televisivas e lançamento de álbuns gravados em estúdio. Neste mesmo tempo, a declaração polêmica de John Lennon de que o grupo era mais popular do que Jesus Cristo fez com que milhares de seus discos fossem queimados em praça pública. Além da queima de todo o tipo de objeto relacionado ao quarteto, protestos constantes e o comportamento da audiência dos shows (muitas pessoas passaram a atirar objetos nos integrantes dos Beatles), também ajudaram na decisão de não mais tocar ao vivo. O ano seguinte ficou marcado na história do rock pelo lançamento de "Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band", álbum que trazia muitas inovações musicais, chegando a ser considerado o melhor do grupo até hoje. Música eletrônica, instrumentos indianos e até mesmo a arte dadaísta havia sido incorporada pelos Beatles neste disco. Mais maduros musicalmente, os rapazes de Liverpool atraíram uma nova porção de pessoas, que se tornaram seus fãs somente depois do lançamento de "Sgt. Pepper". Neste mesmo ano, o empresário Brian Epstein viria a falecer e a carreira do grupo passaria por uma fase de declínio. O lançamento do álbum duplo conhecido como White Album, mas que levava o próprio nome da banda marcou a primeira grande derrapada dos Beatles. O disco foi duramente criticado pela mídia em geral por ser considerado uma espécie de auto-indulgência. Depois deste ainda viriam "Yellow Submarine", "Abey Road" e "Let it Be", todos gravados com a intenção de fazer o nome dos Beatles voltar a ser tão disputado quanto antes. Enquanto isso, Paul McCartney e John Lennon já arriscavam o ingresso em carreiras solo, tocando aqui ou gravando ali sem admitir problemas internos no grupo. A verdade é que estes problemas existiam há tempos e os Beatles tentaram solucioná-los ou ignorá-los na intenção de preservar o conjunto. Os Beatles anunciaram sua separação oficial logo após o lançamento de "Let it Be", no ano de 1970. Várias coletâneas e músicas inéditas ainda são lançadas até hoje e muitos fãs que esperavam a volta do grupo só acreditaram em sua verdadeira dissolução quando, em 1980, John Lennon morreu. Ele foi assassinado, segundo a polícia de New York, por um fã alucinado, bem em frente à porta de seu prédio. Em suas carreiras pós-Beatles, John Lennon gravou uma série de álbuns que protestavam contra a guerra e as injustiças no mundo, juntamente com sua atual esposa, Yoko Ono. O casal participou de centenas de manifestações e até mesmo deixou-se fotografar nu para a ilustração da capa de um de seus discos. A fama de John e a influência de Yoko serviram de chamariz para diversas causas adotadas pelo casal, que acreditava poder ajudar ao mundo com suas canções e protestos. "Imagine", em cuja letra Lennon imagina um mundo sem injustiças, é a mais famosa delas. Já Paul McCartney continuou fazendo rock'n'roll, lançando vários discos de sucesso e fazendo centenas de turnês pelo mundo ao lado de sua própria banda. Em seus shows, estão incluídas várias músicas dos Beatles, além de uma homenagem ao velho amigo John Lennon. De alguns anos para cá, Paul passou a dedicar-se a causas ecológicas, utilizando a tecnologia de seus shows para apresentar protestos em forma de vídeos e outros recursos. George Harrison e Ringo Starr gravaram vários discos solos após os anos 70, porém tiveram menos sucesso que Paul McCartney.

Creedence Clearwater Revival

Uma das bandas de rock americanas de maior sucesso do final dos anos 60, início dos anos 70, o Creedence Clearwater Revival foi formado em San Francisco por quatro amigos de escola: os irmãos Tom (guitarra) e John Fogerty (guitarra e vocais), Stu Cook (baixo) e Doug Clifford (bateria). Inicialmente, adotaram o nome Tommy Fogerty & The Blue Velvets e, pouco mais tarde, The Golliwogs. Somente em 1967 o nome Creedence Clearwater Revival foi definitivamente escolhido. Oriundo de uma época em que abundavam discos complicados, conceituais, com músicas longas, complexas e letras socialmente engajadas, a música do Creedence, simples, feliz, com letras tratando de temas fúteis, tornaram-se sucesso imediato junto ao público. Aliás, o grupo sempre apostou tanto no sucesso fácil que no começo de sua carreira nem se preocupou muito em compor músicas próprias, optando simplesmente por regravar faixas que já haviam sido hits e colocar algumas composições próprias aqui e ali. À medida em que os anos iam passando, porém, a banda adquiriu certa maturidade, principalmente por causa dos lapsos de genialidade de John Fogerty que, a essa altura, já se tornara o líder e principal compositor do conjunto, tomando para si o posto que havia sido de seu irmão no início das atividades do Creedence. Por sinal, desentendimentos crescentes entre os dois em virtude disso levaram à saída de Tom Fogerty da banda, que acabaria por encerrar suas atividades em 1972. De qualquer forma, músicas como "Sweet Hitch-Hiker" e "Have You Ever Seen The Rain" tornaram seu nome eterno na história do rock.

O pop rock nacional nas décadas de 60 e 70

Década de 60

Jovem Guarda Jovem Guarda

No Brasil não foi diferente. No final da década de 50 e início dos anos 60, alguns cantores se destacam interpretando, em sua maioria, versões de sucessos estrangeiros. Dentre esses podemos citar os irmãos Cely e Tony Campelo, Ronie Cord, Carlos Gonzaga, Hervé Cordovil e outros.

Por volta de 64 inicia-se o movimento denominado Jovem Guarda, consagrando nomes que ainda hoje estão na ativa.

O Movimento Jovem Guarda

Muita gente namorou, noivou, casou e teve filhos "curtindo" músicas da Jovem Guarda. Nessa estrada de humor e amor, falar dos intérpretes Roberto, Renato & seus Blue Caps, Erasmo, Wanderléa, , Jerry Adriani, Golden Boys, Os Vips, Eduardo Araújo, dentre tantos outros, seria como bater na mesma tecla sobre assuntos que já foram ditos e reditos milhares de vezes.

Desta forma vejamos as palavra de quem protagonizou a própria Jovem Guarda, no caso, Erasmo..."Logo após Susie (Roberto) e Splish Splash (versão minha), Roberto e eu descobrimos que tínhamos as mesmas idéias e começamos a compor Parei na Contramão dentro de um "lotação". Estávamos , há várias semanas, tentando fazer o refrão de Sentado à Beira do Caminho, quando lá pelas tantas da madrugada "pintou" sono no Roberto: "Bicho, vou tirar uma soneca me acorde daqui a meia hora....zzzz....". Passado o tempo solicitado, foi acordado por mim e, ainda deitado, com o rosto marcado pelos relevos da almofada, cantarolou sorrindo: "Preciso acabar logo com isso, preciso lembrar que eu existo....". Ele havia sonhado com o refrão". Cantora de boleros no Clube do Guri, aquele monumento de minissaia nos palcos do Teatro Record, (Wanderléa) nos conquistou geral. Era(é) nossa irmãzinha querida, que ficava ruborizada quando ouvia um palavrão. Ficava ensaiando coreografias de cada música em frente ao espelho e todos, na semana seguinte, estavam dançando igualzinho a ela. Nós a protegíamos, implicávamos com seus decotes e vestidos curtos e tínhamos ciúmes dos seus namorados. Sempre achei que o apelido "Ternurinha", embora lindo e carinhoso, é pouco para ela.

Introduzimos sonoplastia nas músicas e, com isso, conseguimos resultados interessantes. Exemplo: freadas de carro (Parei na Contramão), vozerio na praia (Jacaré), briga de rua (Os Sete Cabeludos), batida de pés em cima de um praticável de madeira com solo de Jorge Ben (O Tremendão), voz ao telefone (Te Amo, Te Amo, Te Amo), etc... Até hoje fazemos isso.

Tropicália Tropicália

Agora, com licença, vou botar meu fone, apagar a luz, fechar os olhos e (re)viver deliciosas e inesquecíveis jovens tardes de domingo, pois afinal a Jovem Guarda faz parte da história e eu tenho a honra de fazer parte da história da mesma. QUEM VIVEU VIU, QUEM NÃO VIVEU OUVE FALAR...

Em meados dessa década, surge o movimento da Tropicália, sacudindo tabus musicais vigentes, bem como os primeiros festivais da canção, marcados por fatos políticos como a censura de músicas.

A história de Renato e Seus Blue Caps

Os sábados eram animados naquela modesta casa em Piedade, no Rio de Janeiro. Ali Seu Barros, que tocava violão, e sua esposa, que cantava, se reuniam com cunhados que também tocavam violão e, no fundo do quintal, davam vazão à veia musical comum a tantos membros da família. Foi ali, nesse ambiente, que nasceram os irmãos Renato, Paulo Cesar e Edson Barros.

Como seria de se esperar, os três tinham a música à flor da pele. Ainda adolescentes travaram o seu primeiro contato com o "rock'n roll" que chegava ao Brasil na voz de Bill Halley e Seus Cometas. Na mesma época "conheceram" Little Richard ("Tutti Frutti", "Long Tall Sally"), Jerry Lee Lewis ("Balls of Fire"), Gene Vincent ("Be Bop a Lula") e tantos outros roqueiros americanos que começavam a fazer, também no Brasil, a cabeça da juventude. Contagiados pela onda, formaram um grupo e começaram a ensaiar.

Renato e Seus Blue Caps Renato e Seus Blue Caps

Ao lado da casa dos Barros havia um clube, o "Esporte Clube Oposição", que promovia, nos domingos à noite, festivais de rock que, na realidade, eram mais shows de "mímica" (playback) muito em moda na época. Um dia Renato e sua turma estavam na platéia quando, por armação dos pais, foram chamados ao palco para se apresentarem. Vencendo a timidez subiram e deram o recado. Animados com a aceitação formaram um conjunto chamado "Os Bacaninhas do Rock da Piedade". Mas, como cantar aqueles sucessos americanos, se ninguém sabia inglês? Isto não era problema para "Os Bacaninhas do Rock da Piedade". Bastava prestar bastante atenção ao som emitido pelos cantores e procurar reproduzi-lo enrolando a língua. Foi também assim que Renato, desejando comprar o disco de "Tutti Frutti" (Pat Boone - Little Richard), foi até uma loja em Cascadura e:

- Você tem aquele disco... (e cantando): "Uá-pá-blu-..."

E o rock seguia tomando a juventude brasileira. Elvis Presley (Hound Dog) chegou logo a seguir e acabou de botar lenha na fogueira. Influenciados até mesmo pelo visual do futuro "rei do rock", Renato e Edson passavam cera de sapato preta nos cabelos a fim de conseguirem o mesmo topete negro. O problema estava somente quando a chuva surpreendia os roqueiros e a tinta escorria pelo rosto.

Um amigo de Renato e sua turma, Jorge Bahia, estudava no Colégio Vasco da Gama que funcionava na Baixa do Sapateiro, onde tinha um colega, chamado Gelson, que era baterista de um conjunto de rock em Vila Isabel. Jorge, então, convidou Gelson e sua turma para conhecerem a turma de Renato e também participarem dos shows de mímica em Piedade. Feita a aproximação, Gelson foi logo bem aceito pela turma. É que ele estudava inglês no IBEU e conseguia as letras dos sucessos americanos. Para a turma que cantava enrolando a língua, era um verdadeiro achado.

O programa "Hoje é dia de rock", transmitido do Auditório da Rádio Mayrink Veiga, era a "coqueluche" da juventude carioca, com uma audiência enorme. Renato e sua turma não podiam deixar passar a oportunidade e se inscreveram para fazer mímica com coreografia o que, na época, era até mais valorizado do que simplesmente cantar. Assim "Os Bacaninhas do Rock da Piedade" se apresentaram e... levaram uma retumbante vaia. Acabrunhados, voltaram para Piedade temendo a fria recepção dos amigos. Mas, para surpresa deles, os amigos deram a maior força e os incentivaram a uma nova tentativa.

Assim, dias após Renato voltou para inscrever a sua turma. Na hora da inscrição estava presente Jair de Taumaturgo, diretor do programa, que, ao vê-lo e se lembrando da vaia da apresentação anterior, se espantou:

- Vocês, outra vez?

E Renato, todo entusiasmado:

- Agora a gente vai fazer ao vivo!

- Meu Deus do Céu! - exclamou Jair. E completou: - Não venham com aquele nome!

- Mas só temos aquele - desculpou-se Renato.

Jair, então, se propôs a ajudá-los:

- Vamos bolar um outro nome. Como é o seu nome?

- Renato.

- Que tal "Renato e Seus Cometas"? - numa clara alusão a Bill Haley?

- Não! - descartou o próprio Jair, para sentenciar:

- "Renato e Seus Blue Caps" - numa igualmente escancarada alusão a "Gene Vincent and His Blue Caps".

O jovem Renato, que achava que a carreira do conjunto não passaria daquele programa, aceitou pacificamente. E assim nascia o conjunto que viria a se tornar o mais importante e o mais popular da Jovem Guarda.

Apresentaram-se cantando "Be Bop a Lula", justamente um sucesso de "Gene Vincent and His Blue Caps" e... "abafaram". Ganharam não só o concurso, como também a oportunidade de se apresentarem no "Programa do Chacrinha" na TV, prêmio destinado ao primeiro colocado.

Como haviam sido informados de que na televisão os artistas tinham que se apresentar maquiados, os Blue Caps já saíram de suas casas com os rostos cheios de pó causando, naturalmente, estranheza aos demais passageiros do ônibus. Participaram do programa, mas a parte melhor aconteceu mesmo nos bastidores. Estava presente Nazareno de Brito, Diretor Geral da Copacabana Discos, que gostou da apresentação do conjunto e prometeu:

- Vou fazer um disco com vocês!

E realmente fez. Foi um LP do tipo "pau de sebo", como se chamava na época. Reunia três artistas iniciantes, ficando cada um com quatro faixas. Dividiram o disco, com o conjunto, Reinaldo Rayol (irmão de Agnaldo Rayol) ("Eu Quero o Twist", "Aniversário do Meu Bem" de Roberto Carlos) e Cleide Alves ("Chega", "Meu Anjo da Guarda"), aquela citada na "Festa de Arromba" ("Wanderléa ria e Cleide desistia/ De agarrar um doce que do prato não saia..."), ambos despontando como roqueiros. Renato e Seus Blue Caps, além de ficarem com quatro faixas, acompanharam Reinaldo e Cleide nas outras oito. Feito o primeiro registro fonográfico do conjunto... nada aconteceu. O LP passou despercebido pelo público.

Mas... a vida continua. E nesse meio tempo os Blue Caps conheceram Erasmo Carlos e Roberto Carlos, roqueiros que também despontavam, e passaram a tocar com Roberto, acompanhando-o em shows em circos, etc...

Nessa ocasião a família Barros se mudou da casa para um edifício, no outro lado da mesma rua na Piedade. Ali, no apartamento 201, o conjunto ensaiava, para desespero dos vizinhos. O prédio passou a ficar famoso em Piedade. Não era sem motivo. As garotas da vizinhança se aglomeravam pelas escadas para verem, além de "Renato e Seus Blue Caps", Roberto Carlos (Quero Que Vá Tudo Pro Inferno), Erasmo Carlos ("Tremendão", "O Carango"), Wilson Simonal ("Meu Limão, Meu Limoeiro", "Vesti Azul"), Martinha ("Eu Daria a Minha Vida", "É uma Brasa, Mora"), Eduardo Araujo ("Deixe o Rock", "O Bom"), Robert Livi ("Tereza", "Parabéns Querida"), Jerry Adriani ("Querida", "Doce, Doce Amor") e tantos outros novatos que iam ensaiar ou mesmo se encontrar com a turma. E foi justamente ali que o Blue Cap Paulo Cesar Barros conheceu a garota com a qual veio a se casar.

Renato e seus Blue Caps - formação incial Renato e seus Blue Caps - formação incial

A época era propícia aos conjuntos, que faziam grande sucesso: "Luizinho e Seus Dinamites", "Lafayete (que tocava órgão) e Seu Conjunto", "Relâmpagos do Rock" (depois chamado "The Panthers" e por fim "Raulzito e os Panteras", liderado por Raul Seixas, o Raulzito),e tantos outros. Não obstante, Edson Barros - que era a principal voz do "Renato e Seus Blue Caps" - deixou o grupo quando Carlos Imperial o convidou para fazer uma carreira solo. Nasceu aí o Ed Wilson ("Sandra", "Carro do Papai" do próprio Renato Barros).

Erasmo Carlos, que tinha um grupo vocal e era secretário de Carlos Imperial na Rádio Guanabara, convidado por Renato para ocupar a vaga, aceitou o convite passando a fazer o mesmo papel de "crooner". Também nessa ocasião Gelson saiu para fazer uma turnê acompanhando Eduardo Araújo, deixando o conjunto sem baterista. Sabendo que os Blue Caps estavam precisando de um baterista, a cantora (tinha também um programa de rádio) Célia Vilela ("A Fã e o Namorado") lembrou-se de seu amigo Toni, um baterista do Leblon. Animou-o, então, a se integrar ao conjunto de Renato, vindo a ser o baterista preferido de Roberto Carlos que não trocava a sua batida pela de nenhum outro baterista.

A fim de melhorar o visual do conjunto, Erasmo foi às Casas Pernambucanas e comprou um tecido quadriculado de preto e branco e outro vermelho e mandou fazer paletós para todos, que foi complementado com calças pretas e mocassins brancos. Este foi o primeiro uniforme do "Renato e Seus Blue Caps". Foi quando gravaram o segundo LP (em cuja capa aparecem com o tal uniforme) que se chamou "Renato e Seus Blue Caps". Integravam o conjunto, nessa época, Renato (guitarra), Paulo César (baixo), Roberto Simonal (sax), Toni (bateria) e Erasmo Carlos.

Roberto Carlos tentara formar um conjunto para acompanhá-lo, para o qual havia convidado Cid Herring do "Silvery Boys", que havia começado na "Banda Estudantil de Campo Grande", bairro onde morava. Como o projeto não dera certo - afinal ele já tinha "Renato e Seus Blue Caps" para acompanhá-lo - Roberto "deu um toque" em Cid para ele entrar para o conjunto. Também Paulo Cesar já o havia convidado. Cid aceitou completando, então, a formação do "Renato e Seus Blue Caps" que veio a estourar no país inteiro: Renato (guitarra), Carlinhos (guitarra), Paulo Cesar (baixo), Toni (bateria) e Cid (sax, gaita, pandeiro, etc...) fazendo, todos, o vocal.

Acompanhando Erasmo e Roberto Carlos, Renato e sua turma começaram a freqüentar a Tijuca, onde conheceram Jorge Ben ("Por Causa de Você", "Chove Chuva") e Tim Maia ("Primavera"). Roberto Carlos, que encontrara no "Renato e Seus Blue Caps" o som que estava em moda e que tanto procurava e já acostumado a ser acompanhado em suas apresentações pelo "sonzão" do conjunto, tentava levá-lo para a CBS, a sua gravadora. A CBS (na época sediada na Rua Visconde do Rio Branco) conservadora e muito fechada, resistia e... Roberto insistia. Até que conseguiu convencer o Senhor Evandro Ribeiro, Diretor Presidente da gravadora e que, segundo depoimento do próprio Renato, "viria a ser o grande responsável por todo o sucesso da 'Jovem Guarda' ". Após um teste, o primeiro trabalho do conjunto foi acompanhar o próprio Roberto Carlos na gravação de "Splish Splash".

Mas a grande virada se deu com o primeiro LP gravado na CBS (o terceiro do conjunto) chamado "Viva a Juventude". Na mesma ocasião em que estavam gravando as músicas para o LP, participavam também do programa de Carlos Imperial na TV Rio, cuja abertura era feita por "Renato e Seus Blue Caps", sempre com uma música nova. Quando Imperial lançou no programa o concurso "Rainha das Praias Cariocas", Silvinha, uma lourinha carioca que voltava de Brasília onde havia morado, se inscreveu. Ao participar do concurso conheceu Renato que tocava no programa e começaram a namorar. Afinal, embora Renato e sua turma passassem o dia no estúdio, fazendo o programa à noite e, às vezes, ainda voltando ao estúdio para gravar, não podia faltar tempo para namorar.

Um belo dia, Carlos Imperial chegou para Renato, com um compacto na mão, e lhe disse:

- Vê se tira essa música para amanhã.

Era "I should have known better" de John Lenon e Paul Mc Cartney. Mas, "tirar" a música implicava em aprender a letra em inglês, descobrir a vocalização, os arranjos e ensaiar. Como fazer isso de um dia para o outro? Renato achou mais fácil fazer uma versão. Foi quando nasceu "Menina Linda". O sucesso da versão foi tão grande no programa que resolveram incluí-la no disco que já estava quase pronto. E terminou sendo o grande sucesso que "puxou" o LP. Quando Othon Russo encontrou Renato na rua e lhe disse que "Menina Linda" estava em 2º lugar em São Paulo, Renato pensou que fosse brincadeira.

Daí para o quarto LP foi um pulo. "Isto é Renato e Seus Blue Caps", como o anterior, estourou em todo o país. Era o auge da Jovem Guarda.

Nessa época, início de 1965, o jovem Gileno voltava de sua Natal (RS) onde montara uma banda, para o Rio de Janeiro onde já morara e onde havia esboçado uma carreira cantando ao lado da amiga Silvinha, sua vizinha em Copacabana. Estava vindo tentar a vida artística no Rio e, meio perdido na cidade grande, se lembrou da amiga e procurou-a no mesmo dia em que chegou. Vendo que o amigo gostava de cantar Silvinha apresentou-o, na tarde do mesmo dia, ao seu namorado Renato Barros. Os dois conversaram muito, havendo Gileno mostrado algumas músicas suas. Algum tempo depois Renato sugeriu aos dois que formassem uma dupla. Oito meses após, depois de testes na gravadora CBS onde foram acompanhados pelo próprio "Renato e Seus Blue Caps", a dupla lançou o seu primeiro compacto. Como Gileno era uma palavra que não dava boa métrica, ele virou Leno. E como já havia a Silvinha ("Minha Primeira Desilusão") que viria a se casar com Eduardo Araújo, a Silvinha da dupla virou Lilian. O primeiro compacto da dupla "Leno e Lilian " tinha "Pobre Menina" (uma versão de "Hang on sloopy" feita pelo próprio Gileno) e "Devolva-me" (de Renato Barros e Lilian Knapp). Era o início de 1966. Mais tarde a dupla ainda gravaria "Eu não sabia que você existia", também de Renato, dentre tantos outros sucessos.

Sempre pela CBS, "Renato e Seus Blue Caps" lançavam Long Plays que faziam sempre grande sucesso. Músicas dos Beatles chegavam a ser lançadas no Brasil primeiro nas versões do "Blue Caps" para, depois de conhecidas do público, chegarem na voz dos seus criadores. Vieram então os LP "Um Embalo com Renato" (1966) e "Renato e Seus Blue Caps" (1967).

A partir de 1967 o conjunto se liberou da fase "Beatles" e seus integrantes desenvolveram estilo próprio de cantar e de compor. Roberto Carlos, em 1968, chegado ao soul-Motown (influência de Tim Maia), gravou "Não Há Dinheiro Que Pague" composta por Renato Barros. Seguiram-se, então os Lp abaixo, além de inúmeros compactos simples e duplos e participações nos LP "As 14 Mais" da CBS.

Ao longo de todo esse tempo, passaram pelo "Renato": Renato Barros, Paulo César Barros, Edson Barros (o Ed Wilson), Gelson, Roberto Simonal, Erasmo Carlos, Toni, Cid, Carlinhos, Mauro Motta, Pedrinho, Scarambone, Michael Sullivan e Marquinho.

Hoje o "Renato e Seus Blue Caps" é composto de Renato (guitarra), Cid (vocal), Gelson (bateria), Darci Velasco e Amadeu Signorelli (baixo e teclado).

(Colaboração de Fernando de Freitas Duarte, de Vila Velha-ES)

Década de 70

Raul Seixas Raul Seixas

No início da Década de 70, o movimento da Jovem Guarda perde força, mas em compensação, conjuntos e cantores oriundos da Tropicália se destacam (Caetano, Mutantes Gal, Gil, Rita Lee) e surgem grandes talentos como Raul Seixas (que "arrebenta" com o LP Grigh-Ha-Bandolo), Secos e Molhados (que durou pouco) e Tim Maia.