Viagem pela Europa
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EM BUSCA DE MACHU-PICCHU

Esta viagem-aventura foi realizada em fev/março de 2006, por cinco amigos: Jorge Cancella, Ismael dos Santos, Amauri Mondini, Paulo C. Forigo e Pedro Kirchof. O trajeto foi de mais de 11.700 km, em 29 dias através de quatro paises da América do Sul. Viaje no dia-à-dia desses motociclistas aventureiros.

capaEm Busca de Machu-Picchu Jorge Pedro Paulo Ismael Amaury

1º dia – sábado - 04 fev - Paranaguá até Francisco Beltrão-Pr. – 602 km. A largada foi às 09:20 hs., da manhã, da Sambaqui Motos; logo após um ótimo café e muita festa com os familiares e amigos dos motoqueiros parnanguáras. Ao passarmos por Curitiba apesar de ser um sábado o transito pesado na BR 116 foi uma constante até a entrada para a Lapa. Na parte da tarde fazíamos rodízio na dianteira para irmos-nos entrosando no ritmo da estrada e dessa maneira manter uma pilotagem tranqüila e segura. Lá pelas três horas da tarde, já próximos de Palmas, uma das cidades mais altas e frias do Estado, acabamos por pegar um temporal muito forte e à 1.340 metros de altitude a temperatura que ao sairmos de Paranaguá era de 34 graus caiu para 14,4. Chegamos à Francisco Beltrão às 19 horas e bastante cansados fomos logo nos instalando num hotel. Saímos apenas para encarar uma pizza e um chopinho, que ninguém é de ferro; logo depois de um alô para casa... cama!!

Na Saída, Posto Locatelli, de Paranaguá-PR Na Saída, Posto Locatelli, de Paranaguá-PR

2º dia – domingo - 05 fev - até Ituzaingo-ARG. – 538 km. Saímos do hotel às 09:15 hs. da manhã, ainda estamos “apanhando” para montar as bagagens nas motos. Percorremos um trecho de estrada muito bonito e com ótima sinalização; por volta de 10:30 hs., já estávamos na fronteira com a Argentina. O pessoal da aduana Argentina foi muito receptivo e muito curioso com as motos; num instante já tínhamos entrosado um papo legal e eles nos deram muitas dicas de estrada e nos indicaram ótimos lugares para se conhecer. Almoçamos num restaurante-cassino, muito bom, em El Dorado. A moeda Argentina, o peso, está cotado em R$ 0,71; o que beneficia muito os preços para os brasileiros, para se ter uma idéia: um litro de gasolina Super (97 octanos) custa na Argentina 1,98 pesos, que em reais seriam R$ 1,40; dá pra acreditar ??? Depois do almoço enfrentamos muito calor, 38 graus e logo em seguida um temporal com muita chuva e vento. No caminho, quando a chuva deu uma trégua, demos uma paradinha para documentar o local de nascimento de Che Guevara. Daí pra frente a viagem começou a render bastante com muitas retas e pouquíssimo transito. Chegamos em Ituzaingo por volta das 19 horas. Como não conseguimos nenhum hotel que tivesse uma garagem segura (aqui chamam de cochera) e acabamos por deixar as motos na calçada em frente ao hotel.

Na Terra de Che Guevara Na Terra de Che Guevara

3º dia – segunda-feira - 06 fev - até Quimili-ARG. – 646 km. O dia amanheceu nublado e com um calorão já começando a incomodar logo cedo, era prenúncio de mais chuva. Pouco depois das oito horas da manhã já estávamos na estrada; apertamos firme o acelerador, mas a chuva mais uma vez nos alcançou e “novo caldo”. Neste trecho a estrada não era lá essas coisas e complicou um pouco, mas felizmente era um trecho de muitas retas e pouquíssimo transito. Por volta de meio-dia chegamos à Corrientes, cidade Argentina que é separada de Resistência apenas pelo rio Paraná. Resolvemos experimentar a “parrilla argentina” e dali pra frente foi um bocejo atrás do outro. Aproveitamos e demos uma paradinha na ponte para fotos e filmagens. Dali pra frente entramos no verdadeiro “chaco” argentino, que no dialeto Quéchua, quer dizer: o lugar da caça. No final da tarde paramos para abastecer e em seguida acabamos dando uma bobeira e pegamos outro rumo. Com o atraso fomos chegar em Quimilli já à noite, o que dificultou para acharmos um bom hotel.

Rio Paraná - Entre Resistência e Corrientes-ARG Rio Paraná - Entre Resistência e Corrientes-ARG

4º dia – terça-feira - 07 fev - até San Salvador de Jujuy – 692 km. Acordamos muito cedo, muito cansados acabamos por ter de encarar uma noite mal dormida e ao deixarmos as motos na cochera, cortamos caminho pela cozinha do tal hotel, “sem chance” a situação era “mui mala” e de manhã “dispensamos o desayuno” e optamos por tomar café na estrada. Logo na primeira parada para abastecimento das motos e tomar um café o pessoal conversou com um argentino que os fez mudar o trajeto e acabamos pegando umas estradas com dificuldades de abastecimento, até que acabou a gasolina da moto do Pedro e as outras já estavam na reserva, por sorte quando Pedro parou a moto vinha um ciclista e informou um local bem próximo onde conseguiríamos combustível, ainda bem que o Ismael carregava um camburão de 10 litros que foi o que nos safou. O mais interessante deste trecho foi um “mar” de borboletas que encontramos pela estrada, elas apareciam de todos os lados e foram mais de três horas rodando e atropelando as coitadinhas! No último abastecimento acabamos conversando com dois argentinos muito ligados em motos. O primeiro falava muito bem em português, depois ficamos sabendo que ele tinha sociedade em uma empresa em Brusque-SC., e havia morado no Brasil por mais de cinco anos; o outro estava à bordo de uma Honda África Twin 600, e estava voltando de Jujuy. Chegamos em San Salvador de Jujuy por volta de 18:30 hs., fomos direto ao hotel Brisas, que eu havia me hospedado na viagem de 2005 pelo Atacama. À noite fomos à uma pizzaria que eu também conhecera na viagem de 2005.

Jantar da trupe Jantar da trupe

5º dia - quarta-feira - 08 fev - San Salvador de Jujuy – 0 km rodados. Aproveitamos esta manhã para acordar um pouco mais tarde, como estava...de chuva, deixamos as motos quietinhas na garagem do hotel e saímos a pé. Primeiro fomos visitar o Cesar Puentes, da Jujuy Motos que eu havia conhecido na viagem de 2005; “trocamos figurinhas” e ele ligou pra uma migo, Esteban, que havia viajado recentemente para Machu Picchu, em companhia da esposa, e Esteban prontamente nos recebeu para uma conversa muito interessante sobre o melhor trajeto, locais, cuidados, etc.; inclusive nos presenteou com um mapa do Peru (que mais tarde o nosso companheiro Forigo acabaria perdendo na estrada). Almoçamos num restaurante bem popular em Jujuy, comida típica e vinho chileno (muy Bueno). Depois de um passeio pela “ciudad” fomos a um mercado de artesanato muito interessante. À tarde, eu e Forigo aproveitamos para “preparar” a Cagivona para a subida da Cordilheira no dia seguinte. Sacamos o tanque de combustível, e retiramos a tampa do filtro de ar, deixando apenas o elemento filtrante “bem amarrado, é claro!); trocamos também as velas por uma de gama mais quente e as revisõezinhas diárias: lubrificar corrente, calibragem dos pneus, etc. Aproveitei a noite para colocar em dia meus e-mail. Fomos dormir cedo (tentei!!)

Artesanato em San Salvador de Jujuy-ARG Artesanato em San Salvador de Jujuy-ARG

6º dia – quinta-feira - 09 fev - até San Pedro de Atacama-CHI – 478 km. Mal clareou o dia e já estamos carregando as bagagens para as motos. Nesta noite não consegui dormir bem. O “pesadelo” da viagem de 2005, quando levei minha moto para uma oficina Argentina para colocá-la “a punto” começara aqui em Jujuy e a lembrança me deixou bastante ansioso e apreensivo. Saímos de San Salvador com frio e uma garoa chata; logo iniciamos o trecho em subida, quando alcançamos 2 mil metros de altitude e tive que reduzir para fazer duas ultrapassagens seguidas notei que quando a moto ultrapassava os 4.500 giros, o motor “enchia” e a moto ganhava torque; daí pra frente fui “pegando a mão” e logo estava tranqüilo na pilotagem “espantando” de uma vez o fantasma da viagem de 2005; apesar dos cuidados com o piso molhado e em alguns trechos com barro na pista. Quando passamos por Purmamarca à quase 3.000 metros de altitude, já bastante confiante paramos para fotos e filmagens; aproveitei para fazer alguns “chistes” com os colegas. Chegamos em Susques às 11:30 hs., da manhã, já com sol e um calorzinho gostoso. Abastecemos as motos e os galões “bidon” (como chamam os argentinos) que levávamos com gasolina de reserva para uma eventual necessidade, já que o próximo abastecimento seria só em San Pedro à 289 km dali. Apesar do meu aviso para evitarmos qualquer alimentação “nas alturas” os colegas resolveram fazer uma refeição “leve”; não deu outra, Ismael teve enjôo e acabou vomitando várias vezes durante o percurso. Aproveitei para fazer algumas filmagens em movimento (de cima da moto) no deserto de Atacama. No final da tarde acabou se formando umas nuvens escuras com muitos relâmpagos; e finalmente caiu uma tempestade com chuva de granizo (coisa rara nesta época do ano), paramos para filmar tudo, é claro!! Depois da chuva paramos para reabastecer as motos e a temperatura caiu para 4,4 graus (em movimento) que com um vento lateral simplesmente não teve luva nenhuma que resistisse ao frio e as mãos começaram a ficar dormentes, felizmente logo começamos o trecho em descida para chegar a San Pedro de Atacama (2.400 mts. de altitude) com um “calor” de 17 graus. Na aduana levamos mais de uma hora para “desembaraçar as motos”, etc. Fomos para o mesmo hotel que eu havia ficado em 2005. Depois do banho, quase 11 horas da noite saímos para jantar e comemorar a travessia do deserto e chegada em San Pedro de Atacama.

Chuva de Granizo - Desetor de Atacama - CHI Chuva de Granizo - Desetor de Atacama - CHI

7º dia – sexta-feira - 10 fev - San Pedro de Atacama – 0 km rodados (tour pela cidade, etc.). Aproveitamos a manhã deste dia para descansar até mais tarde, lá pelas nove da manhã tomamos o desayuno e fomos caminhar pela cidade e conhecer (eu já conhecia) os locais mais interessantes; à tarde apenas o Amauri e o Paulo foram fazer os tradicionais passeios de van, conheceram e curtiram muito o vale da lua, vale da morte, Sendero de sal, etc. Eu que já havia feito estes passeios na viagem de 2005, preferi ficar e colocar em dia minhas anotações e atualizar meus e-mail, etc. O almoço (três da tarde) foi à base de salmão e saladas variadas, aproveitamos para degustar um bom vinho chileno (nós merecíamos, afinal...). À noite tivemos uma noticia bastante desagradável, por causa de uma avalanche de neve nos picos mais altos, houve alguns deslizamentos de terra na estrada e o trecho que para alcançar os gêiseres de El Tatio, que iríamos visitar no dia seguinte ficou interditado.

Vale da Morte - D. Atacama - CHI Vale da Morte - D. Atacama - CHI

8º dia – sábado - 11 fev - até Tocopilla-CHI – 293 km. Neste dia levantamos cedo, enquanto meus amigos foram visitar o museu de San Pedro e comprar “recuerdos” nas “artesanias locales”, aproveitei a manhã para lavar umas roupas e dar um trato na moto. Como os hotéis de San Pedro tem muita rotatividade nos pediram para liberar os apartamentos antes das 11 horas da manhã??? Foi uma correria, mas apesar da “suadeira”, faiizzz partiii ! Como estava muito quente e já estávamos prontos (vestidos) para pegar a estrada, resolvemos abastecer as motos e partir sem almoçar. Na estrada fizemos muitas fotos e filmamos também (está no DVD contando a viagem!!). À tarde quando passávamos por Calama e paramos para abastecer as motos e lanchar, uma pick up, observando a moto do Pedro (com a bandeira do Brasil), fê-lo parar e se identificou: tratava-se de um mineiro (de Minas Gerais) que estava trabalhando em Chuquicamata-CHI., e queria conversar um pouco conosco, foi o que bastou, logo estávamos todos com o novo amigo, que liberou os portões da maior mina de cobre a céu aberto do mundo, depois de muitas fotos e filmagens, trocamos “figurinhas” e ele nos deu muitas dicas de estrada locais interessantes da região, etc. Nos despedimos e de volta para a estrada (um retão sem fim); estávamos viajando a mais de 2.500 mts., de altitude e iniciamos um longo trecho em descida, quando atingimos 840 mts., o calor ficou infernal, com a temperatura chegando a 44,3 graus. Ao pararmos um pouco para umas fotos, parou também um motoqueiro que seguia em sentido contrário, era o Edoardo, um peruano que mora há muitos anos no Brasil e estava voltando do Peru, numa Honda Sahara, contou que alguns dias atrás teve desidratação e nos deu alguns formulários próprios para a entrada na fronteira com o Peru; isto nos facilitaria muito as burocracias na aduana peruana. Chegamos em Tocopilla por volta das 19:30 horas local. Conseguimos um bom hotel, por preço razoável, e bem próximo havia alguns restaurantes simples, como os do mercado do peixe, em Paranaguá. Fomos ao restaurante da “Dona Helena”, uma senhora muito agitada que além de proprietária, era cozinheira, garçonete, caixa, etc. Nos “presenteou” com um ótimo congrio chileno grelhado, (ainda sem almoçar) “comemoramos” (com muita cervesa chilena e... moderação, é claro!).

Caminho para Tocopilla - CHI Caminho para Tocopilla - CHI

9º dia – domingo - 12 fev - até Tacna-PER – 653 km. De novo acordamos cedo, tomamos um excelente “desayuno” (café da manhã), aproveitamos para adiantar o preenchimento dos formulários que ganhamos no dia anterior do Edoardo (motoqueiro peruano) e iríamos entregar na aduana peruana. Saímos de Iquique às 08:30 horas da manhã de um domingo ensolarado e com uma temperatura muito agradável, optamos pela estrada do litoral até Arica, onde chegamos por volta de meio-dia. Abastecemos as motos e fizemos um lanche reforçado. Em Arica muita gente nos acenava quando passávamos em grupo de cinco motos, teve um que nos pediu para parar e depois de trocar figurinhas (entregávamos convite do 7º Paranaguámotos) tirou muitas fotos e nos deu várias dicas de estrada, abastecimento, locais interessantes, etc. Já passava das oito da noite quando chegamos na divisa com o Peru. Apesar de estarmos com os formulários (um deles) previamente preenchidos, ainda foram mais de uma hora para carimbos, vistorias, etc. Mas, fomos muito bem tratados pelo pessoal da aduana. Eram quase dez da noite quando chegamos no hotel, em Tacna (no horário do Peru, menos 2 horas!!!). Ainda jantamos no hotel “comemoramos” (com cervesa peruana, muita moderação!! e...cama!!)

Caminho para Tacna - PER Caminho para Tacna - PER

10º dia - segunda-feira - 13 fev - até Arequipa-PER – 496 km. Nesta segunda-feira aproveitamos a diferença de fuso horário do Peru para acordar mais tarde. Pela manhã aproveitamos para fazer uma revisão mais demorada nas motos, ligar para casa (liguei para a rádio também). Depois do almoço pegamos a estrada para Arequipa, muito bonita por sinal e bem sinalizada (uma constante no Peru), com paisagens de cartão postal e um clima excelente para viajar de moto (no verão, é claro!!). Por volta de 20 horas chegamos em Arequipa, com um trânsito complicadíssimo e todo mundo buzinando ao mesmo tempo, meio assustados, e em fila indiana seguíamos em frente, paramos num posto de gasolina (griffo, como chamam aqui). A moeda do Peru é o Solis e o combustivel vendido nos griffos é em galões e não em litros como e mais comum (tivemos que nos acostumar com isso!!). Por sorte conseguimos um ótimo hotel bem próximo ao posto de gasolina e fomos logo nos instalando (já estava escurecendo). Depois de um ótimo banho, mandamos buscar umas pizzas gigantes e “comemoramos” com Porteña (cervesa!!) e muita moderação, é claro!!

Caminho para Arequipa - PER Caminho para Arequipa - PER

11º dia - terça-feira - 14 fev - até Puno-PER – 394 km. Bem cedo tomamos o desayuno (reforçado) e da janela do hotel víamos ao longe os vulcões nevados bem próximos, numa paisagem muito bonita. Pensamos que saindo da cidade cedinho teríamos nos livrado do trânsito frenético, mas, nos enganamos redondamente e de novo em fila indiana íamos nos espremendo entre os carros, pedestres, bicicletas-táxi, motos-táxi (daquelas que aparecem nos filmes chineses) muito comuns nesta região. Só fomos relaxar daquele trânsito maluco...25 km depois, quando passamos por Yuri (o último povoado próximo de Arequipa). Dali pra frente a estrada ficou mais livre e pudemos relaxar e fotografar uns trechos mais bonitos, etc. Mas, como alegria de pobre dura pouco, quando chegamos em Juliaca, (o pesadelo II) prá ser bem sincero, preferia Arequipa; parecia um filme de terror o trânsito desordenado, onde a sinalização não funciona e a ordem do dia é ...buzinar, buzinar e por aí vai. Depois de muito pára-anda-pára e pergunta daqui e dali a saída da cidade, felizmente conseguimos sair de Juliaca e pegamos a estrada para Puno, tinha um trecho muito ruim de estrada com muitos buracos (um dentro do outro??!!), ainda bem que era um trecho pequeno. Chegamos em Puno perto das 14 horas fomos conhecer o lago Titicaca e aproveitamos para almoçar (um peixe do lago, é claro!!) muito gostoso por sinal. Como iríamos ficar em Puno mesmo, aproveitamos para “comemorar” com moderação, é claro!! Em Puno, ficamos num hotel bem razoável, por um preço bem econômico. Chegamos na cidade num dia festivo (era feriado) e ainda de tarde tinha desfile com roupas típicas e bandas regionais (o peruano dessa região é muito animado) que parecia um carnaval “andino”; filmamos tudo, é claro! (confira tudo no DVD em busca de Machu Picchu). À noite, muito fria por sinal (12 graus em pleno verão), jantamos num restaurante muito bem decorado e dessa vez a comida foi à base de carne de alpaca (animal típico da região, aqueles que retiram a pele para colocar em casacos de madame), muito apetitosa!!

Ismael e Pedro no celularzão - Puno - PER Ismael e Pedro no celularzão - Puno - PER

12º dia - quarta-feira - 15 fev - até Ollantaytambo-PER – 462 km. Saímos de Puno muito cedo; viajamos por estradas à grandes altitudes, cerca de 3.900 à 4.500 metros de altitude, mesmo com um sol muito brilhante a temperatura era baixa, como estávamos bem agasalhados e a estrada era muito bonita, cercada de montanhas com picos nevados (apesar de estarmos em pleno verão ainda). Depois de Puno tivemos de novamente passar por Juliaca (fica no caminho para Ollantaytambo) só que desta vez ouvimos o conselho de um taxista da região que nos indicou um desvio por fora da cidade e isto nos facilitou sobremaneira o trajeto. Neste dia almoçamos num “pueblo” (pequeno povoado), comida simples, mas gostosa e baratíssima (menos de 5 dólares) que serviu quatro pessoas e duas coca-colas de 2 litros cada. Chegamos em Ollantaytambo por volta de 18:45 hs., e já estava escuro. Fomos direto a estação de trem tentar conseguir passagens para aquela noite, porém, passagens noturnas só teriam para o próximo sábado; resolvemos então nos instalar no hotel, tomar um banho, e no jantar resolveríamos o assunto. Resolvemos que acordaríamos bem cedo.

Ismael (nas alturas) - PER Ismael (nas alturas) - PER

13º dia - quinta-feira - 16 fev - até Machu Picchu-PER – 0 km (de trem e ônibus). Nem eram 6 hs. da manhã e já estávamos na estação de trem, de novo; desta vez com um pouco mais de sorte conseguimos passagens para as 7 horas da manhã, porém o preço era maior (70 dólares por pessoa), só que este trem era executivo (tipo a nossa litorina) com ótimo café da manhã, janelas panorâmicas, etc. Chegamos na estação de Águas Calientes por volta de 8:30 hs., dali tomamos um ônibus (12 dólares por pessoa, ida e volta). Depois de mais de 5 mil kms., rodados e 13 dias de viagem chegamos finalmente ao momento máximo de nossa viagem moto-aventura: as ruínas de MACHU PICCHU. Bastante emocionados paramos defronte aquele grandioso monumento da humanidade, nos cumprimentamos e..... dali pra frente foram fotos e filmagens que não acabavam mais!! Percorremos tudo que tínhamos direito, até uma subida curta pelo caminho dos incas, eu, Ismael e Forigo arriscamos. Já no final da tarde bastante cansados pelas “andanças” pelo local fomos comprar alguns “regalos nas artesanias locales”; ainda liguei para a radio em Paranaguá, é claro! De volta pegamos o ônibus, depois o trem e finalmente chegamos em Ollantaytambo às 18:30 hs., deixamos as “encomendas” no hotel e partimos para um restaurante para comemorar este momento muito especial da nossa viagem-aventura com um ótimo “rango” e muita cervesa cusqueña (desta vez gelada!! o que não é muito comum por aqui). Depois com a sensação da missão cumprida, ligamos para casa e partimos de volta ao hotel, foi um banhaço e....cama!!

Finalmente, Machu-Picchu - PER Finalmente, Machu-Picchu - PER

14º dia - sexta-feira - 17 fev - até Cusco-PERU – 118 km. Neste dia levantamos por volta de 8 horas da manhã, ainda com as imagens incríveis de Machu Picchu na memória; aproveitamos para trocar o óleo das motos, apertar corrente, etc. Entrevistamos um casal de canadenses que estavam hospedados no mesmo hotel, eles viajavam de caminhonete, e já tinham rodado 18 mil km, desde a saída no Alaska, e ainda iriam percorrer mais uns 30 mil entre Ushuaia ida e volta até o Alaska. Saímos para a estrada por volta das dez da manhã, estava um dia muito bonito com clima de montanha e sol brilhante, muito propício para viajar de moto, fomos devagar curtindo a estrada com muitas curvas e paisagem de cinema. Aproveitei e fiz várias imagens em movimento (de cima da moto...e pode conferir que vai estar tudo isso no DVD que será lançado em breve). Quando chegamos à Cusco havia uma blitz na entrada da cidade, o policial percebendo que éramos turistas estrangeiros, com um sorriso e maneiras gentis nos liberou da fila e desejou boa estada no Peru, agradecemos e seguimos em frente com: cinco, “gracias amigo”!! Ainda na estrada fomos (eu) quase vítima de uma brincadeira infantil desta época (carnaval???) eles costumam jogar água uns nos outros, com pacotes palásticos, bisnagas e até de balde; jogaram no Ismael que vinha na minha frente e quem se molhou fui eu, que vinha logo atrás (fazzz partiii). Cusco é uma cidade relativamente grande e moderna (mais de um milhão de habitantes) com muita história e locais interessantes para serem visitados que valem a pena conhecer.

Plaza de Armas - Cuzco-PER Plaza de Armas - Cuzco-PER

15º dia – sábado - 18 fev - até Santa Lucia - 422 km. Saímos de Cusco bem cedo para evitar o transito, mas perdemos algum tempo procurando um “griffo” (posto de gasolina no Peru) que aceita “tarjeta” cartão de crédito, o que é muito difícil por aqui; acabamos pagando com dólares. Ainda bem que saímos bem agasalhados porque a maior parte do percurso deste dia foi por estradas lindas que beiravam os 4 mil metros de altitude e a temperatura beirava os 8 graus centígrados, que com a velocidade da moto e o vento lateral deveria chegar no zero grau, acredito, brrr!! Neste dia tínhamos planos de rodar até Tacna (mais de 1 mil km.) e no dia seguinte entrar no Chile pela manhã, infelizmente próximo à Santa Lucia, no Peru ainda, uns 30 km depois de Juliaca, num trecho com buracos, a moto do Forigo teve os dois aros entortados e o pneu traseiro “estourado” com três raios quebrados, etc. Isto nos obrigou a uma parada de emergência próximo à Santa Lucia,num “pueblo” conhecido por Tai Tai. Rapidamente retiramos o rodado traseiro e o Ismael e o Pedro levaram para “recuperar” em Juliaca, 30 km antes. Enquanto retirávamos o rodado traseiro da moto, aconteceu uma coisa inusitada, o povo do local foi se aglomerando ao lado das motos e em pouco tempo tínhamos um grande numero de pessoas, crianças, cachorros, etc., curiosos para saberem que éramos, de vínhamos, etc. Aproveitei para fazer uma filmagem e “entrevistei” algumas crianças locais que “curtiram” muito se assistirem na telinha da câmera de filmar. Quando Ismael e o Pedro retornaram com a roda da moto já estava escuro, e havia chovido granizo, inclusive, (fato muito comum nesta região devido às grandes altitudes) e a temperatura havia caído muito com o cair da tarde; felizmente fomos convidados à ir para uma casa próxima enquanto aguardávamos os dois retornarem com a roda da moto; e ficamos assistindo novela brasileira (também comum por aqui). Dali ainda rodamos mais uns 50 km até Santa Lucia, por causa do frio intenso resolvemos pernoitar em Santa Lucia; o “alojamiento” era muito ruim, apesar de muito barato também, só que o lugar era muito feio, com banheiro externo e coletivo, não havia água no chuveiro (portanto...ninguém tomou banho naquela noite! Ainda bem, estava muito frio!!!)

Pneu furado - Santa Lúcia - PER Pneu furado - Santa Lúcia - PER

16º dia – domingo - 19 fev - até Tacna-PER - 596 km. Acordamos cedo, ainda havia gelo no assento das motos. Felizmente no dia anterior o Ismael e o Pedro haviam comprado um lanche e foi o que nos matou a fome naquela manhã. Abastecemos as motos e fomos para a estrada, de novo uma paisagem de cinema, com um sol forte brilhando por trás das montanhas e lhamas, ovelhas e alpacas pastando tranqüilamente; e nós bem agasalhados rodando e curtindo aqueles momentos incríveis que só em uma viagem de moto se curte. Aproveitei para fazer filmagens em movimento e gravar aqueles momentos para sempre (em breve...você ira conferir tudo isto no DVD da viagem que esta pra ser lançado).Chegamos à Tacna por volta das 6 horas da tarde, fomos para o mesmo hotel que havíamos ficado quando da chegada ao Peru, na semana anterior; muito confortável e preço razoável.À noite jantamos no restaurante do próprio hotel (com mordomias e muita atenção do maitre peruano, Manuel) comemorando (sempre a mesma desculpa) com muita cerveja.

À beira do Titicaca À beira do Titicaca

17º dia - segunda-feira - 20 fev - Tacna-PER - 0 km rodados. Resolvemos ficar em Tacna para poder “balancear” os rodados da moto do Paulo que ficou “pulando” depois do conserto e da sessão de buracos que de Santa Lucia. Aproveitamos também para lavar um pouco de roupa e passear pela cidade que tinha algumas peculiaridades interessantes de serem visitadas; liguei para a rádio em Paranaguá mandando noticias do andamento da viagem, etc.Coloquei os e-mail em dia e enviei novas fotos para os sites, jornais e alguns poucos amigos (logo no 1º dia de viagem a folha com os endereços, telefone e e-mail dos amigos que eu havia trazido na pochete encharcou com o toró que pegamos em Palmas-Pr., e “desintegrou-se”).

Numa praça em Tacna - PER Numa praça em Tacna - PER

18º dia – terça-feira - 21 fev - até Pozo Almonte-CHI – 334 km. Saímos de Tacna meio “atrasados” e na aduana de saída do Peru, depois de uma “geral” na bagagem da moto do Paulo, o policial discretamente pediu uma “colaboracion” para nos liberar sem prescisar revistar as motos, etc., meio à contra-gosto demos a colaboracion, afinal estava muito quente e tínhamos pressa.Na aduana chilena, é outro nível, muito educadamente nos colocaram na fila dos “particulares” e rapidamente fomos atendidos e liberados.Neste dia pretendíamos rodar bem mais, infelizmente uma das motos teve problema e acabamos pernoitando em Pozo Almonte que era a cidade mais próxima de Iquique, para onde seguiríamos de manhã a fim de resolver o problema da moto e aproveitar para um “tour” por Iquique.

Abastecendo em Huara-CHI Abastecendo em Huara-CHI

19º dia - quarta-feira - 22 fev - Pozo Almonte-Iquique-Pozo Almonte-CHI, 133 km. Cedo tocamos para Iquique a fim de resolver um problema numa das motos, nos indicaram a oficina do Cornejo, um chileno muito alegre e brincalhão que manja muito de moto, e acabou trocando o aro dianteiro de uma das motos por um de cross, que depois de balanceado ficou como novo e não incomodou mais.Com uma oficina muito bem montada, Cornejo tinha algumas raridades em matéria de motos antigas, a que mais me chamou a atenção era uma BMW de 1968, bastante conservada e com pintura original ainda.Bastante estranho (para nós) era a cobertura da oficina (apenas uma lona que só protegia do sol) ele disse que lá não chovia, portanto....Iquique é uma cidade bonita com um transito agitado e na chegada por cima do morro (uma grande duna de areia) tem-se uma vista muito bonita de toda a cidade e da baía, com um mar muito azul do oceano Pacífico. À noitinha voltamos à Pozo Almonte e de novo fomos ao restaurante típico do local para degustar um peixe grelhado e “comemorar” (com cerveja, é claro!).

Saída hotel em Pozo Almonte - CHI Saída hotel em Pozo Almonte - CHI

20º dia – quinta-feira - 23 fev - até Tal Tal-CHI - 804 km. Augustin, o gerente da pousada, nos acordou muito cedo e preparou um excelente desayuno. Neste trecho existem poucos locais para abastecimento e tivemos de rodar mais de 30 km por estrada de chão muito ruim para abastecer em Santa Helena.Como pretendíamos chegar logo na Argentina (onde tudo é bem mais barato que no Chile); “arrepiamos” no ótimo asfalto das estradas do Chile e antes das quatro da tarde já entrávamos em Antofagasta. Paramos num posto de combustível, sacamos dinheiro, abastecemos as motos,fizemos um lanche reforçado, conferimos o mapa e...”pau na máquina”, queríamos chegar na “mão do deserto” ainda de dia; e lá chegamos por volta das seis e pico-pico da tarde, filmamos e fotografamos tudo, é claro!!! Já passavam das dez da noite quando chegamos em Tal Tal; conseguimos uma pousada bem antiga, mas bem barata e confortável; e de novo jantamos peixe grelhado e “comemoramos”???!!!

A Mão do Deserto - Antofagasta - CHI A Mão do Deserto - Antofagasta - CHI

21º dia - sexta-feira - 24 fev - até Los Livos-CHI - 908 km. Pela manhã, sem o desayuno, (havíamos combinado de apenas tomar um lanche na estrada, quando fossemos fazer o primeiro reabastecimento das motos) lubrificamos as correntes das motos e de novo...”pau na máquina”. Tal Tal fica uns 25 km fora da Ruta 5 (Panamericana) e a estrada de ligação é nova, bem sinalizada e... cheia de curvas!!! Por volta de nove e meia da manhã já estávamos com mais de 200 km percorridos e paramos para reabastecer as motos em Chañarral (mesmo local onde na viagem de 2005 minha moto havia quebrado e tive de pegar carona com um caminhão chileno); mil pensamentos vieram à minha mente naquele momento, felizmente o pesadelo de 2005 era apenas lembrança, dessa vez minha moto estava legal; aproveitei para ligar para os dois motoristas chilenos que me “safaram” em 2005, e avisei que estava deixando um “regalo” (presente) para ambos (tratava-se do DVD da viagem de 2005) junto à lanchonete do posto; Javier (um dos motoristas) muito emocionado com a lembrança agradeceu muito e desejou-nos feliz viagem. Neste mesmo posto cruzamos com um casal de canadenses de meia-idade que à bordo de uma BMW já haviam cruzado toda a América do Sul até Ushuaia e estavam de volta para o ....Canadá!! Pegamos a estrada de novo, nesta região de praias, é como no Brasil também, o trânsito nesta época de férias é bem intenso e tivemos de tocar “pianinho” para não sermos multado, (no Chile, a fiscalização de trânsito é muito rigorosa, e as multas de estrangeiros são pagas no ato da infração e em moeda local, ou...vai preso!!!). No final da tarde chegávamos em La Serena, balneário famoso da região, como dali em diante a estrada era de pista dupla, abastecemos, lanchamos, conferimos o roteiro e ...resolvemos tocar mais uns 200 km. Com o cair da noite, baixou muito a temperatura e foi muito difícil encarar os últimos 60 km que faltavam até Los Livos (fazz partiii)!!! Chegamos em Los Livos às nove da noite; nos instalamos, banho, restaurante: peixe e....”comemoramos”, claro!!! (afinal 908 km rodados num dia não é pra qualquer umda..).

Ismael (conversando) com um casal alemão - Tal-Tal - CHI Ismael (conversando) com um casal alemão - Tal-Tal - CHI

22º dia – 25 fev - sábado - até Uspallata-ARG - 347. Este foi o último dia no Chile, bastante quebradinhos pelo trecho percorrido nos dias anteriores, tomamos um excelente desayuno com ovos mexidos e tudo... Como já havíamos abastecido as motos na chegada na noite anterior, apenas lubrificamos as correntes e.... de novo “pau na máquina”. O plano daquele dia era cruzar a fronteira com a Argentina e curtir: “Los Caracoles” (uma série de curvas fechadíssimas muito bonita e...perigosíssimas, onde em menos de 5 km sobe-se mais de 1.500 metros). Conforme o combinado, por volta das duas da tarde chegamos aos Caracoles, filmamos e fotografamos tudo (confira no DVD da viagem). Inclusive pegamos uma estrada de chão que vai ao cume do monte Aconcágua (quase 7 mil metros de altitude), um dos mais altos da América do Sul (ou América Latina...eu acho??!!!). Quando nos aproximávamos do 1º acampamento cruzamos com uma expedição que voltava de uma “escalada” até o cume e os caras estavam “tão quebradinhos” que mal nos responderam os cumprimentos de “buenas tardes!!!). De volta à estrada quase presenciamos um acidente gravíssimo com um “coche” (carro argentino) que saiu da estrada e se espatifou a uns dez metros abaixo, ficando uma mulher presa às ferragens (de ponta-cabeça) e sangrando muito com um corte profundo na cabeça; rapidamente um colega nosso “arrepiou” no asfalto e foi buscar socorro junto aos “carabineiros” mais próximos. Depois disso visitamos um local muito interessante que é a “ponte inca”, onde a água do degêlo das montanhas próximas são tão ricas em enxofre que os objetos (tênis, vasos, garrafas, etc.) mais variados que se possa imaginar, são deixados imersos por uns 20 dias ou mais e saem d’água totalmente cobertos por uma camada tipo argila que os faz parecer feitos de barro (confira no DVD da viagem) e são vendidos como souvenir em barracas de “artesanias locales”. Ainda visitamos o cemitério dos andinistas (alpinistas que morreram na escalada do Aconcágua), que fica próximo da estrada. Chegamos em Uspallata antes das seis da tarde, nos instalamos “mui bien”, num hotel com piscina, cochera, restaurante, internet, desayuno muito bom e tudo mais. Depois de um banho, telefonemas para casa, restaurante (dessa vez foi sem peixe) com muita carne Argentina e “comemoramos” (com moderação) de novo??!!!

A trupe aos pés do Aconcágua - ARG A trupe aos pés do Aconcágua - ARG

23º dia - 26 fev - domingo - até San Luis-ARG - 322 km. Depois de um excelente desayuno, saímos de Uspallata às dez da manhã??? De novo o dia amanheceu maravilhoso e a estrada bastante sinuosa fazia com que a viagem se tornasse muito agradável (apesar do perigo!!). Na hora do almoço (quase duas da tarde??) entramos em Mendoza, uma cidade muito bonita e arborizada (me fez lembrar de Maringá-Pr.); procuramos um restaurante e exageramos um pouco na carne argentina. Eis que de repente aparecem duas senhoras (grisalhas??) e em bom espanhol nos perguntam pelas motos, etc., dali iniciamos um papo e as duas “coroas” eram inglesas (até que rimou??!!) que estavam viajando pelas Américas em duas Hondas Falcon 400 e já estavam vindo de Ushuaia e seguiam para a Venezuela, etc., disseram que tinham mais uns cinco meses de viagem ainda ???!!! Trocamos “figurinhas” e seguimos até San Luis (com muito sono!!). Com alguma dificuldade (hotéis lotados) conseguimos um hotel muito bom e baratíssimo. Mais uma vez, banho, restaurante e “comemoração”... (com moderação, é claro!!).

Com duas inglesas - Mendozza - ARG Com duas inglesas - Mendozza - ARG

24º dia – 27 fev - segunda-feira - até Córdoba-ARG - 326 km. Chegamos em San Luis na tarde anterior com muito calor, por volta de 33 graus, em seguida o tempo começou a “virar” com muito vento e a temperatura começou a cair rapidamente; nesta manhã acordamos com um dia nublado e um friozinho gostoso de 17 graus (em pleno verão de fevereiro). O café da manhã, desta vez foi excelente, parecia que estávamos em um hotel brasileiro (muita fartura e variedade de frutas, etc.). Logo depois de rodarmos poucos quilômetros enfrentamos um temporal e assim foi até a hora do almoço, quando paramos para abastecer e fazer um lanche reforçado. A estrada até Córdoba é muito boa e bem sinalizada, minha moto estava com um barulho estranho na dianteira e pensávamos que era na caixa de direção, tentei por duas vezes apertar, mas sem sucesso. Chegamos em Cordoba com um transito bem agitado, logo percebemos que a cidade era bem grande, com avenidas bem arborizadas e transito intenso. Com alguma dificuldade para encontrar um hotel pedimos informação para um taxista, oferecemos até pagar a “corrida” até algum hotel que ele nos guiasse, mas com um largo sorriso, estacionou o táxi e com muita gentileza disse que nos informaria e que não seria justo cobrar por um trabalho daqueles, realmente, com a informação detalhada do taxista argentino chegamos facilmente à rua dos hotéis, e “fichamos” muito bem, num hotel tradicional da cidade, com garagem, restaurante, etc. À noite comemos uma típica da região “mui buena” e tomamos muito vinho argentino, (com moderação, é claro!!).

Consultando o trajeto - Próximo a Córdoba - ARG Consultando o trajeto - Próximo a Córdoba - ARG

25º dia – 28 fev - terça-feira - Córdoba-ARG - 0 km (tour pela cidade e até Carlos Paez, “Balneário Camboriú” da Argentina). Neste dia acordamos cedo, a idéia era procurar uma oficina de motos para resolver o probleminha da caixa de direção da Cagivona. Na primeira oficina que chegamos o mecânico nos disse que não estava acostumado a mexer em motos daquele tipo, pediu desculpas, e foi muito gentil, ligando inclusive para outra oficina, onde faziam restauração de motos antigas, etc. Em 15 minutos chega o Pablo, numa Van Mercedes, luxuosa; muito prestativo, pergunta sobre o problema da moto e finalmente confessa: “não entendo nada de mecânica de motos”, aí não entendi mais nada, até que ele nos diz: sou apenas o dono da oficina, mas se quiserem podemos ir até lá e meu mecânico, Sergio, pode dar uma olhada na moto, sem compromisso. Chegamos na oficina o Sergio, muito prestativo, pediu para dar uma volta no quarteirão a fim de sentir ele mesmo o problema, em cinco minutos retornou dizendo que “toc toc” não era na caixa de direção e sim em uma das bengalas dianteiras. Resolvemos adiar nossa partida para o dia seguinte, deixamos a moto na oficina e saímos a convite do Pablo para conhecer a cidade e também a “Balneário Camboriú” da Argentina, que é vizinha de Córdoba, chama-se Carlos Paez, realmente, com um grande lago muito bem arborizada e moderna, a cidade é um encanto, e dentro das devidas proporções faz lembra bastante de Baln. Camboriú, em Santa Catarina. Pablo tem uma grande coleção de motos (só Ducatti tem duas, Honda CBX 1000 são três) várias antigas e carros antigos e em poucas horas parecíamos que éramos amigos de muito tempo. Almoçamos muito bem em Córdoba e pagamos barato também. À tardezinha fomos à uma loja de Motos do Marcelo, um amigo do Pablo, compramos óleo motul 4 t sintético por 23 pesos, (isto mesmo!) três vezes mais barato que no Brasil. À noite peguei minha moto na oficina (era a suspensão mesmo que estava causando a batida seca), mas o Sergio deu um “trato” e a moto ficou muito boa.

Jorge de Ducati 996 - Córdoba - ARG Jorge de Ducati 996 - Córdoba - ARG

26º dia – 01 mar - quarta-feira - até Bovril-ARG - 464 km. Para “variar” o dia amanheceu chuvoso e tivemos que adiar a saída porque a chuva muito forte alagou várias ruas da cidade (segundo o pessoal do hotel em que estávamos hospedados) faziam quase três meses que não chovia na região. Só pudemos pegar a estrada por volta de onze horas da manhã. Queríamos andar o mais rápido possível para tentar (de novo) escapar da chuva, que nos seguia (nuvens escuras) mas também desta vez não deu, e logo após o meio-dia já tomávamos o primeiro (de uma série) de “molhos”. A estrada cortava inúmeras pequenas cidades e com tempo chuvoso a atenção tinha que ser redobrada. Procurávamos seguir em fila indiana e manter certa distância para o caso de uma freada brusca ou manobra de emergência, com piso molhado. Quando paramos para abastecer as motos e fazer um lanche reforçado (almoço), conversando com alguns motoristas argentinos soubemos que na segunda quinzena de fevereiro passado (passamos por lá alguns dias antes) havia nevado três dias seguidos no deserto de Atacama (4.500 mts. de altitude) e alguns caminhões da empresa que eles trabalhavam ficaram presos na neve (sessenta centímetros) e os motoristas foram resgatados pelo exército argentino. Por indicação de um senhor argentino muito simpático, resolvemos nos hospedar esta noite em Bovril-ARG., e realmente o hotel indicado era muito bom e barato também, com restaurante “à bordo” e uma parrilla muy buena, aproveitamos para tomar várias Quilmes (cervesa), já que esta seria a última cidade em que pernoitaríamos na Argentina.

Saindo, com chuva, de Bovril - ARG Saindo, com chuva, de Bovril - ARG

27º dia – 02 mar - quinta-feira - até São Borja-RS - 513 km. Acordamos muito cedo, acabamos deixando o café da manhã para mais tarde pois queríamos (de novo) escapar da chuva (mais uma vez não deu!). O primeiro abastecimento foi depois dos 200 km rodados; a estrada estava com alguns trechos em reparos e alguns desvios nos confundiram algumas vezes o roteiro e precisamos perguntar para não perder o rumo. Queríamos chegar em Santos Ângelo ou nas Missões para assistir o famoso espetáculo noturno das Missões encenado nas ruínas jesuítas, infelizmente a chuva atrasou bastante nossa viagem e a burocracia da aduana Argentina também colaborou para que acabássemos ficando em São Borja e não em Santo Ângelo como era o plano inicial. Antes de Chegarmos à fronteira com o Brasil por volta das três da tarde, fizemos o último abastecimento na Argentina (aproveitamos o preço da gasolina de lá: + ou – R$ 1,40); e depois de mais de três semanas fora do País, foi emocionante cruzar a ponte que separa a Argentina do Brasil. Paramos para as tradicionais fotos, etc. Fomos chegar em São Borja por volta das sete da noite. Procuramos uma agência do Banco do Brasil, sacamos alguns reais e logo nos instalamos num ótimo e também barato hotel, desta vez brasileiro. Depois de um bom banho, fomos a um restaurante e “detonamos” uma ótima picanha. Comemoramos desta vez, com Skol (e...moderação, é claro!).

Fronteira - Uruguaiana-RS Fronteira - Uruguaiana-RS

28º dia – 03 mar - sexta-feira - até Vacaria-RS - 543 km. Demoramos um pouco para sair e... de novo chuva!! E assim foi até as 3 da tarde, totalmente debaixo d’água, felizmente não estava frio! Tínhamos que parar a cada 80 km para lubrificar as correntes de transmissão da motos. Tínhamos planejado passar pela serra do rio do rastro, mas preocupados com o tempo chuvoso, optamos por encurtar o trajeto e resolvemos ficar em Vacaria-RS. À noite fomos à uma pizzaria muito boa no centro da cidade.

Saindo de São Borja-RS Saindo de São Borja-RS

29º dia – 04 mar - sábado - até Baln. Camboriú e finalmente Paranaguá - 629 km. Acordamos cedo neste dia, todos estavam com muitas saudades de casa e nem foi preciso acordar ninguém desta vez. Fizemos algumas fotos próximo ao hotel e pegamos a estrada, já estávamos tão acostumados com a chuva que optamos por continuar com o traje “estradeiro”, mas aos poucos o sol foi saindo e lá pelas dez da manhã tivemos que fazer uma paradinha estratégica para trocar de “uniforme”. Paramos para almoçar em Indaial-SC., e de lá o Mondini ligou para um colega nosso de trabalho, agora aposentado, “Rubanga” e na conversa comentou que: “iria passar em Balneário Camboriú-SC., para conversar com ele, mas não demoraria muito porque estava muito cansado da viagem que fizera pra...Machu Picchu, no Peru”, Rubanga do outro lado da linha perguntou: “pra onde?? Machu Picchu??” deu uma gargalhada e disse: “tu?? Capaazz!!”. Chegando em Balneário Camboriú ficamos aguardando uns minutos escondidos, enquanto Mondini foi encontrar Rubanga, estavam conversando quando chegamos de surpresa, Rubanga quando me viu comentou: “Cancelinha!! agora eu acredito que o Mondini tá chegando de Machu Picchu mesmo; e caiu na gargalhada”. Matamos a saudade do ex-companheiro de trabalho e pegamos a estrada de novo, quando escureceu estávamos próximo de Joinville-SC., pra variar caiu mais um “toró”; que com o trânsito pesado do sábado à noite a melhor opção foi uma parada estratégica num posto de gasolina até que passasse a chuvarada forte, felizmente como havíamos previsto, foram poucos minutos. Chegando no Ferry Boat (travessia de Guaratuba para Caiobá), ligamos para o pessoal que nos aguardava em Paranaguá. Como havíamos combinado, meu filho, Marcelo aguardava de moto com a jornalista e amiga Dolly do site “sempalavras.com.br” que nos acompanhou fotografando desde a entrada da cidade até a chegada no posto Locatelli Cidade, onde nos esperavam um grupo de amigos e familiares, que nos saudaram com uma grande salva de palmas. Dali fomos para o “Riso Lanches” e comemoramos muito (desta vez sem moderação,... é claro!!).

Recepção da chegada - Paranaguá-PR Recepção da chegada - Paranaguá-PR

Foram 11.700 km rodados por 4 paises, em 29 dias. Esta aventura virou um DVD vídeo, com quase duas horas de duração; que fez muito sucesso (e continua fazendo...) foi enviado para vários internautas (de vários locais do Brasil, além de Itália, Uruguai, Argentina, Chile, Peru, Japão, EUA, Inglaterra, Portugal e até pra Nova Zelândia) onde se poderá curtir o dia à dia desta viagem maravilhosa e aproveitar para conhecer melhor e quem sabe (como vários outros viajantes) se aventurar...em busca de Machu Picchu.

Para ver uma Uma amostra desse vídeo, acesse o link:http://br.youtube.com/watch?v=PhJge2m_1vY

Contatos com os viajantes pelo e-mail:
motocan@ig.com.br