Viagem pela Europa
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DE SÃO PAULO À BAHIA

Viaje com o motociclista Francisco por 5.000 km, compreendendo o trajeto S. Paulo, Rio, Espírito Santo e Bahia, ida e volta

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Após algum tempo de preparo, pesquisando na internet e em revistas sobre viagens realizadas por outros motociclistas ao nordeste, finalmente havia chegado a hora. Penso que esta viagem pode ser classificada como uma viagem de mototurismo, pois o risco inerente a ela era muito pequeno, diferente de viagens ao exterior e roteiros mais arriscados, com trechos de estradas de terra e lugares sem nenhuma infra-estrutura para socorro em eventuais problemas com a motocicleta e com os viajantes. Após, passarmos 15 dias na praia com nossos filhos Gabriel e Murilo, eu e minha esposa Márcia estávamos prontos para a partida. Minha expectativa recaía sobre como se comportaria minha esposa, já que era a primeira vez que iria fazer uma viagem de maior distância na garupa de uma motocicleta, apesar de seu espírito aventureiro.

Saímos de São Paulo no dia 20.01.07 pela Rodovia Presidente Dutra (BR 116) em direção ao estado do Rio de Janeiro, nossa intenção era chegar a Barra Mansa e dali descermos para Angra dos Reis pela antiga estrada que liga as duas cidades, foi isso que fizemos. A Rodovia Presidente Dutra é uma boa estrada para se rodar até Barra Mansa, porém, sem grandes atrativos, somente sítios e fazendas beirando a estrada. A estrada de Barra Mansa até Angra é muito bonita e nos trouxe recordações de uma vez em que viajávamos de carona e por lá passamos com destino a praia de Trindade no litoral Fluminense. Há vários trechos de curvas acentuadas, paralelepípedos e túneis feitos nas rochas, sem proteção de concreto.

francisco3 Estrada Barra mansa-Angra dos Reis

A chegada em Angra é de encher os olhos, ilhas, barcos e um mar inspirador, mas o chato é que só pudemos parar para tirar umas fotos, já que tínhamos saído um pouco tarde de São Paulo e nossa intenção era rodar cerca de 700 km e chegar até Rio das Ostras no litoral norte Fluminense. De Angra até a cidade do Rio de Janeiro passamos por várias praias muito bonitas, a passagem pelo Rio foi meio tensa, já que é impossível ficar alheio aos comentários sobre os acontecimentos violentos muito comuns nas vias que dão acesso à cidade.

Apesar da tensão, tudo transcorreu bem e por volta das 16h00 já tínhamos atravessado a ponte Rio-Niterói e seguíamos rumo ao litoral norte. Chegamos a Rio das Ostras no início da noite e logo fomos em busca de um lugar para pernoitar. A situação começou a ficar complicada, pois havia um evento na cidade e quase todas as pousadas e hotéis estavam lotados, com muito custo encontramos uma pousada onde pudemos ter o merecido descanso depois de 700 km rodados, só não me atrevo a indicá-la para ninguém, mas com o cansaço do dia não tivemos problemas para dormir. Ainda, antes de descansar, tive que dar um jeito (gambitech) para fixar o miolo do contato da Freewind, pois com a vibração os parafusos que o prendem se soltaram.

Levantamos cedo e saímos de Rio das Ostras por volta de 7h00, o sol logo começou a castigar, não sou muito fã de calor, sou mais simpático ao frio, minha esposa parecia estar passeando na praia, numa boa, sem nenhum stress. Paramos para tomar café em uma simpática padaria em Macaé e seguimos em direção à São Mateus no Espírito Santo. A ponte principal de Campos de Goytacazes tinha sido destruída pela enchente do Rio Paraíba do Sul, aí tivemos que fazer uma peregrinação por dentro da cidade para atravessarmos por uma ponte auxiliar, pequena e com trânsito intenso; enquanto isso o calor me maltratava, mesmo assim eu seguia firme. Após o município de Iconha, na BR 101, optamos por rodar pela Rodovia do Sol, que apresenta um visual mais interessante, são várias praias, algumas muito bonitas, outras nem tanto. Almoçamos num restaurante próximo à Guarapari com uma bela vista para o mar. E como estava dona Márcia? Ah! Ela estava numa boa, curtindo muito a viagem e o sol do litoral capixaba.

francisco4 Márcia curtindo o Litoral Capixaba

Seguimos em frente e rodamos até São Mateus, completando cerca de 600 km no segundo dia. Na cidade logo conseguimos um hotel agradável bem próximo ao centro e em frente a uma igreja que é o ponto turístico na cidade, trata-se de uma antiga construção inacabada de pedra e que à noite tem um lindo visual em função da iluminação especial sobre ela. O que me deixou meio desconfiado foi o fato do hotel não ter garagem, o pessoal da recepção disse que não tinha problema deixar a moto pernoitar em frente ao hotel, mas sabe como é, sou paulistano, traumatizado pelos roubos constantes na capital paulista.

francisco5 Igreja de pedra: ponto turístico em São Mateus-ES

Saímos de São Mateus por volta da 8h00 e seguimos com destino a Ilhéus na Bahia. Ao norte do Espírito Santo e Sul da Bahia a BR 101 tem trechos ruins, mas nada que pudesse complicar a viagem. Chegamos em Itabuna por volta das 16h00, dali seguimos pela BA 001 até Ilhéus, essa estrada é bem pavimenta e possui trechos com belas paisagens, vale a pena não ter pressa para chegar ao destino. Ficamos meio perdidos ao chegarmos a Ilhéus, paramos em um posto de gasolina e pedimos algumas informações, o povo baiano, como em todas as ocasiões, sempre muito gentil e caloroso. Passamos pelo centro e seguimos pela ponte para o lado sul, ao atravessarmos a ponte paramos na primeira praia que vimos para tirar umas fotos e descansar um pouco, em seguida seguimos em frente e pegamos a estrada em direção ao sul (Olivença), no caminho há muitas pousadas, aproveitamos para acertar nossa estadia numa delas, que ficava próxima de uma bela praia. Aqui ficamos o dia seguinte, conhecendo os locais históricos e as belas praias da região, foi um dia de muito prazer.

francisco6 Bela paisagem pela BA001 em direção a Ilhéus

Após o merecido descanso na bela cidade de Ilhéus, voltamos para a estrada com destino à Ilha de Boipeba, para se chegar à ilha o destino é Torrinhas, um vilarejo no litoral baiano, local de partida dos barcos para a ilha. Pouco mais de 200 km e estávamos em Torrinhas, após arrumarmos um estacionamento para guardar o moto, alugamos um pequeno barco para irmos para a ilha. As opções para se chegar à ilha são duas, a primeira é alugar um barco pequeno (20 minutos de viagem) ou esperar por um dos barcos/lotação que levam cerca de 1 hora. O caminho feito pelo barco até a ilha já é um primeiro espetáculo, são mangues e mais mangues, ainda preservados da exploração predatória humana.

francisco7 Belos mangues no caminho para Boipeba

A sugestão de irmos para a Ilha de Boipeba foi de uma amiga de minha esposa, que havia estado lá há algum tempo atrás. A ilha tem as características que sempre procuramos nos lugares que vamos ficar por mais tempo, o local ainda não é tomado pela “multidão”, como é o caso de Morro de São Paulo, na Ilha de Tinharé, que fica acima de Boipeba. A conversa com os nativos é especial, tais como as que tínhamos com o seu Zé do restaurante próximo ao cais, um nativo que já saiu de lá, mas não agüentou viver em Salvador e acabou voltando. Tivemos a oportunidade de conhecer a história da ilha desde que habitavam por lá somente 200 pessoas, hoje são mais de 3.000.

Fizemos vários passeios a pé durante os 4 dias de estadia, explorando as mais belas praias e locais no interior da ilha. No vilarejo, há “figuras” diferentes, tal qual o Tavinho Cabelo, que resgata restos de ossos no fundo do mar e os coloca à venda para os turistas, o camarada é algo à parte, um arqueólogo do mar e uma pessoa simpaticíssima, que valoriza mais os turistas brasileiros do que os estrangeiros, normalmente o que ocorre é o contrário em muitos locais turísticos. Na hora de ir embora deu uma dorzinha no coração, nossa vontade era permanecer mais alguns dias por lá. Se quiserem mais detalhes sobre a ilha, vejam o link http://www.ilhaboipeba.org.br/boipeba.html

francisco8 Bela praia em Boipeba

De Boipeba seguimos para Salvador pelo litoral. No caminho tiramos algumas fotos na histórica Cairu, chegando a Bom Despacho próximo do horário do almoço. Enquanto aguardávamos o Ferry Boat para a travessia da Baía de Todos os Santos, conhecemos o Rogério, um motociclista de Salvador que acabou nos indicando o hotel no qual trabalha para pernoitarmos, a gentileza do Rogério foi tamanha que nos levou até o hotel. Tomamos um banho, compramos um mapa de Salvador e saímos para conhecer os locais históricos. Como de praxe, fomos ao Pelourinho, ao Elevador Lacerda, ao Farol da Barra, além de outros locais. Nossa intenção era ficar o dia seguinte também, só que a Márcia achou que Salvador tem o clima de cidade grande e não era isso que procurávamos, decidimos então seguir viagem logo pela manhã, antes, porém, passamos em uma concessionária Suzuki para trocar o óleo da Freewind.

francisco9 Igreja da Sé - Pelourinho 1

Seguimos pela BR 324 até Feira de Santana e dali pegamos a BR 101 para o sul, depois de 700 km, chegamos a Porto Seguro no início da noite. Logo arrumamos uma pousada para ficarmos 2 dias por ali. A cidade de Porto Seguro tem o velho estilo de turismo de pacotes, é gente de todo lugar, principalmente de São Paulo. Rodamos 140 km no primeiro dia por lá, fomos para o sul em direção à praia do espelho, que é um local de rara beleza, no caminho passamos por Trancoso, a famosa cidade onde aportaram os hippies nos anos 60 e 70. No segundo dia, rodamos cerca de 100 km para a direção norte, passando por Santa Cruz de Cabrália, chegando à praia de Guaiú.

Pegamos a estrada novamente depois de 2 dias curtindo a região de Porto Seguro. A rota foi a BR 101, seguindo até Caraguatatuba, passando pelos estados do Espírito Santo e Rio de Janeiro, para chegarmos em casa pela br 116, depois de 15 dias e cerca de 5.000 km rodados.

francisco10 Praia do Espelho – região de Porto Seguro

Para ver mais fotos da viagem é só acessar o link:http:http://picasaweb.google.com.br/motoviagem

Contatos com o viajante pelo e-mail:
f.oliveira@uol.com.br