Viagem pela Europa
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VENCEMOS OS ANDES NO INVERNO

Para aqueles que acham que não é possível chegar ao Chile de moto no meio de Julho, em pleno inverno, leiam a aventura desses brasileiros que percorreram 7.300 km em 9 dias, de São Paulo a Los Andes, ida e volta.

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Foi uma aventura singular; do ponto de vista de motoaventura, essa viagem foi demais. Eles não chegaram a emplacar nenhum IronButt, mas não faltaria muito para conseguir o certificado.

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O paulista Julio Cesar Paulino, empresário de Santo André no Grande ABC, foi até São Leopoldo, na grande Porto Alegre, encontrar seu amigo Gerson Fioravante Notário, também empresário, ambos apaixonados por motos e motoaventura, para dali seguirem viagem para o Chile, com suas motocicletas.

 

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Foram seis meses de planejamento, desde de seu último encontro em Florianópolis, em Dezembro passado, mas a viagem saiu do papel e tudo correu como planejaram. Fizeram a revisão das suas motos, incluindo pneus novos e pastilhas de freio zeradas, marcaram os pontos no GPS e cuidaram cuidadosamente da documentação pois para circular pela Argentina de moto é preciso que a documentação do veículo esteja no nome do condutor ou que o mesmo tenha uma autorização firmada em cartório para conduzi-lo; e isso se aplica a quem tem veículo alienado, é necessário possuir autorização da financiadora para cruzar a fronteira. Não esqueça também do seguro carta-verde que é um seguro internacional válido no Mercosul.

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Os 1.200km de Santo André a São Leopoldo foram vencidos em pouco mais de 14 horas, e dali a viagem continuou no dia seguinte até Uruguaiana-RS, mais 660km, nesse trecho vale uma dica para os mototuristas: abasteçam em Alegrete, pois o próximo posto é só em Uruguaiana. Como eles não queriam adentrar o território argentino à noite sem saber onde iriam parar, dormiram do lado brasileiro da fronteira para seguir viagem no dia seguinte.

Em Uruguaiana pode-se hospedar muito bem perto da praça central no Hotel Gloria para quem tem restrição de orçamento, o Hotel Elyt tem quartos honestos por apenas R$60 por noite.

Cruzar a fronteira é muito fácil,basta passar pela aduana Argentina para carimbar o passaporte, pode ir só com o documento de identidade brasileiro que eles fazem uma fichinha, mas com passaporte tudo fica mais fácil e você ainda volta com o registro oficial da viagem; apresente também o documento da moto pois eles registram a entrada do veículo no país. Depois passe pela Polícia Federal brasileira pois farão ‘a baixa’ no cidadão que está saindo. Se quiser, aproveite para fazer o câmbio de reais para pesos ali mesmo; a loja de câmbio abre às 7h30 da manhã. Pela tranqüilidade da fronteira no início do dia, é difícil de acreditar que o Brasil envia, por essa mesma ponte sobre  Rio Uruguay, quinhentos caminhões de mercadorias para a Argentina e importa outros duzentos a cada dia; aqui fica o maior porto seco da América Latina.

Por incrível que pareça, o trecho em que sentiram mais frio durante toda a viagem foi o primeiro trecho em solo argentino, talvez porque o sol ainda não havia dado o ar da graça, talvez porque ainda não estivessem preparados, pois os forros internos das jaquetas e das calças ainda estavam nas malas; mas definitivamente foi quando tremeram mais com o vento gelado.

No Brasil, não faltaram alertas sobre o que esperar do comportamento e do tratamento dispensado à brasileiros pela Policia Camiñera e principalmente, pela famosa e temida, Gendarmeria Argentina, seus policiais militares. Mas eles tiveram uma agradável surpresa, pois a Policia Caminera foi muito gentil e não causou problema algum. Bastou tratá-los com respeito, serem solícitos ao atenderem às requisições, e ter paciência pois eles param muito os motociclistas, e é obrigatório parar mesmo em frente às guaritas, mesmo que seja  no meio da estrada. Foi tudo tão bem que eles até tiraram fotos com os guardas

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Passaram pelo túnel sob o Rio Paraná, na cidade de Paraná, e pararam pro almoço em Santa Fé de onde seguiram viagem para Córdoba. Para quem esticou até Santa Fé no dia anterior, a dica de hospedagem é a Rua 25 de Mayo que é a rua dos hotéis, o Hotel España cobra $70 pesos pelo quarto, enquanto que o Castelar é mais em conta, cobrando $57 pesos por quarto.

Já em Córdoba, após uns 700km de planícies infindáveis, com pastos e umas poucas lavouras e um asfalto impecável que permite que se mantenha 140km por hora como velocidade de cruzeiro, as dicas de hospedagem são o Hotel Sussex de $85 por quarto, o La Colina Del Sol de $80 ou o Vitória que é bem em conta, cobrando apenas $40 por quarto.

Uma dica melhor ainda, é fazer o que nossos amigos fizeram e esticar mais meia hora de estrada até Carlos Paz, onde dormiram no Hotel Capvio, muito bem decorado com motivos automobilísticos, e com a ótima tarifa de $69 por quarto, com café da manhã; se bem que quando falam em café da manhã na Argentina, não existe relação com o café servido no Brasil, porque lá é só pão com manteiga ou geléia e café com leite; com um pouco de sorte, haverá suco de laranja.

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O próximo trecho, de Carlos Paz a Mendoza, é marcado por paisagens incríveis, o mototurista tem que viajar durante o dia pois é uma região com bastante contrastes onde eles atravessaram uma serra de 2.200 metros de altura, passando por diversas vilas como Mina Clavero e Nono, e aqui cabe outra dica, abasteça em Villa Dolores antes de pegar o deserto no caminho para Encon, e é um deserto mesmo, tudo que encontra são vendavais de areia que obrigam o mototurista a andar inclinado para equilibrar a moto, algumas aves pernaltas e umas poucas de rapina e, acreditem, eles rodaram quase trezentos quilômetros e cruzaram menos de uma dúzia de carros. O posto do Automóvil Clube Argentino é um oásis no meio do deserto, principalmente para quem chegou com a luz da reserva de combustível acesa, afinal foram 320km de Nono a Encon. Uma opção para quem tem menos autonomia, é descer de Vila Dolores a San Luis e seguir para Mendoza, por esse caminho evita-se o deserto (e parte da aventura, obviamente).

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Em San Luis, uma boa dica de hospedagem, é o Hotel Aiello, que cobra $69 por quarto e oferece, além do café da manhã, um computador com acesso à Internet para quem acha que já ficou desplugado muito tempo. A dica de alimentação é o Restaurante La Plazoleta, quase em frente ao hotel, que tem uma seleção muito boa de vinhos argentinos, destaque para os vinhos da família Zuccardi, e que serve uma carne de primeira.

Em Mendoza, a principal “calle” para o turista é a Av. San Martin, cheia de lojas, bancos e restaurantes; os hotéis estão próximos também. Na Calle Las Heras, existe o Patio de Comidas onde o buffet para o jantar, sai por $14 por pessoa, incluindo a sobremesa. Nessa mesma rua, pode-se hospedar no Hotel Marconi que cobra $75 por quarto; outras opções de hospedagem em Mendoza, são o Hotel Íbis ($69 por quarto) e o Milena ($65). Mas o programa que não se pode perder aqui são os vinhos, antes do jantar pare no Stop Bar para saborear um vinho da província, existem diversas vinícolas na região e o vinho é realmente digno de menção. E outra dica, não se deve estranhar os restaurantes fechados antes das oito horas, pois os argentinos parecem que combinaram pois todos saem para  jantar às oito e meia.

A estação de esqui de Portillo, no Chile, fica a 234km de Mendoza e Los Andes a 270km, mas apesar da pouca distância, eles gastaram quatro horas e meia para chegar a Portillo devido à paisagem andina que exigia baixa velocidade para apreciar todo o trajeto e também ao trâmite burocrático da fronteira, que fecha depois das 18h para abrir às 8h30 na manhã seguinte.

Ainda nos Andes Argetinos, existe uma estação de esqui chamada Los Penitentes a apenas 180km de Mendoza, porém estava praticamente fechada pois não havia neve. Essa peculiaridade climática, incomum nessa época do ano, já que era quase o meio de Julho, estava preocupando o comércio local e diversos trabalhadores de temporada, já haviam sido dispensados e aguardavam a neve para voltar.

Mesmo para quem não vá se hospedar em Portillo, deve-se parar para tirar uma fotografia do lago que é simplesmente lindo; o hotel está muito bem localizado e conta com uma ótima infra-estrutura para os praticantes de esqui e afins. Mas o mesmo fator que permitiu a viagem dos mototuristas atrapalhou seus planos de praticar snowboard: a falta de neve foi boa para pilotar as motos, mas como não havia neve suficiente, a montanha estava “fechada” para esquiar.

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De Portillo até Los Andes são apenas uns 30km e até Santiago, a capital chilena, mais 77km; permitindo que em um dia o turista faça todo o trecho de Mendoza a Santiago, parando para apreciar a linda paisagem na travessia dos Andes. Esse caminho não passa por dentro do Parque Aconcágua, mas em um ponto do trajeto é possível visualizar o Monte Aconcágua num local onde todos param para “sacar las” fotografias.

Neste ponto, a 3.700km de casa, para quem mora em São Paulo, é um bom momento para curtir um pouco do Chile, tomar umas boas garrafas da cerveja Cristal e se preparar para a volta, que não deixa a desejar, principalmente se o mototurista resolver variar as trilhas e atravessar o sul do Brasil pelo interior, e não pelo litoral. Por ali, vai encontrar lugares como Concórdia no interior de Santa Catarina, onde o Hotel Colina Verde ofereceu a estadia com melhor custo benefício de toda a viagem: por R$25 o viajante dorme num quarto muito bom e pela manhã toma um café de verdade, com direito a muitas frutas e bolos (bem que estavam precisando).

Texto e Fotos: Julio Cesar Paulino