Viagem pela Europa
Viagem pela Europa
Viagem pela Europa
Viagem pela Europa
Viagem pela Europa

AMÉRICA DO SUL...A PARTIR DO NORTE !

Trajeto da Viagem

CONSIDERAÇÕES

Paradoxalmente, apesar do tempo disponível, esta foi a primeira vez que não iniciei uma viagem pelo Brasil e América do Sul a partir de casa. Despachei a moto para Manaus, por não mais ter paciência de repetir o trajeto até Porto Velho, conhecido em detalhes, principalmente devido a época em que predomina o tráfego intenso de caminhões transportando a safra agrícola do Centro Oeste. Penso que se corremos certo risco em viagem, que o seja em regiões inéditas.

Nesse processo de envio da moto até Manaus, contei com o apoio logístico de alguns motociclistas daquela Cidade, especialmente dos amigos Marcelo e o Ramayana, pessoas que foram imprescindíveis para que bastasse chegar àquela Capital e iniciar a viagem de imediato.

Algums dicas da viagem ao final deste relato

1º DIA

Na noite anterior os amigos motociclistas de Manaus promoveram uma bela confraternização marcando o início da viagem. Pessoas fantásticas, pra dizer o mínimo ! Hoje, meu amigo e anfitrião Marcelo ainda me acompanhou nos primeiros 20 kms e após segui firme em direção a Boa Vista-RR, distante 780 kms de Manaus. A pista, além de bela em muitos trechos, está em boas condições, apenas com pequenos trajetos em obras. Fiz uma excelente viagem no primeiro dia, chegando cedo ao destino. Uma notícia que não esperava é que a Venezuela havia fechado a fronteira devido eleições as presidenciais. Assim tive que achar um jeito de passar o tempo até que a situação se resolvesse. Aliás, tempo tinha bastante.

Cruzando a Linha do Equador

2º DIA

Estava gostando de viajar sem a pressão de tempo ! Seguia “tranquilito no más” em velocidades sempre moderadas, seja 100, 80 ou 120, no máximo, afinal estava viajando só e essa é uma das vantagens. Nesse dia, pela manhã, dei um giro pela orla de Boa Vista, porém não tinha planos de permanecer na Cidade. Liguei para 2 motociclista (Renato Lopes, no Sul e Gregório, em Boa Vista) no objetivo de informações. Do Renato Lopes procurei saber se valeria a pena chegar até a Guyana (o que ele não recomendou devido as rodovias) e do Gregório acerca de atrativos em Roraima, afinal tinha que “queimar 3 dias” até abrir a fronteira da Venezuela. Gregório sugeriu seguir até Tepequém, pequena vila nas montanhas, distante 200 kms de Boa Vista. A partir de Boa Vista Roraima me pareceu uma mini patagônia, pois a geografia é muito plana, com arbustos rasteiro e bastante ventos. Nada que se compare aos ventos da Patagônia, evidentemente. Em Vila Brasil, após 150 kms, parei para abastecer e, cadê gasolina ? Indicaram um clandestino que revendia gasolina da Venezuela a R$ 2,50/litro. Assim, abasteci com gasolina venezuelana antes de chegar àquele País, ainda mais barata que a brasileira. Em Tepequém procurei uma pousada, porém como estava levando uma pequena barraca resolvi armá-la, afinal precisava aprender a utilizar o equipamento.

Registro fotográfico em Boa Vista-RR

3º DIA

Após uma noite “mais ou menos” dormida na barraca, afinal há muito tempo não fazia isso, resolvi dar umas voltas para explorar as belezas de Tepequém. A geografia da região é interessante, com clima de montanha, ou seja, temperaturas amenas, muitas cachoeiras, rios e diversidade de fauna e flora silvestres, porém os rios estão com pouca vazão, o que s prejudica a beleza das cachoeiras. Realmente uma pena ! Fiquei amigo do simpático casal proprietário da pousada onde acampei, um ambiente de pessoas simples, porém atenciosos. Melhor de tudo era pedir um suco de graviola ou cupuaçu e ver que a matéria prima estava no quintal da propriedade.

Tepequém-RR

4º DIA

Impressionante como o motociclismo abre portas ! Ontem desmontei a barraca e segui para uma estação ecológica próxima, mantida pelo SESC, distante 4 kms de Tepequém. Um local agradável, porém que não fornecia alimentação. Terminei convidado para jantar com o pessoal da administração, com certeza devido ao motociclismo, pois estavam curiosos sobre a moto e roteiro da viagem. Como sempre dou atenção aos interessados, terminamos numa boa interatividade. Metade desse trajeto foi retornando à BR 174 e ao final do dia segui para Paracaima, fronteira com a Venezuela, pois a expectativa era que no dia seguinte a fronteira seria aberta.

5º DIA

Não foi fácil ingressar na Venezuela ! A expectativa da aduana abrir pela manhã não se confirmou. Incrível como uma eleição para presidente motiva o fechamento de uma fronteira por quase uma semana. Acho que o presidente eleito, Nicolás Maduro, tem tudo para amadurecer demais e cair da árvore. De qualquer forma aproveitei a manhã para providenciar o “nada consta” no CIRETRAN, algo que apénas a Venezuela exige, informações sobre seguro para ingressar no País, cambiar moeda, abastecer etc. Por sorte verifiquei que meu Seguro de Viagem/Saúde emitido previamente em Floripa tinha atendiam a burocracia venezuelana. Com relação ao abastecimento da moto, considerando que na fronteira a gasolina venezuelana é mais cara, certamente devido o contrabando para o Brasil, enchi o tanque da moto com o equivalente a R$ 4,00, porém sabendo que adiante o preço cairia para centavos de Real. Terminou que a aduana foi liberada apenas ao meio dia, ainda dando tempo para um último almoço no Brasil, trâmites de saída na Polícia Federal e finalização de papéis para o “permisso”. Apenas por volta das 14:00h ingressei na Venezuela – Ufa ! Algumas dezenas de kms e estamos em “La Gran Sabana”, com asfalto impecável e paisagem muito bela - Só alegria ! Adiante abasteci a moto com 11 litros que custaram 0,70 (setenta centavos de Bolívar). Como o câmbio é de R$ 1,00 para 10 Bolívar, basta fazer as contas. Parece piada ! Após “La Gran Sabana” há um trajeto de cerca de 100 kms de floresta densa, grandes declives e curvas. Com chuva, então, foi “trash”. Na sequência alguns “pueblos” de aparência horrível (me lembrei de Desaguadero, no Peru !), de forma que me obriguei a pilotar por mais de 1 hora à noite para chegar em Tumeremo, após 400 kms da fronteira.

Fronteira Brasil-Venezuela

6º DIA

Ontem a noite Tumeremo estava agitada, com gente batendo panelas e fazendo uma espécie de “apitaço”, tudo em função do resultado das eleições presidenciais. Realmente não foi uma época adequada para viajar pelo País, mas a viagem, até então era só alegria. Achei o povo venezuelanos muito simpático. Nas “alcabalas” (postos da polícia rodoviária), até então havia sido parado apenas uma vez para apresentar documentos. Num trevo (chamado de “distribuidor”), 2 policiais motociclistas fizeram até questão de me acompanhar para indicar o local correto e um cidadão de carro, além de indicar, me acompanhou até o hotel. Também estava praticamente on-line com um motociclistas venezuelanos de Maracaybo, pessoa interessada em dar dicas e apoio. Enfim, é o motociclismo abrindo portas, como sabemos. Mas continuava preocupado com o preço da gasolina. Um cafezinho custava 4 bolívar (R$ 0,40) e o abastecimento (12 litros) custou 0,70 centavos de bolívar. Num próximo abastecimento o frentista simplesmente não quis cobrar, o que me obrigou a deixar um agrado de 5 bolívar, é claro ! De Tumeremo segui em direção a Puerto Ordaz, onde parei para fazer uma foto num mirador próximo à magnífica ponte do Rio Orinoco, seguindo após em direção a El Tigre e Barcelona, essa já no Mar Caribenho. Segui adiante 40 kms, parando em Puerto Piritu, no simpático hotel indicado pelo motorista anteriormente referido, bem próximo ao mar. Percorri no dia mais de 600 kms do ponto de partida. Aquela imagem do Caribe com águas azuis não era aqui, porém esperava vê-la em algum ponto, no que pese o objetivo não ser o mar.

Mirante próximo a Ponte do Rio Orinoco-Venezuela

7º DIA

Gostei da pousada onde pernoitei em Puerto Piritu. Pessoal de primeira ! A partir desta localidade a estrada segue ora margeando o mar, ora o interior, onde o asfalto é bastante precário. Trata-se de uma região sem qualquer atrativo. Nas imediações de Caracas desconfio que o GPS me sacaneou, pois passei por locais “sem pé nem cabeça”, asfalto ruim e nada que chamasse a atenção. Na verdade a intenção era desviar da Capital, mas terminei por cruzá-la de “cabo a rabo”. A partir de Caracas a paisagem é mais bonita, porém observei que na Venezuela há muita sujeira às margens da rodovia e tudo é muito mal conservado, ambulantes em exagero, carros caindo aos pedaços etc. Uma pena ! Numa parada para abastecer, 3 venezuelanos ficaram encantados com a moto e fizeram questão de anotar e filmar tudo, principalmente ela. Após 600 kms parei em Barquisimeto (parece nome de um equipamento), uma grande cidade da região, após Valencia. E os “apitaços” e “panelaços” devido o resultado das eleições também ocorriam na Cidade. Antes de achar um hotel, achei uma revenda Suzuki e aproveitei para comprar um jogo de pastilhas de freios, pois as minhas estavam meia vida. Custaram o equivalente a R$ 50,00, quando no Brasil sairiam por volta de R$ 250,00

Venezuelanos encantados com a mmoto

8º DIA

O plano nesse dia era rodar menos e conhecer um pouco da próxima cidade do destino: Maracaibo, até porque pretendia encontrar motociclistas da cidade, conhecidos virtualmente. A paisagem continuava como sempre: partes belas, outras nem tanto, pueblos onde parece que toda população é ambulante, vendendo tudo o que se possa imaginar em termos de alimentação à beira da rodovia. Em alguns pontos via-se cabritos/cabras recém abatidos dependurados às margens da rodovia, ou seja, uma cena grotesca que preferi não fotografar. Asfalto quase sempre muito bom nesse trajeto, porém uma infinidade de quebra-molas nos pueblos e calor de 40ºC. Uma enorme ponte sobre o lago Maracaibo indica a chegada à cidade homônima, por sinal, de muita história, como pode ser visto em http://pt.wikipedia.org/wiki/Maracaibo. Após me acomodar fui caminhar pelo centro. Fiquei surpreso, porque em algumas partes proliferam ambulantes de toda espécie, parecendo uma réplica de Cidade De Leste, no Paraguay, noutras a frente surgem belos e bem cuidados jardins, parecendo estarmos numa bucólica cidade europeia.

Centro de Maracaibo

9º DIA

Ontem à noite contatei o motociclista Gabriel Scott, amigo do pessoal de Manaus e agora também meu amigo. Pessoa fantástica que recebe os amigos como poucos e já me pôs em contato com outros companheiros pelo caminho. Hoje sairia Venezuela e entraria na Colômbia. Só não digo que a Venezuela foi 100%, apesar do momento político, devido incomodação na saída do Pais. O trajeto de Maracaibo (VZ) em direção a Maicao (CO) é uma região sem qualquer atrativo, apenas pueblos, incontáveis ambulates, carros velhos e asfalto a desejar. Um pouco antes da fronteira havia um "paro"(greve) por problema locais e quase não me deixaram passar. A sensação de mais de 10 indivíduos em volta da moto não era agradável. Superando isso, a seguir, na última "alcabala" (posto da polícia rodoviária), passei por uma revista completa. Tanto eu quanto a moto. Segundo constatei, trata-se de uma área de muito contrabando e tráfico de drogas/armas, razão dessa "varredura", curiosamente apenas nos turistas. O policial teve a petulância de pedir uma "colaboracion" em U$ e, claro, neguei. Até propus dar alguns bolívares mas como sentiram que não cedia, desistiram. Deixei apenas um adesivo da TOCA - he he he Após umas 3 horas entre a tentativa de extorsão e desembaraço aduaneiro, ingressei na Colômbia, agora mais preocupado. Confesso ter me sentido aliviado ao sair da Venezuela, mas nem por isso mudo minha opinião acerca da sua gente: Muito simpática e prestativa. De qualquer forma, na Colômbia me senti mais tranquilo e percebi a simpatia do seu povo logo de início. As estradas, então, uma maravilha, com muito verde, boa conservação, margeando o mar em alguns pontos antes de Santa Marta http://pt.wikipedia.org/wiki/Santa_Marta_(Col%C3%B4mbia, onde fiquei.

Ingressando na Colômbia

10º DIA

O objetivo do dia era chegar à Cartagena de Indias, por sinal, um dos objetivos da viagem, apenas 250 kms do ponto de partida. Como toda cidade de apelo turístico, rapidamente aparece alguém indicando hotel a troco de alguns trocados. Aceitei e não me arrependi, pois o que mais queria era me livrar do calor. A parte moderna da Cidade faz lembrar um pouco a Beira Mar Norte de Floripa.

Cartagena - parte moderna

11º DIA

Cartagena das Índias, sem dúvida, vale a pena conhecer ! http://pt.wikipedia.org/wiki/Cartagena_das_%C3%8Dndias Trata-se de uma grande cidade que se harmoniza muito bem entre o antigo e mo moderno, sendo sua parte antiga única e de muita história. Pela manhã, após uma caminhada pela beira-mar de Bocagrande, um bairro moderno, visitei a Cidade História, totalmente cercada por grandes muralhas, fazendo lembrar cidades como Toledo, na Espanha. Na sequência visitei o Castelo San Felipe de Barajas, construído em 1.657 para defender a Cidade de ataques piratas, donde se tem uma vista magnífica da região. Como toda cidade turística, Cartagena tem seus incontáveis e inconvenientes vendedores que tentam nos convencer a comprar lembrancinhas, bebidas, comidas etc. Faz parte !

Cartagena - parte antiga

12º DIA

Parti cedo de Cartagena e de imediato notei que entrei na Cidade pela parte bonita e saí pela parte feia: calor, trânsito confuso e ruas mal cuidadas, de forma que levei mais de meia hora para chegar a autoestrada. Nos primeiros 400 kms em direção ao Sul me senti no Brasil, pois a geografia é como a nossa, inclusive infraestrutura à beira da rodovia, além do asfalto que ora é bom, ora regular. Some-se a isso a simpatia do povo colombiano pra gente, realmente, se sentir em casa. Os últimos 200 kms antes de Medellin são marcados pela subida da Cordilheira, atingindo quase 3.000 de altitude. Uma pena que chovia, além de neblina em alguns pontos, prejudicando o belo visual e impossibilitando captura de boas imagens. Pela primeira vez fiz uso dos acessórios para frio. Cheguei em Medellin anoitecendo, com chuva, trajeto de curvas e transito pesado. Tudo que queria era um banho quente.

13º DIA

Quem está na estrada sabe que “um dia é da caça, outro do caçador”! Tinha grandes expectativas acerca de Medellin, mas cheguei na Cidade cansado e mais tarde que o desejável (e recomendável), quase nada aproveitei. Me pareceu uma Cidade de trânsito e traçado de ruas confuso para quem chega pela primeira vez. Terminei me hospedando numa espelunca, região “barra pesada“, ou seja, sequer me atrevi a sair após acomodado. Consegui achar uma oficina de moto para trocar o óleo do motor e pastilhas do freio traseiro, algo absolutamente necessário, partindo sem procurar alguns atrativos. Na verdade não me dou bem com grandes cidades ! De Medellin, no sentido Sul, se desce novamente a Cordilheira, cujo visual só não é mais belo devido as inúmeras e mal cuidadas construções e obras ao largo da pista. Após a Cordilheira o visual é mais atrativo, principalmente cerca de 100 kms, quando se começa a enxergar a grande região cafeeira colombiana. Logo na entrada da Cidade de Pereira surge um bom, novo, barato e agradável hotel, com boa vista (we chamava Buena Vista) para um vale da região, local mais que adequado para o "pit stop" diário. Tinha rodado apenas 220 kms mas pensei comigo: É aqui que ficarei !

Uma vista a partir da rodovia

14º DIA

Parti cedo de Pereira em direção à Cali, Popayan e Pasto, essa última já a 90 kms da fronteira com o Equador. A paisagem continuava bela, com boa pista de rolamento. Numa primeira parada para um café, travei amizade com um motociclista colombiano que viajava com moto similar a minha e, por sinal, se formou em medicina no Rio de Janeiro. Assim é o motociclismo: começo de uma nova amizade. Algumas dezenas de kms após Cali, nova subida da Cordilheira, disputando espaço com caminhões e parando inúmeras vezes devido obras na pista. A partir de Popayan a paisagem é muito bela (asfalto nem tanto !), com grandes montanhas e precipícios que, iluminados pelo sol da tarde, refletiam um brilho dourado, realmente fantástico. A Colômbia é um País pra retornar um dia. Belas paisagens e gente super simpática é o que não falta !

15º DIA

Estava rumo Sul em direção a Ipiales, última Cidade antes da fronteira com o Equador. Após Pasto a altitude chega a 3.200 metros e a Cordilheira continua majestosa. Agora com bom asfalto e curvas incríveis margeando precipícios. Os trâmites aduaneiros foram tranquilos e antes do meio dia já estava em terras equatorianas pela primeira vez. No Equador a paisagem continua magnífica, principalmente quando se avista no horizonte o Vulcão Imbabura, com seu pico nevado. Outros virão pela frente. Cheguei cedo a Quito http://pt.wikipedia.org/wiki/Quito e procurei de imediato a Área Histórica da Cidade. Após um giro pelas suas imediações para registros fotográficos me acomodei para continuar o périplo no dia seguinte.

Chegando a Quito

16º DIA

Pela manhã visitei a montanha conhecida como Panencillo, de onde se tem uma vista privilegiada de Quito, inclusive dos vulcões mais próximos, como o Cotopaxi (5.900 mt) e onde também se ergue uma enorme estátua da “Virgem de Quito”, padroeira da Cidade. Feito isso, arrumei as tralhas e segui em direção a Santo Domingo, sentido Sudoeste, cujo objetivo era visitar um amigo e ex-colega de trabalho que atua temporariamente num projeto hidrelétrico nas proximidades dessa Cidade, distante de Quito apenas 150 km. O trajeto Quito - Santo Domingo, descendo a Cordilheira, continua muito belo.

17º DIA

Das proximidades de Santo Domingo, retornei em direção a Quito, tomando a Panamericana no sentido Sul rumo a Cuenca http://pt.wikipedia.org/wiki/Cuenca_(Azuay) Um dos objetivos nesse percurso era curtir a “Avenida dos Vulcões”, porém o tempo não colaborou. Muitas nuvens e névoa impediram apreciá-los. Apenas o Vulcão Chimborazo pôde ser visto parcialmente. Os 518 kms do percurso foram tranquilos, com belas paisagens e altitudes superiores a 3.000 metros, onde o frio se fez presente e antes de Cuenca uma pequena chuva para obrigar a vestir roupas apropriadas. Chegada em Cuenca com tempo suficiente para algumas imagens no Centro Histórico da Cidade.

Cuenca

18º DIA

O trajeto após Cuenca também é de grandes altitudes. Na verdade a maior até então: 3.450 metros em determinados trajetos. A ideia era rodar os 400 kms até a fronteira com o Peru, fazer os trâmites e se acomodar de imediato, porém local decente para pernoitar apenas em Piura, 150 kms adiante. Não era adequado, porém não houve opção a não ser chegar à noite na Cidade, pois um dos perigos nas estradas peruanas é a variada fauna que circula na pista junto aos veículos: cabras, porcos, cachorros e jumentos. Felizmente não me atrapalharam ! Um dos objetivos dessa viagem era atingido: conhecer Venezuela,Colômbia e Equador e, com certeza, valeu a pena !

Fazendo pôse com um legítimo chapéu panamá de Cuenca

19º DIA

Quando se ingressa no Norte do Peru, a paisagem muda significativamente: estradas planas, retas e muita aridez, onde se cruza por “pueblos” extremamente pobres. Em compensação, a simpatia do povo é contagiante. Nesse trajeto, querendo ou precisando, a viagem rende bastante, porém há que se ter cuidados adicionais com pedestres, animais na pista (como já abordado) e os infindáveis "motocar", uma mistura de moto com carro (ou seria carroça ?).

A pequena Morrope (PE)

20º DIA

Parti cedo de Chimbote e após 400 kms estava chegando a Lima, uma cidade que não pretendia conhecer, tanto pelo trânsito caótico (do qual quem segue pela Panamericana não consegue evitar), quanto pela fama de roubo, o que é confirmado até pelos próprios peruanos. Cruzar a cidade foi algo para quase 01 hora, tão arriscado quanto estar no Líbano. Graças a Deus sai ileso ! Tirando isso, o que atrai nesse trajeto é a beleza do deserto, com a boa rodovia que às vezes margeia o Pacífico. De Lima segui mais 200 kms e estacionei em Chincha Alta, 100 kms antes de Ica.

Em Chimbote - Área Portuária

21º DIA

A paisagem a partir de Ica fica ainda mais bela, pois em alguns trechos a Panamericana chega muito perto do Pacífico. Quando isso acontece, normalmente há muito vento e areia das dunas que sopra pela pista, o que incomoda um pouco, principalmente o vento. Cruzando por Nazca apenas registrei uma foto, pois já conhecia as famosas linhas e figuras, principal atração local. Por sinal, até esse ponto, a viagem transcorreu por trajetos inéditos. Doravante eu e a moto repetiríamos parte do caminho. A beleza da costa peruana nesse trajeto é algo fora do comum. Quem já conhece sabe do que falo e quem não conhece, deveria. Como pode ser visto na imagem a seguir, a rodovia margeando os penhascos com o Pacífico ao lado, em termos de paisagem, é algo indescritível.

Paisagens indescritíveis

22º DIA

De Camaná segui em direção a Arequipa (400 kms) e a partir dessa em direção a Juliaca e Puno que estão no Altiplano Andino, a mais de 4.500 metros de altitude. Quem já conhece sabe que a paisagem do Altiplano e coisa de cinema, porém o frio aumenta e o desconforto da altitude, idem. É preciso cuidado, pois os reflexos ficam mais lentos. Ao parar a moto, todo cuidado é pouco pra não deixa-la ir ao chão. Cada um sente diferentes desconfortos nas grandes altitudes. Comigo é uma sensação de pileque e moleza nas pernas. Parei antes de Desaguadero, na pequena Pomata, uma comunidade aimará, e fiquei hospedado numa espécie de alojamento mantido pelos órgãos municipais, também utilizada pelos policiais, gente simples e simpática. Terminamos fazendo uma foto juntos. A opção de não avançar até Desaguadero faz sentido, pois em 2002 a considerei um dos locais mais feios que havia conhecido.

Às Margens do Lago Titicaca

23º DIA

A noite passada na hospedaria anteriormente referido foi “trash”, quase ao nível do dia em que fiquei acampado em Roraima. Faltou água, a cama era "meia boca" e os policiais fizeram algazarra até altas horas da noite. Faz parte ! Parti em direção a Desaguadero e me preparei para o pior. Há 11 anos pernoitamos nessa cidade (porta de entrada do Peru para a Bolívia em direção a La Paz), com pretensão de ingressar na Bolívia porém desistimos pelo volume e balburdia de gente na aduana. Na verdade quase nada mudou: gente se apinhando, bicicletas de 3 rodas com cargas exageradas atropelando tudo, filas intermináveis na aduana, sujeira, enfim, uma visão do inferno. Mas dessa resolvi seguir adiante. O trajeto entre Desaguadero e La Paz é de asfalto velho e irregular e pequenos pueblos sem qualquer atrativo, onde o que mais se vê é sujeira. De La Paz (que passei ao longe) segui em direção a Oruro. Nesse trajeto, além do asfalto continuar irregular e com muitos desvios devido obras de duplicação, comecei a me sentir incomodado pela falta de um local para me alimentar e, pior, pela falta de gasolina para estrangeiros. Quando encontrada, o preço do litro era 3 vezes superior ao praticado (mesmo assim inferior ao praticado no Brasil). Um verdadeira incoerência, pois a maioria dos países correm atrás de turistas, ao passo que a Bolívia corre com eles. Na verdade nunca me motivei em cruzar esse País, conhecido apenas pelas bordas (Titicaca, Guayará Mirim e Puerto Suarez), mas desta vez tentaria cruzá-lo. Realmente é uma pena, pois tal qual demais países andinos, a Bolívia é cheia de belas paisagens e atrações, porém administrada por políticos que incentivam a ignorância do povo e minam os órgãos públicos com corrupção. Antes de Oruru tomei o sentido leste em direção a Cochabamba. Nesse trajeto a Cordilheira novamente é cruzada a 4.500 metros de altitude e, como sempre, com belos visuais.

Chegada a Cochabamba

24º DIA

Gostei de Cochabamba, uma cidade com aspecto de cidade http://pt.wikipedia.org/wiki/Cochabamba , situada num vale, de forma que para transpor a montanha, novamente se cruza a + ou – 3.500 metros de altitude. Descendo, a Cordilheira muda de visual, com muito verde e florestas, rodovia margeando o Parque Nacional Carrasco. Devido a exuberância da vegetação, o local é propício a neblina e chuvas, que não faltaram. Da chuva sequer reclamei, afinal era uma forma de lavar a poeira acumulado no deserto do Peru. Quanto a neblina, há que se cuidar, e muito. A maior parte das estradas na Bolívia é de asfalto velho, irregular e remendado, principalmente na descida da Cordilheira, onde levei quase 4 horas para percorrer 150 kms. Após a Cordilheitra inicia-se uma vasta planície, com melhoria do asfalto, de forma que os quase 400 kms restantes até Santa Cruz de La Sierra foram percorridos mais facilmente. Santa Cruz de La Sierra me pareceu esquisita (em português, of course !).

Um "restaurante" à margem da rodovia

25º DIA

Pela Manhã percebi que a chuva foi abundante durante a noite. Até a moto estava mais limpa. Me equipei e peguei a valente V-Strom para enfrentar o último trajeto na Bolívia, cerca de 660 kms até Corumbá, porém preocupado com a questão de abastecimento, afinal a maioria dos postos simplesmente se nega a vender gasolina para estrangeiro. Por sorte, na saída um posto achou uma forma de me atender, não sem antes ouvir minhas lamúrias: Enchia uma garrafa pet de refrigerante (2 litros) que eu transferia para a moto (6 vezes). Fotografei, porque contando ninguém acreditaria em tamanha imbecilidade. A chuva seguia impiedosa e em alguns trechos fortes ventos laterais. Felizmente agora o asfalto era bom. Após 260 kms, em San José de Chiquitos, fiz mais uma tentativa de abastecimento, calculando que com o tanque cheio chegaria a Corumbá, distante 400 kms. Dessa vez pelo menos o frentista arrumou um galão de 10 litros para a transposição bomba/moto. Por precaução levei também meu pet de 2 litros com gasolina. 130 kms adiante, nas proximidades de Roboré, surgem no horizonte belas formações rochosas em tom avermelhado, uma delas realmente fabulosa, denominada "Il Santuário Chochis". Mereceu uma parada para a foto a seguir. Como previsto, cheguei em Puerto Quijaro (fronteira) com a reserva piscando, até porque a gasolina boliviana é de baixo rendimento. Fui salvo pelo pet de 2 litros. A aduana da Bolívia estava “cerrada” e um funcionário me orientou a aguardar até o dia seguinte para os trâmites de saída. Nem dei bola ! Segui diretamente para a aduana brasileira e carimbei o visto de entrada no passaporte, afinal, dificilmente retornarei à Bolívia, pelo menos a perdurar essa discriminação com estrangeiro.

Il Santuário Chochis - Roboré (BO)

26º DIA

Em Corumbá, pela manhã, fiz a devida troca de óleo na moto e segui através da BR 262, a Transpantaneira, que cruza o Pantanal Sul Matogrossense num percurso de 400 kms até Campo Grande, Capital do Estado. Doravante trajetos conhecidos, afinal residi por 5 anos em Campo Grande (a “Cidade Morena”), ou seja, sou suspeito em tecer elogios, pois gosto muito desse Estado. Não poderia deixar de apreciar uma excelente Costela de Pacu num dos simpático restaurante em Anastácio, pequena cidade desse trajeto. O dia estava lindo, asfalto bom e bem sinalizado, enfim, uma excelente viagem até Nova Alvorada do Sul, adiante 100 kms da Capital, onde parei ainda cedo do dia, após 12.000 kms desde o ponto de partida (Manaus-AM).

Aspecto da Serra de Maracaju - MS

27º DIA

Não há muito o que falar acerca do penúltimo dia de viagem, pois estava circulando por locais bastante conhecidos. Mesmo assim, registrei algumas belas imagens do trajeto, conforme a seguir. Nova Alvorada do Sul (MS), onde pernoitei, é um local de boas recordações. Quando da nossa primeira longa viagem de moto em 1982, de Laranjeiras do Sul (PR) a Cuiabá (MT), esse local não passava de um entroncamento rodoviário com posto de gasolina e comércio precário. Naquela época, com metade da idade atual, feliz proprietário de uma CB-400 prata “0 km”, recordo que fizemos uma foto bem na placa que indica as direções de Dourados e Campo Grande. Em 2011 repetimos a foto com uma moto igual e neste dia não poderia deixar de fazer o mesmo. Hoje a pequena Cidade tem boa infraestrutura e serviços adequados para seu porte. Pernoitei num agradável hotel, o que nos faz seguir viagem plenamente recomposto.

Imagem do trajeto

28º DIA

Decorridos exatos 13.000 kms nos 28 dias desde a partida de Manaus-AM, tendo cruzado 6 países da América do Sul, 4 desses não conhecidos, considerei plenamente atingido o objetivo da viagem.

Dicas desta viagem

a) Roraima:

-Em alguns trechos, principalmente nas rodovias secundárias, a sinalização e conservação é precária. Todo cuidado é pouco;

-Como alguns países vizinhos, nesse extremo Norte do Brasil muitos estabelecimentos comerciais não aceitam cartão de crédito/débito;

-É difícil achar uma boa conexão de Internet.

b) Com relação aos "motoristas" na América do Sul (denominá-los motoristas é força de expressão):

-Veículos pesados circulam a toda velocidade, o que representa um perigo adicional devido as rodovias com muitas curvas;

-A palavra é “buzinar”. Se buzina pra tudo. Nas cidades, quando o sinal abre, há um coro de buzina já no primeiro segundo. Idem nas estações de pedágio;

-Veículos lentos não se preocupam em dar passagem. Se o fazem, dificilmente acionam a seta.

c) Custo/dia em viagens:

Com base na experiência sobre despesas diárias em viagens pelos países que temos viajado, chega-se aos seguintes números (aproximados), considerando percursos diários entre 400/600kms e despesas com combustível, alimentação (com direito a uma cervejinha ou vinho no final do dia) e hospedagem em hotel mediano:

-América do Sul (Países acima do Chile/Argentina) – R$ 100,00

-Brasil/Chile/Argentina/Uruguay – R$ 200,00

-Europa – R$ 400,00

d) Trâmites aduaneiros:

Quem já viajou pela América do Sul conhece a precariedade dos serviços aduaneiros em quase todos os países. Estarei repetindo o que muitos já disseram ou escreveram, acrescido da minha opinião pessoal, o que nunca é demais, no sentido de minimizar inevitáveis incômodos:

-Seja paciente e simpático. Você não tem nada a perder !

-Porte tantas cópias de documentos quantos forem os países a ingressar (habilitação, passaporte, certificado de propriedade da moto, vacinação e seguro). Isso facilita os trâmites, pois a maioria dos países retém essas cópias;

-Fazer um seguro de saúde que inclua cobertura para terceiros é altamente recomendável, inclusive alguns países o aceita no lugar do tal SOAP, um seguro do veículo com essa modalidade;

-A Venezuela exige “nada consta” do órgão de trânsito brasileiro. Em Pacaraima (RR) é fácil emiti-lo junto ao CIRETRAN;

-Nos países do Mercosul a Carta Verde é necessária, podendo ser emitida previamente no Brasil ou nas próprias fronteiras;

-Se no país a ingressar houver cidade próxima com estrutura para alimentação e hospedagem, se programe para fazer os trâmites ao final do dia. Assim na manhã seguinte inicia a viagem com mais tranquilidade. Caso contrário, faça-o na primeira hora do dia;

-Tenha sempre uma caneta à mão;

-Evite cambiar moeda com os incômodos cambistas, procurando os locais oficiais para isso, porém se não houver alternativa faça-o em menor quantidade. Utilize o site do Banco Central http://www4.bcb.gov.br/pec/conversao/conversao.asp para saber a cotação de moedas.

e)Transporte da moto até Manaus-AM:

-Através da Transportadora Royal, de Londrina-PR ao preço de R$ 1.600 para envio desde Florianópolis;

-Contato: (43) 3357-4473 ou 9973-0825 - e-mail trans.royal@yahoo.com.br

FIM