Viagem pela Europa
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JALAPÃO - UM PARAÍSO NO CENTRO DO BRASIL !

Trajeto da viagem - 5.500 kms

O DIA A DIA DA VIAGEM

1º Dia - O dia foi dedicado a percorrer os 700 kms que separam Florianópolis de Londrina. Trata-se de um trajeto bastante conhecido, porém fiz questão de parar em alguns pontos entre Curitiba e Ponta Grossa para registrar a bela paisagem da região nas proximidades do Parque Estadual de Vilha Velha. Apesar de me considerar um pouco paranaense, pois praticamente fui criado no Estado, algo me incomoda no mesmo: o pedágio para moto, algo sem sentido e com um valor abusivo.

2º Dia – Permaneci em Londrina com familiares, pois o objetivo era dar um pequeno apoio moral à mana que passou recentemente por uma grande cirurgia. Não poderia deixar de dar umas voltas pelo Lago Igapó, um dos cartões postais da Cidade, principalmente na primavera, com belos e coloridos flamboyantes às suas margens.

Lago Igapó - Londrina-PR

3º e 4º Dias – Segui em direção ao Estado de São Paulo, cruzando as cidades de Assis, São José do Rio Preto e Barretos, fazendo o "pit-stop" em Guaíra, onde permaneci 01 dia para participar de um grande evento motociclístico promovido pelos companheiros do Brazil Riders, onde pude rever velhos amigos e fazer outros tantos.

Com amigos motociclistas em Guaíra-SP

5º Dias – O ineditismo da viagem praticamente se iniciou nesta data, com muita chuva a partir de Guaíra em direção ao Triângulo Mineiro, pois os dias anteriores foram de compromissos familiares e sociais.

Um dos objetivos dessa viagem era seguir em direção Norte através de Minas Gerais, Goiás e Tocantins, trajetos ainda não percorridos de moto. Em Uberlândia um pequeno problema: quebra do suporte lateral do top-case, me obrigando a pedir ajuda ao Corpo de Bombeiros local, afinal era domingo. Não resta dúvida que fui prontamente atendido por esses profissionais, me ajudando a fixar o top-case sobre o banco do carona com corda e elástico, até que pudesse fazer uma solda na peça danificada.

Ajuda de bombeiro em Uberlândia-MG

6º Dia – Em Anápolis-GO, onde pernoitei, graças a uma oficina ao lado do hotel, soldei a peça danificada e segui adiante, enfrentando um verdadeiro dilúvio, além de ventos muito fortes. O trajeto é de poucos atrativos e quando me dei conta estava na divisa entre Goiás e Tocantins, vindo a pernoitar em Gurupi, distante 573 kms do ponto de partida.

Divisa Goiás/Tocantins

7º Dia – De Gurupi tomei a direção para Porto Nacional e dessa para Ponte Alta do Tocantins, cidade considerada "Portal do Jalapão". Como cheguei cedo, após instalado, procurei alternativas para conhecer alguns pontos turísticos da região. A simpática dona da pousada recomendou aproveitar a tarde para conhecer atrativos das imediações. Assim, segui em direção a uma tal Pedra Furada, porém a maior "furada" foi minha: Como o GPS havia "falecido" durante a viagem, tomei o caminho errado e percorri 100 kms para nada ver e ainda quase fiquei sem combustível. Refeito o trajeto, cheguei ao atrativo, enfrentando 20 kms de estradas não pavimentadas e muita areia, onde "comprei meu primeiro terreno", felizmente em baixíssima velocidade, sem qualquer dano. Cheguei ao atrativo tão exausto que sequer procurei o melhor ângulo para fazer uma imagem.

A "Pedra Furada" (?)

8º Dia – Preocupado em fazer o trajeto Ponte Alta - Cachoeira da Velha - Mateiros solo, contratei um guia com moto, o que posteriormente demonstrou ter sido uma decisão acertada.

Partimos cedo e aquilo que parecia razoável em termos de estrada, aos poucos foi mostrando sua cara: bancos de areia, pedras pontiagudas, buracos e "costela de vaca", exigindo muita atenção e, no meu caso, sorte, afinal não tenho grandes habilidades nesse tipo de estrada.

Até a Cachoeira da Velha, distante 110 kms de Ponte Alta, apesar de alguns sustos, chegamos intactos e fiz belas imagens do atrativo.

Cachoeira da Velha

Retomando o trajeto, um primeiro tombo num banco de areia e lá se foi o suporte da GO PRO presa ao capacete. Outros tombos vieram e aos poucos a carenagem lateral da Sahara estava aos pedaços, sem contar que o suporte lateral do top case partiu novamente no mesmo ponto de solda.

Em trechos com muita "costela de vaca", alguns parafusos (acostumados ao asfalto) se rebelaram e ficaram pelo caminho. Assim, quase perdi, placa, para-lamas, escapamento etc., além da dificuldade de manter o top case amarrado sobre o lugar do caroneiro. Num dos últimos tombos lá se foi a bolha da carenagem e meu pé também ficou preso sob a moto. Apesar do tornozelo doer e inchar imediatamente, acreditei se tratar apenas uma torção e seguimos adiante. Chegamos em Mateiros (220 kms de Ponte Alta considerando o trajeto até a Cachoeira da Velha) após 8 horas de viagem, totalmente exaustos e com fome, pois havíamos partido às 06:00h sem comer absolutamente nada.

A Sahara perdendo carenagens pelo caminho

9º Dia – Com apoio da proprietária da pousada (Vereda Tropical), deixei a Sahara num mecânico fazer reparos necessários e possíveis. Na sequência, juntamente com um casal do Rio de Janeiro, contratamos os serviços de um guia com pick-up 4x4 para conhecermos os principais atrativos do Jalapão: Comunidade Quilombola Mumbuca (onde surgiu o incrível artesanato de capim dourado), Fervedouro, Cachoeira do Formiga e as famosas dunas.

Fervedouro Cachoeira do Formiga Dunas do Jalapão ao entardecer

10º Dia – Para seguir de Mateiros em direção à divisa com o Estado da Bahia, a estrada é similar ao trajeto anterior a partir de Ponte Alta. Com o tornozelo ainda inchado achei prudente pôr a Sahara na mesma pick-up 4x4 e continuar a viagem apenas quando surgisse o asfalto, distante 150 kms.

Após chegar no asfalto, por volta do meio dia, rodei apenas 300 kms, pernoitando em Campos Belos (poderia ser Campos Feios), primeira cidade de GO, 160 kms antes da Chapada dos Veadeiros, que pretendia conhecer.

Sahara de carona

11º Dia – Em Alto Paraíso de Goiás, portal da Chapada dos Veadeiros, segui algo como 30 kms para uma visita rápida ao parque, afinal trata-se de uma região que para chegar aos atrativos é preciso caminhar por trilhas e meu tornozelo estava prejudicado. O objetivo era conhecer pelo menos o Vale da Lua, cujo acesso necessita rodar uns 10 kms em estradas de chão, felizmente sem areia. Mais um tombo poderia trazer consequências desagradáveis tanto para meu tornozelo quanto para a moto que, mesmo sem partes da carenagem, continuava firme e forte. Confesso que esperava mais do Vale da Lua, certamente por ter criado muita expectativa, porém o calor infernal e a preocupação com o pé devido o relevo local certamente tiveram influência nesse aspecto.

Vale da Lua

Após segui em direção a Brasília para fazer algumas imagens, afinal conhecia a Capital Federal apenas de aeroporto. A forte chuva atrapalhou um pouco, mas consegui alguns registros fotográficos de seus atrativos.

Palácio da Alvorada

12º Dia – Pouco a informar sobre o trajeto a partir de Luziânia (após Brasília), onde pernoitei, exceto que rodei mais de 800 kms até Itupeva-SP sob chuva, porém com bom rendimento devido as ótimas BR-050 em MG e Via Anhanguera em SP.

13º Dia - O último dia de viagem foi por trajetos conhecidos, sem ter também o que acrescentar, tão somente que ao final do dia estava em casa, apesar do tornozelo inchado e a Sahara judiada.

CONCLUSÃO

Em termos de viagem de moto, costumo diferenciar o que entendo por "viagem convencional" x "aventura". Curioso que as grandes viagens de moto a partir de 1998, basicamente aquelas que considero na segunda hipótese, foram realizadas com esta Sahara que agora está com 113.000 kms: Machu-Picchu (2002) via Estado do Acre, Ushuaia (2003), Carretera Austral (2006) e esta, que deve fechar o ciclo para a valente moto que continua tão firme quanto há 12 anos. Como nas viagens anteriores, saiu arranhada, mas não fugiu da luta

Sahara ao final da viagem

Outro destaque relacionado a esta viagem foi constatar a simpatia do povo dessa região do Estado do Tocantins: gente simples, hospitaleira e extremamente atenciosa, que nos deixa com vontade de retornar a esse verdadeiro paraíso encravado no centro do Brasil.

FIM