Viagem pela Europa
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Uma Aventura pela Europa

Trajeto Realizado

"Seleção de Imagens"

"Dicas de Viagem" ao final do relato

Considerações Gerais

Por estranho que pareça, esta viagem pode ser considerada uma "aventura", pois foi totalmente diferente da anterior, em 2006 (Pelas Terras de Cabral, Cervantes e Napoleão). Os motivos são evidentes ! Por exemplo, quando estávamos completamente sem rumo no Grande Anel Orbital de Londres, com chuva, frio e trânsito pesado, um local impossível de parar e conseguir qualquer informação, nos sentimos como se estivéssemos perdidos na Patagônia ou numa floresta do Amazonas, apenas o cenário era diferente. Na verdade sabíamos que pilotar na Inglaterra seria complicado e por isso mesmo resolvemos enfrentar esse desafio. Além disso, conduzir a gigante GS 1.100 foi um esforço adicional e, nesse quesito, até nos saímos bem, sem qualquer susto. Outro fator de dificuldade foi a questão de idiomas, principalmente em países como Alemanha e Holanda. No que pese uma base no inglês, francês e espanhol, a não fluência nesses idiomas dificultava, principalmente quando nos fazíamos entender porém tínhamos dificuldade de ouvir, o que é nosso caso. Além desses aspectos, por falha pessoal, na maior parte da viagem estávamos apenas com um mapa da Europa em grande escala, onde não constava médias e pequenas cidades, dificultando a localização em rodovias do interior, principalmente na Alemanha e Holanda, com cidades de nomes impronunciáveis.

Além desses aspectos, felizmente após conhecermos Londres, na qual tínhamos um interesse especial, a moto apresentou problemas no motor de arranque e não conseguimos resolver, de forma que tomamos uma decisão intempestiva: deixá-la no hotel e retornar de avião para Lisboa. Esse problema afligiu tanto nós quanto o proprietário da moto em Lisboa. Como estávamos em Ronford, local de difícil acesso (pelo menos para nós) ao Areporto de Luton, necessitamos tomar 3 linhas do metrô carregando pesadas malas da moto onde levávamos nossas roupas. Não fosse gente de boa vontade que nos auxiliaram nessa ocasião, no hotel e no metrô, certamente passaríamos da fase de estresse para quase pânico.

De qualquer forma, cruzar 9 países europeus em 15 dias, conhecer novos locais e rever outros tantos, foi algo magnífico e mesmo a viagem se encerrando prematuramente, após 5.000 kms podemos dizer com absoluta certeza: VALEU A PENA !

Finalizando, cabe ressaltar que nos bons e nos "nem tão bons" momentos da viagem, estava presente a sempre fiel companheira, garupeira, Lourdes: ativa, solidária e cuidadosa todo o tempo. Sem ela, com certeza, a viagem não seria completa !

Pré Viagem

Quebrando um tabu, nessa viagem voltamos a curtir o clima de "pré-viagem", qual seja, a fase dos preparativos, onde essa começa efetivamente. Havíamos abandonado esse hábito nos últimos tempos, uma vez que alguns projetos muito alardeados não se concretizaram. Por sua vez, quando paramos, as coisas voltaram à normalidade. Certamente coincidências, pois levar isso a sério não faz o menor sentido.

Voltamos a convidar companheiros para fazer parte do projeto e, como sempre, nada evoluiu pois compatibilizar gostos, período de férias, tempo e outras coisas é algo realmente difícil. De qualquer forma, gostamos mesmo de ampla liberdade nesse tipo de viagem de férias, algo que consideramos pessoal e, portanto, não insistimos quando esses companheiros convidados não demonstraram maior empolgação.

Divulgamos a viagem em nosso Site, criamos um nome prévio, confeccionamos camisetas personalizadas, ou seja, não havia segredos a respeito, até por ser difícil manter isso de foma reservada, afinal todos perguntam: Pra onde será a viagem agora ?

Logomarca da Viagem

Evidentemente, para nós, a viagem começa quando a moto está efetivamente na estrada. De qualquer forma, essa fase precedente tem aspectos curiosos e interessantes e até estressantes, como nesse caso de uma viagem à Europa, onde temos que suportar 10 ou 12 horas num avião, algo sem graça para quem gosta de pilotar moto.

O dia-a-dia da viagem

Quinta 1º de Maio de 2008 - Na verdade o “Dia D” da viagem está na sequência. Após mais de 10 horas enlatados como sardinha e aguardando em aeroportos, chegamos a Lisboa onde nos aguardava o companheiro Casimiro, amigo do Carlos Azevedo (proprietário da moto com a qual viajaríamos), ambos do NOMAD’S TRAIL CLUB DE PORTUGAL, uma vez que Carlos tinha compromissos familiares. Nos instalamos no Inatel, previamente reservado pelo Carlos, mesmo hotel da viagem anterior. Carlos apareceu a seguir, trazendo a gigante BMW GS 1.100. Fizemos a entrega de uma mini-bandeira com as bandeiras do Brasil e Portugal e nossas logomarcas mixadas (TOCA e NOMAD's). Na sequência descansamos para ajustar o fuso horário, afinal no dia seguinte estaríamos na estrada.

Com Carlos Azevedo e esposa

Sexta dia 02 - Partimos de Lisboa por volta das 9 horas, não sem antes repetir uma foto na Torre de Belém, seguindo agora no sentido Sul ao invés de Norte.

Torre de Belém - Lisboa (Portugal)

Cruzamos a magnífica Ponte 25 de Abril seguindo para Setúbal, bastante próxima de Lisboa. Em Setúbal cruzamos pelo ferryboat em direção ao Sul do País. A partir desse ponto, um trajeto de pouco movimento, paisagens bucólicas, de pequenas vilas, muito verde e corticeiras, enfim, caminho para se curtir como qualquer estrada do interior e tão somente relaxar, afinal necessitávamos nos adaptar à gigante GS 1.100.

Trajeto Setúbal - Faro (Portugal)

Chegamos ainda cedo à Faro, Cidade que, como todos sabem, é uma Meca do Motocilismo europeu, onde ocorre um evento mundialmente conhecido, no qual se reunem mais de 30.000 motard's, como eles se denominam. Faro é uma bela cidade, com muitos calçadões e arquitetura interessante, enfim, um local agradável que valeu a pena fazer parte do roteiro.

Aspecto arquitetônico de Faro (Portugal)

Sábado dia 03 - No segundo dia partimos de Faro (Portugal) e após 180 kms já estávamos em Sevilha (Espanha), cidade que já conhecíamos, de forma que passamos direto, tão somente registrando uma foto nas sua proximidades.

Proximidades de Sevilha (Espanha)

De Sevilha partimos em direção a Córdoba, cidade também já conhecida, de forma que o passo seguinte foi procurar um "hostal" nas pequenas cidades subsequentes. Num abstecimento, notamos que a luz vermelha de pressão do óleo havia acendido e assim permaneceu. Ficamos preocupados e paramos à beira da auto pista para verificar se havia algo estranho com o óleo. Por coincidência, apareceu um motociclista "arrepiando" numa CBR 600, o qual prontamente se mostrou interessado em ajudar e nos guiou até o primeiro posto de gasolina, ou seja, motociclista é gente boa em qualquer parte do mundo.

Motociclista espanhol

Ligamos aos amigos em Lisboa, que mandaram seguir adiante, ou seja, não deveria ser nada sério, afinal havíamos percorrido alguns kms após essa sinalização e nada notamos de anormal. Certamente um alarme falso.

Fim de semana na Europa é período complicado para se hospedar, algo que constatamos na viagem anterior. Como era sábado, não foi diferente. Procuramos hotel numa primeira cidade e nada encontrando seguimos para a próxima onde conseguimos vaga num pequeno "hostal". Queríamos descansar, afinal havíamos percorrido uma quilometragem superior à pretendida. A pequena localidade denominada Rus era agradável, à beira da auto pista, cuja principal atração é um imponente castelo nas imediações, o qual fotografamos sob todos os ângulos.

Castelo em Rus (Espanha)

Domingo dia 04 - Da pequena Rus seguimos em direção à Valência, não sem antes verificar o contato da luz indicadora de pressão do óleo, uma orientação do proprietário da moto. Curiosamente o problema era esse mesmo, apenas um mal contato.

Imaginavamos que o trajeto a seguir seria por uma região árida, tipo deserto, tão qual observado na viagem anterior, porém estávamos enganados. Trata-se de uma região industrial, destacando-se imensas plantações de oliveira. Além disso, muito verde e curvas, tornando a pilotagem muito agradável.

A próxima cidade do trajeto era Albacete, de porte médio, onde cruzamos por muitos motociclistas, afinal era pleno domingo de sol. Receosos que estávamos com relação a polícia rodoviária do Sul da Espanha, a qual também costuma se esconder para multar os infratores, conduzíamos a moto seguindo rigorosamente a sinalização. De repente, uma "speed" nos ultrapassou em alta velocidade e pouco adiante se encontrava parada pela polícia, que também nos parou. Só faltava alegarem qualquer infração, porém nos mandaram seguir enquanto retinham a "speed". Continuamos mantendo a velocidade regulamentada, agora mais do que nunca, afinal, na viagem anterior, levamos uma multa de "míseros" 264 euros no trajeto Córdoba - Granada, algo que dói até hoje.

A partir de Albacete pegamos a auto estrada, onde mesmo à velocidade de 120 km/h todos nos ultrapassavam. Ainda cedo chegamos a Valência, procuramos um hotel e a seguir fomos caminhar pelo centro. A Cidade nos impressionou pela sua arrojada e bem cuidada arquitetura, fazendo lembrar outras belas cidades européias.

Plaza de Toros em Valência (Espanha)

Quando viajamos em férias, no que pese gastarmos aquilo que julgamos ter direito, vez por outra procuramos alternativas para equilibrar o orçamento, pois devemos ter um certo parâmetro de dispendios. Em Valência, o valor da diária do "hostal" era pequeno para os padrões europeus (35 euros), porém um estacionamento para a moto custaval 19 euros, ou seja, pela primeira vez a moto dormiu na rua.

Segunda dia 05 - Partimos por volta das 9 horas em direção à Barcelona. Havia uma dúvida de pernoitaríamos nessa Cidade ou seguiríamos adiante. Trata-se de um trajeto de poucos atrativos. Além disso tomamos a auto pista (pedagiada) onde, após 150 kms a conta apresentada foi de 20 euros. O fato pitoresco desse trajeto foi que, ao parar num posto de gasolina, ouvíamos uma boa música dos velhos tempos (Day After Day, do Badfinger - apenas para os nascidos antes ou na década de 60). Ficamos pensando: Bom gosto desse pessoal! A seguir começamos a ouvir Erasmo Carlos. A surpresa aumentou: Erasmo fazendo sucesso na Europa com uma música dos anos 60 (Você me Acende), realmente, algo estranho ! Final da história: nosso celular, que também armazena música, estava ligado há muitas horas.

A única atração desse trajeto é um arco romano do 1º século D.C., 50 kms antes de Barcelona, onde paramos para fazer fotos. Chegamos à Capital da Catalunia por volta das 15 hs e ao estacionar a moto e travar o quidão, pois essa iria novamente dormir na rua, notamos que a luz de estacionamento tinha ficado acesa. Qual não nossa surpresa ao tentar retornar a chave à posição anterior sentir que essa não obedecia. Tentamos várias vezes e nada ! Experimentamos a chave reserva e...nada ! Então telefonamos ao seu proprietário em Lisboa relatando o problema. Segundo ele era tão somente uma questão de "jeitinho". Nossa salvação foi conseguir um alicate e forçar a chave que, então, retornou à posição normal. Tudo isso demandou quase 2 horas. O hotel tinha preço razoável para o padrão europeu: 75 euros. Após um merecido banho fomos a famosa La Rambla para tomar um "chopp gigante", uma tradição local. Gigante inclusive no preço (9 euros). Para completar, a esposa pediu 1/2 garrafa de vinho que custou a bagatela de 16 euros. Na Europa, mesmo se preparando psicologicamente para o câmbio 1 euro = 1 real, essas situações ocorrem, ou seja, pode ocorrer do valor nominal ser o dobro ou o triplo do nosso, mas....em euros.

Arco Romano do 1º Século D.C., próximo Barcelona (Espanha)

Terça dia 06 - A saída de Barcelona foi um tanto confusa. Perdemos mais que 01 hora para achar a "carretera nacional" como pretendido. Chegamos a ser orientados por um senhor ciclista que pedalou conosco por mais de 2 quilômetros simplesmente no intuito de indicar a saída - gente boa ! Esse contratempo teve sua vantagem, pois a rodovia tomada meio que por acaso, a partir de Barcelona, no sentido norte, se mostrou o tipo de estrada que motociclista gosta: montanhas, curvas, pequenas vilas e muito verde.

Não demorou muito e começamos a subir os Pirineus. No topo a temperatura era de 8ºC e um pouco de neblina, porém belas vilas, curvas, vales e boas estradas. Ao chegarmos em Narbbone (França) procuramos "hotéis automáticos", esses onde não há gente para te atender, porém não conseguimos concluir a reserva, o que ficamos em dúvida se era em função da nossa pouca prática ou falha no equipamento. Constatamos posteriormente esse tipo de ocorrênca, ou seja, são instaladas máquinas em substituição às pessoas, mas nem sempre existe suporte ao usuário. Escolhemos um hotel nos mesmos moldes, porém onde havia gente na recepção. Não nos arrependemos. Até este ponto foram 1.900 kms percorridos, cumprindo criteriosamente o roteiro.

Belos trajetos nos Pirineus (Fronteira Espanha/França)

Quarta dia 07 - Partimos de Narbbone em direção a Montpellier, porém ao ver placas indicando Millau, imediatamente associamos esse nome a algo que circulou há algum tempo na Internet, qual seja, uma apresentação que mostrava a construção de uma magnífica ponte sobre um vale, cujos pilares tinham uma altura espantosa. Certamente muitos se recordam disso, pois as imagens mostravam a seqüência da construção. A princípio julgávamos que essa ponte se situava na fronteira da França com a Espanha, tanto que no dia anterior, quando cruzamos essa região perguntamos, porém ninguém sabia algo a respeito. No entanto, nos recordamos que a ponte tinha algo a ver com o nome Millau. Na verdade chegamos à essa localidade por acaso, pois ao invés de rumar em direção a Montpellier tomamos outra direção e, claro, esperávamos que nossos pressentimentos estivessem corretos. E estavam ! Avistamos essa magnífica obra de engenharia, pois nossa rodovia passava exatamente por baixo dela. Uma grata surpresa encontrar algo que pretendíamos conhecer, porém não haviámos previsto no roteiro.

Impressionante Ponte em Millau (França)

De Millau retornamos à Montpellier passando ao longo dessa, não sem antes enfrentarmos dificuldades em tomar a direção correta, pois nunca vimos uma cidade com tantas rotatórias. Avançamos alguns quilômetros e fizemos o “pit stop” em Nimes, que se situa ao norte de Marselha.

Quinta dia 08 - De Nimes partimos em direção a Pont du Gard e na sequência Nyons. Um trajeto de belas paisagens e incríveis parreirais, conhecida como Rota do Vinho, conforme lemos em algumas placas. Nyons, pelo que constatamos, estava em festa. Cruzamos com muitas motos no sentido da Cidade. Em conversa com um motocilista soubemos que era feriado e havia um grande encontro local. Algo que nos chamou a atenção é que todo motociclista se cumprimenta.

Paisagem dos Alpes Franceses

A partir de Nyons a paisagem começa a ficar cada vez mais interessante: curvas, rios e picos nevados, afinal começávamos a subir os Alpes Franceses. Sem dúvida, uma paisagem extraordinária, bastante parecida à região dos lagos no Chile, porém com arcos, pontes e toda espécie de construções antigas, ou seja, paisagem de encher os olhos. A última cidade da França, já próxima à Itália, é Briançon, uma espécie de Gramado/Canela ou Campos do Jordão, porém em maior proporção.

Neve ao lado da pista - Alpes Franceses

Depois de Briançon a subida é ingreme e os picos nevados começam a ficar bastante próximos, na verdade a neve está praticamente às margens da rodovia. No topo da montanha é a fronteira França - Itália, com uma incrível sequência de túneis. Pegamos a auto estrada rumo a Turin e por volta das 17 hs estávamos ingressando na Cidade, horário de "rush" e motoristas aparentemente estressados, sem a mínima idéia de onde encontrar um hotel. Sem dúvida, pilotar a gigante GS 1.100 nessas condições foi tarefa difícil. Para piorar a situação, além da dificuldade de se localizar/orientar não encontrávamos hotéis e os poucos consultados estavam lotados. Após quase 2 horas de tentativas resolvemos seguir adiante, porém ao procurarmos a saída da Cidade encontramos um hotel e nos instalamos, nessas alturas totalmente exaustos, mas, faz parte da viagem, ou seja, nem só de belas paisagens e acertos é constituída uma viagem desse porte. Após o banho sequer conseguimos um restaurante decente nas proximidades e o jeito foi apelar para uma pizza. Ainda bem que tínhamos um "bordeuax" comprado em Nimes, bastante adequado para harmonizar com a mesma.

Um detalhe que nos chamou a atenção foi que os motociclistas na Itália raramente se cumprimentam. Na verdade o que mais se vê são scooter's, muitos de média cilindrada, aparentemente utilizados no dia-a-dia, ou seja, uma outra realidade.

Sexta dia 09 - Considerando Turin como uma espécie de "pedra no sapato", queríamos mesmo era sair o quanto antes da Cidade em busca de novos lugares. Por orientação do pessoal do hotel, a melhor opção para seguir a Milão seria a auto pista e assim fizemos, não sem antes pequenos erros para sair da Cidade. Pilotar em auto pista na Europa é algo que somente vale a pena se dependermos de tempo, o que não era nosso caso. Pior é que mesmo nos 120 kms/h constantes todos nos ultrapasavam, ou seja, o pessoal tem mesmo "pé de chumbo".

Auto Pista Turin - Milão (Itália)

Próximos a Milão tomamos a direção norte em sentido a Ravena e Stresa, cidades situadas às margens do Lago Maggiore. Até Ravena seguimos pela auto pista, porém a partir dessa por estradas secundárias, onde pudemos viajar sem estresse e apreciar belas paisagens européias, com estradas sinuosas, muitas vezes com árvores antigas que formam um túnel verde, pequenas vilas, curvas e construções antigas.

Vista do Lago Maggiore a partir do hotel - Belgirate (Itália)

A região do Lago Maggiores é um verdadeiro paraíso voltada ao turismo, com muitos hotéis, belíssimas construções que margeiam o lago, enfim, algo que vale a pena conhecer e não apenas passar ao longo do caminho. Ainda cedo, cerca de 14 hs, resolvemos ficar num hotel na comunidade de Belgirate, colada com Stresa, com magnífica vista para o lago, afinal, não queríamos repetir a chegada em Turin, ainda mais por sabermos que nos fins de semana reservar hotel em locais turísticos não é fácil. Descansamos, passeamos pelas imediações e fizemos fotos incríveis. Essa foi nossa última noite na Itália, pois estávamos bastante próximos da Suíça, para onde seguiríamos no dia seguinte.

Sábado dia 10 - Sem pressa, partimos de Belgirate margeando o Lago Maggiore, ou seja, o visual continuou incrível. Sem dúvida, essa região ficou gravada no rol dos mais belos lugares por onde já passamos. Cruzamos a fronteira Itália - Suíça e tomamos a auto pista em direção a Luzerna e Zurich. O visual desse trajeto, mesmo a partir da auto pista, é indescritível, com montanhas nevadas e pequenos vilarejos que dão um toque especial. Enfrentamos um grande congestionamento antes de ingressarmos no tunel St. Gotardo que apesar do nome latino é na Suíça. O túnel possui tão somente 17 kms em pista simples, o que ocasionou o congestinamento. Pouco antes de Luzerna seguimos à direita, pois o objetivo era ingressar na Alemanha em direção a Stutgart.

Paisagens na Suíça

A primeira vila nesse trajeto, Sisikon, é aquilo que podemos denominar de típica paisagem suíça. Tudo absolutamente limpo, a graciosa torre de uma igreja, lago de águas azuis e montanhas nevadas ao fundo. Não resistimos e paramos para fazer uma foto, porém havíamos observado um hotel pouco antes. Resolvemos voltar e verificar o preço, no que pese ainda cedo (14 hs) e Zurich estar ainda há quase 100 kms. Nos atendeu uma senhora simpática com a qual conseguimos nos entender em inglês. Além do local incrivelmente belo, o preço do hotel era atrativo (50 euros), de forma que resolvemos encerrar nossa jornada diária. Após instalados fomos caminhar pela pequena localidade, apreciando suas impecáveis ruas à beira do lago e, claro, tomamos nossa primeira cerveja em terras suíças.

Sisikon, típica vila suíça

Até esse ponto, considerando as paisagens do trajeto nesses primeiros 3.300 kms, além da moto que, apesar do tamanho dominávamos sem problemas, poderíamos considerar a viagem como um sucesso, porém ainda havia muito pela frente.

Domingo dia 11 - Partir da paradisíaca Sisikon foi algo que deixou saudade antecipada. O local é um verdadeiro paraíso. Além disso a dona do hotel simpatizou conosco tanto quanto nós dela. Partimos em direção a Zurich que estava à 60 kms, inicialmente por estradas secundárias, porém a seguir pela auto pista. Chegamos rapidamente à Zurich e não tivemos maiores dificuldades de acesso, porém como já a conhecíamos seguimos em direção a Stutgart, na Alemanha. Como nos últimos dias encerramos a viagem cedo, nesta data estávamos propensos a uma maior quilometragem.

Ingressamos rapidamente na Alemanha, onde não tínhamos maiores pretensões, de forma que o maior objetivo era mesmo percorrer o País no sentido Sul - Norte. Seguíamos pela "autoban", onde não havia muito o que se ver, a não ser veículos nos ultrapassarem constantemente, mesmo mantendo uma velocidade acima dos 130 km /h. Além do visual de típicos vilarejos e extensas plantações floridas de amarelo contrastando com o verde (pelo que constatamos algo similar à soja, denominada "raps"), nada mais nos prendeu a atenção.

Paisagem típica alemã a partir da "autoban"

Nesse trajeto cruzamos com muitos motociclistas (afinal era domingo), porém poucos se dispunham a levantar a mão em cumprimento, tal qual na Itália. Por volta das 16 hs, percorridos mais de 500 kms, paramos em Niesrtein, pequena cidade antes de Mainz que, por sua vez, localiza-se antes de Frankfurt. A pequena Nierstein é um polo de vinicultura, conforme constamos passeando pelas graciosas ruelas, onde parreiras de grande porte servem como decoração das casas. O hotel no qual estávamos era decorado graciosamente com pinturas típicas alemãs e motivos voltados à vinicultura. Um recanto agradável como tantos outros existentes nessas pequenas localidades européias.

Hotel em Nierstein (Alemanha)

Segunda dia 12 - De Nierstein partimos em direção a Limburg, por estradas secundárias, belas paisagens, pouco movimento, muito verde, campos floridos e vilas típicas. Após Limburg tomamos a auto pista em direção a Duisburg, uma grande cidade após Dusseldorf. Nesse trajeto cruzamos com muitas motos (até triciclos) conduzidos por motociclistas (?) que não demonstram muita simpatia para com estranhos. Fizemos nosso “pit stop” em Hertogenbosch, 60 quilômetros antes de Amsterdan, uma grande cidade que nos pareceu traduzir o clima desse povo que gosta de música e cerveja como poucos. O centro da cidade é uma verdadeira festa, com calçadões, bares, músicos, enfim, tudo em clima de festa. E olha que estavamos em plena segunda-feira !

Clima festivo em Hertogenbosch (Holanda)

Até este ponto havíamos percorridos 4.200 quilômetros, praticamente sem problemas, exceto a questão de acesso em algumas grandes cidades e uma certa dificuldade de comunicação na Alemanha e Holanda, afinal nem todos que abordávamos falavam inglês. Um fator "sorte" foi que até então não tomamos uma única gota de chuva.

Terça dia 13 - Da festiva Hertogenbosch retornamos à auto pista em direção a Amsterdam, enfrentando um grande congestionamento que nos fez relembrar locais do Brasil como a “Marginal do Tietê em São Paulo”. Segurar a pesada GS 1.100 em 1ª ou 2ª marcha atrás dos carros não era fácil. Dessa forma o “espírito kamikase” aflorou e preferimos ultrapassar pelo corredor De qualquer forma, por volta do meio dia estávamos devidamente instalados no centro da Capital da Holanda, o ponto extremo da viagem.

Quando atinjimos um objetivo previamente traçado sentimos uma indescritível satisfação. Assim foi quando chegamos a Machu-Picchu, Ushuaia ou Vale do Loire (França) em viagens anteriores. Desta vez, não foi diferente.

Chegada em Amsterdam (Holanda)

Amsterdam é uma cidade interessante que lembra Veneza, na Itália, em função dos inúmeros canais que servem de "rua" para os barcos. Segundo nos informaram, há mais de 1.000 pontes. Além disso, é uma cidade peculiar, com todo tipo de "gente louca" que se possa imaginar. Chegamos a ver loja que vende maconha, bem como acessórios para usuários de drogas pesadas que são vendidos em lojas de souvenir's, ou seja, algo plenamente normal (na concepção deles !).

Canais de Amsterdam (Holanda)

Quarta dia 14 - De Amsterdam guardamos boas lembranças, afinal é uma Cidade fora do convencional, como já externamos. Os pontos negativos foram tão somente nossa escolha de hotel, que não tinha ventilação e tivemos que abrir uma janela à força e o trânsito nas auto estradas que levam à Cidade, um verdadeiro caos, no que pese bem sinalizadas. No entanto as placas pouco dizem para quem desconhece o idioma nativo. Partimos bem cedo em direção à Bélgica, nossa próxima localidade do roteiro, seguindo em direção à Antuérpia, onde enfrentamos, além do trânsito congestionado, nossa primeira chuva após 4.500 kms, por sinal, chuva rápida.

Chegamos em Bruxelas e procuramos o centro da Cidade no objetivo de localizar um hotel, o que se mostrou tarefa difícil, pois acontecia um congresso ou algo similar. Estávamos desisitindo quando fizemos uma última tentativa, a qual foi positiva. Estacionamos a moto e saímos à pé pelo centro para conhecer algumas das suas atrações. A Cidade é muito bela, porém notamos uma grande quantidade de imigrantes e pedintes. À noite resolvemos degustar um vinho com queijo diretamente no apartamento do hotel, até pelo fato de não nos sentirmos seguros em sair à noite.

Como turistas convencionais em Bruxelas (Bélgica)

Quinta dia 15 - O fato de portarmos tão somente um mapa em grande escala da Europa, deixava a desejar, pois nesse tipo de mapa não constam pequenas localidades e muitas vezes nos deparávamos com placas e não sabíamos qual direção seguir. Dessa forma, pouco antes de Bruxelas adquirimos mapas específicos da Bélgica, França, Espanha e Portugal. Essa foi uma decisão acertada que, inclusive, facilitou a saída de Bruxelas. Seguimos em direção a pequenos vilarejos, no sentido Lille e Calais, essas já na França. Numa dessas localidades pudemos observar em detalhes um desses famosos moinhos de vento que tão bem representam a Holanda, porém estávamos na Bélgica, quase na França.

Moinho de Vento datado de 1.750 - pequena localidade na Bélgica

A partir de Lille retornamos à auto pista em direção a Calais, quando começou uma pequena chuva, quase garôa, mas suficiente para molhar e aumentar a sensação de frio. Não adentramos à Cidade, seguindo adiante em direção ao Euro Tunel, pois nosso propósito era chegar a Londres. Diferentemente de outros países da Comunidade Econômica Européia, na aduana exigiram passaporte e fizeram entrevista sobre o que pretendíamos no País, quanto dias ficaríamos, o que fazemos no Brasil, etc. Cumpridas essas formalidades embarcamos a moto no trem que faz o tranporte por esse incrível túnel sobre o Canal da Mancha, compreendendo o trajeto Calais (França) e Dover (Inglaterra). Pilotar na Inglaterra na "mão inglêsa", ou seja, tudo ao contrário, nos preocupava, mas também era um desafio. Some-se a isso o trajeto de aproximadamente 100 kms após o túnel com chuva, frio, vento e trânsito pesado, para uma receita adicional de desconforto. Em função do trânsito acabamos por tomar uma direção errada e quando nos apercebemos estávamos adiante de Londres. Ao invés de chateados, vimos o lado positivo, pois no pequeno distrito da Grande Londres onde chegamos (Hornchurch), encontramos um hotel agradável e de bom preço, ou seja, tudo que necessitávamos, afinal, estávamos cansados, tensos, molhados e com frio.

Com a moto no Euro Túnel

Sexta dia 16 - O plano deste dia foi conhecer algumas das atrações de Londres como turistas convencionais, pois não seria adequado ir ao centro com a moto. Como estávamos na extremidades de uma das linhas do metrô, foi só fazer o caminho inverso para estar na City Londrina.

Nossa primeira parada foi na Torre de Londres para apreciar essa magnífica atração conhecida até então por fotos e filmes. Sem dúvida, algo majestoso !

Torre de Londres

Atravessamos a Ponte, circulamos pelas imediações, compramos souvenir's e tomamos novamente o metrô em direção à Abadia de Westminster onde se encontra o famoso Big-Ben. Nessas proximidades também está a roda gigante conhecida como London Eye e, apesar do preço, ingressamos para uma volta, afinal equivale à Torre Eiffel de Paris. A vista do alto é magnífica. Após a London Eye retornamos às imediações da imensa Abadia de Westminster para apreciar outros detalhes locais, onde, por acaso, terminamos por participar de uma sessão da Câmara dos Comuns, algo "pra inglês ver" conforme o jargão popular. A sequência é a seguinte: entra, revista criteriosa, fila, espera, sobe escada, desce escada, preenche formulário e guarda pertences para se chegar numa espécie de hall envidraçado, com monitores de tv, onde se assiste a algo como um julgamento. Evidentemente não ficamos mais que 5 minutos, continuando nosso passeio.

Abadia de Westminster - Big-Ben

Após esse passeio retornamos ao hotel, tranquilos, na intenção de voltar à França apenas no dia seguinte. Qual não foi nossa surpresa ao constatar, através de um contato feito pela recepcionista do hotel com a empresa que explora a travessia do Canal da Mancha, que deveríamos retornar no mesmo dia, pois o ticket do Euro Tunel tem data marcada para a volta. Não havíamos dado a devida importância a esse detalhe. Arrumamos tudo às pressas pois já passava das 17 hs, porém daria tempo de chegar à Dover.

Tomar a direção certa a partir de onde estávamos foi algo complicado, afinal não tínhamos mapa, uma vez que a pretensão inicial era deixar a moto no lado francês e seguir de trem à Londres. Além do frio intenso, em cada entrada que fazíamos no intuito de ajustar o trajeto cometíamos mais um erro, de forma que circulamos várias horas pela denominada Grande Orbital de Londres, onde não se consegue parar ou mesmo conseguir qualquer tipo de informação. Em determinados momentos sequer sabíamos em que sentido estávamos. Dessa forma retornamos, sem querer, à Londres e por sorte conseguimos um hotel, resolvendo continuar a viagem no dia seguinte.

Final da Viagem

Após uma noite de merecido descanso e melhor orientados com relação a saída, nosso objetivo era tomar café e refazer o que não conseguimos no dia anterior. Para nossa surpresa, a moto cismou de não pegar, com um aparentemente problema no motor de arranque. De imediato contatamos o pessoal de Lisboa que nos orientaram a fazer algumas tentativas, porém nenhuma mostrou-se eficaz. Um funcionário do hotel nos ajudou, inclusive empurrando a moto na tentativa dessa "pegar no tranco", algo difícil em se tratando de uma GS 1.100. Por último tentamos contatar a assistência 24 horas em Lisboa e também não tivemos sucesso. Conseguir qualquer tipo de assistência em pleno sábado não seria fácil, por isso tomamos a decisão que nos pareceu mais lógica numa situação como essa: Deixar a moto e retornar à Lisboa por via aérea. Nisso contamos novamente com o apoio imprescindível do hotel que fez a reserva do vôo e orientou sobre o trajeto do metrô, nos deixando na estação, facilitando (e muito) as coisas.

Apenas para se ter uma idéia, tomamos 3 linhas de metrô para chegar ao aeroporto de Luton, um trajeto que demanda quase 2 horas. Nesse dia estávamos com sorte de encontrar "gente boa". Um irlandês que seguia ao mesmo destino nos orientou nos transbordos e até carregou as pesadas malas de aluminio da moto que estavam com nossas roupas de viagem. Sem o apoio desse tipo de gente, certamente, as coisas seriam bem mais complicadas. Expomos a situação ao amigo Carlos, em Lisboa, proprietário da moto, o qual se mostrou preocupado pela nossa decisão de deixar a moto em Londres. Tranquilizamos o mesmo com relação a segurança da moto, fizemos nossos trâmites para embarque e por voltas das 21:00 hs estávamos em Lisboa.

Um irlandês "gente boa"

Contratempos fazem parte de qualquer viagem e, claro, ideal é quando retornamos com a moto ao ponto de partida, o que não foi esse caso. De qualquer forma, conhecemos um pouco mais da Europa e podemos considerar que os 5.000 kms percorridos em 15 dias através de 9 países (Portugal, Espanha, Itália, Suíça, Alemanha, França, Holanda, Bélgica e Inglaterra) valeram, e muito, a viagem.

Dicas úteis desta viagem

-Atrazo de conexões aéreas é algo sobre o qual nada podemos fazer, tão somente ter paciência e rezar, se achar que isso resolve;

-Carregar materiais metálicos e liquidos torna-se um grande impecilho nos aeroportos;

-Preparar-se financeiramente é algo imprescindível. Na Europa, a melhor forma de "engolir" preços é considerar a paridade 1 Euro = 1 Real. Ficar comparando preços pelo câmbio oficial será frustração na certa. Apesar disso convém estar preparado para preços exorbitantes (além desse tipo de câmbio sugerido);

-Importante lembrar que está lidando com culturas diferente. Dessa de forma, aparentes antipatias em determinados países não devem ser levadas tão a sério;

-Importante ter mapas detalhados. Mapas em grande escala levam a equívocos com relação ao tamanho da cidade, além de suprimir pequenas localidades, dificultando a orientação;

-Belas paisagens, normalmente, estão nas estradas secundárias denominadas "nacionais". As auto pistas, muitas pedagiadas, são úteis tão somente quando se necessita ganhar tempo;

-Se hospedar na Europa por menos que 60 ou 70 Euros é difícil. Nas grandes cidades, principalmente na França, uma boa opção são redes de hotéis econômicos como o Formula 1 (existem outros), cujas diárias variam entre 30 e 40 euros. Esse tipo de hotel é totalmente automatizado, porém permite fazer uma razoável economia;

-Na hipótese de 01 casal (nosso caso), prepare-se para gastar entre 100 e 150 euros diários, considerando abastecimento, 01 lanche e 01 refeição com vinho ou cerveja. Evidentemente esse gasto pode ser menor dependendo do nível de exigência pessoal;

-A Inglaterra, no que pese integrante da Comunidade Econômica Européia, possui moeda própria, a Libra (ainda mais valorizada que o Euro em relação ao Real), controles aduaneiros rígidos, praticamente tudo é mais caro que nos demais países, além da incoveniente "mão inglêsa" que equivale a dirigir na contra-mão.

FIM