Viagem pela Europa
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De Florianópolis a Machu-Picchu/Atacama

Há tempos vinha planejando uma viagem de moto pela América do Sul em companhia da esposa, tendo como um dos principais objetivos conhecer a cidade perdida dos Incas, Machu-Picchu, no Peru.

Além de Machu-Picchu, pretendíamos conhecer outros atrativos da América do Sul, como o Lago Titicaca, na fronteira entre o Peru e Bolívia, e o Deserto de Atacama, em especial a cidade de San Pedro de Atacama. Dentre as várias alternativas para se fazer o trajeto, optamos pela menos convencional possível, justamente pelo fato de que gostaríamos de imprimir um sabor de aventura à viagem.

Mapa do trajeto Mapa com as opções de trajeto

Traçamos três roteiros, conforme o mapa acima e, finalmente, escolhemos a terceira opção, partindo de Florianópolis em direção aos Estados de São Paulo, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Rondônia e Acre e, a partir daí, cruzaríamos o Peru, seguiríamos ao Norte do Chile, entraríamos pelo Norte da Argentina e, finalmente, retornaríamos ao Brasil ingressando pelo Estado do Rio Grande do Sul.

Logomarca para o Projeto Logomarca para o Projeto

Outra providência foi a criação da logomarca para o Projeto. A fim de caracterizar o ponto de saída, optamos pela estilização da Ponte Hercílio Luz, nosso símbolo maior, e a figura de uma Lhama, símbolo maior da Cordilheira dos Andes, a qual foi inserida em camisetas para utilização durante a viagem e para presentear alguns amigos e confeccionar uma bandeira a ser afixada na moto.

Apesar de possuirmos uma moto de maior cilindrada, optamos por viajar numa Honda NX-350 Sahara, moto de fácil manutenção e adequada para as estradas em más condições que nos aguardavam a partir da fronteira com o Peru.

O Projeto foi divulgado na Internet e foi incrível o Feed-Back recebido de outros motociclistas dos mais distantes locais, inclusive da própria Argentina.

Tudo pronto, partimos no dia 04 de Abril de 2002 e nosso primeiro pernoite foi em Ourinhos-SP, onde, por coincidência, acontecia um Encontro de Motos. É claro que lá estávamos, mesmo após 700 km percorridos.

Percorridos 4.000 km entre Florianópolis e a fronteira do Brasil com o Peru, iniciaríamos a nossa verdadeira aventura, começando pela travessia do Rio Acre, que separa os dois países, com a moto sobre um pequeno barco de madeira, uma vez que não há ponte no local. O trajeto a partir desse ponto, de aproximadamente 700 km, foi de estradas em péssimas condições, cruzando rios com água pelo meio da moto, muito frio, chuvas, precária infra-estrutura de abastecimento, alimentação e hospedagem, além da falta de oxigênio nas grandes altitudes, o que prejudicava tanto o nosso desempenho como o da própria moto.

Deserto de Atacama Deserto de Atacama

Apesar das dificuldades desse trajeto, tínhamos a bela visão da magnífica Cordilheira dos Andes e a cativante simpatia e simplicidade do povo Peruano.

Após 700 km de verdadeiras trilhas na selva, chegamos a Machu-Picchu, registrando em foto as belas ruínas construídas há mais de 500 anos por uma civilização extremamente evoluída para a época, cruelmente dizimada pelos conquistadores espanhóis. Trata-se de um local de rara beleza, difícil de expressar em palavras ao vermos as primeiras imagens desse local. Como já disseram outras pessoas que por lá passaram, "Machu-Picchu é para se ver e não para se escrever".

Após Machu-Picchu, rumamos em direção ao Lago Titicaca para conhecer esse que é o lago mais alto do mundo e uma das suas principais atrações que são os Uros, comunidades que vivem sobre ilhas flutuantes feitas à base de uma espécie de junco, denominada "Totora", a qual serve, também, para construção de suas embarcações, como alimento, construção de suas habitações e, até como combustível para cozinhar.

Lago Titicaca e Uros Lago Titicaca e Uros

A partir de Puno, às margens do Lago Titicaca, rumamos em direção sudoeste do Peru para chegar ao Norte do Chile. Antes mesmo da fronteira com o Chile, inicia-se o Deserto de Atacama, com seu aspecto árido e de infindáveis estradas retas, porém, para nós, de uma beleza peculiar. As primeiras cidades do Sul do Peru, como Arequipa e do Norte do Chile, são de uma prosperidade surpreendente. A estrada que segue margeando o Oceano Pacífico, com o deserto no lado oposto é de uma beleza ímpar.

Após, rumamos em direção ao Sul até Antofagasta, outra bela cidade chilena, pois pretendíamos ver a escultura denominada Mão-do-Deserto, a qual encontra-se 70 km ao sul daquela cidade, ponto "cult" de todo motociclista que por lá passa.

A Mão-do-Deserto foi, também, nosso ponto sul extremo da viagem.

Mão-do-Deserto Mão-do-Deserto

A partir desse ponto, rumamos em direção nordeste, para San Pedro de Atacama, ainda em pleno Deserto de Atacama, onde pretendíamos ver diversas atrações como o Vale de La Luna, Gêiser Del Tatio, Laguna dos Flamingos e o Salar de Atacama.

A partir de San San Pedro de Atacama, adentramos pelo norte da Argentina em direção a San Salvador de Jujuy, um trajeto de rara beleza, com paisagens onde vemos muitos cactus gigantes e formações rochosas de cores variadas que formam um interessante contraste.

Após 24 dias de viagem, percorrendo exatos 10.080 km, retornamos ao Brasil pela fronteira de São Borja, no Rio Grande do Sul, conforme programado, tendo uma bela recepção organizada pelos companheiros integrantes do nosso Moto Clube que nos aguardavam 50 km antes de Florianópolis.

Apesar de algumas dificuldades, o trajeto entre a fronteira do Brasil e Peru até Cusco foi um dos que mais marcaram nossa viagem, pois foi onde necessitamos superar nossos próprios limites e acomodações. Consideramos atingido nosso objetivo, onde evidenciamos a importância de se traçar uma meta, persegui-la com garra e determinação para, ao final, sentir a sensação de um grande objetivo alcançado.

Cicero & Lourdes

Abril/2002