Viagem pela Europa
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Nordeste de Triciclo - 2004

Cicero e Lourdes

CONSIDERAÇÕES GERAIS

Abril tem sido um mês no qual empreendemos longas viagens de moto, cujo objetivo extrapola conhecer locais ou culturas, pois buscamos algo diferenciado, onde esteja presente desafios a serem superados.

Foi dessa forma que em 2002 fizemos o trajeto Florianópolis - Peru - Chile, via Estado do Acre, objetivando conhecer Macchu-Picchu e o Deserto de Atacama.

Em 2003 foi a vez de conhecer a Patagônia e a Terra do Fogo, especificamente a cidade mais austral do planeta, Ushuaia, além de locais como o Glaciar Perito Moreno.

Em 2004 entendemos que era chegado o momento de conhecer um pouco mais do Nordeste Brasileiro, sua paisagem, seu povo hospitaleiro e seus costumes.

Evidentemente, fazer esse trajeto de moto não chega a ser um grande desafio, razão pela qual resolvemos adquirir um triciclo e, mesmo não conhecendo esse tipo de veículo, com ele empreender a viagem. Essa aquisição, feita pela Internet, foi de um fabricante em Barra Mansa, Rio de Janeiro, local que seria nosso ponto de partida.

A VIAGEM

Já em Barra Mansa, vendo o veículo adquirido por meio virtual, não nos decepcionamos. Feito os devidos registros fotográficos, embarcamos e sentimos a diferença de pilotar algo com 3 rodas, que dá a sensação de andar de moto, porém assemelha-se mais a um automóvel em termos de dirigibilidade. Inicialmente, uma estranha sensação e insegurança por fazer as primeiras curvas da Serra das Araras de forma um tanto “quadradas”, porém a adaptação deu-se mais rápido que o esperado.

Aquisição do Triciclo e saída, em Barra Mansa-RJ Aquisição do Triciclo e saída, em Barra Mansa-RJ Integrantes do Moto Clube Livres Para Voar Integrantes do Moto Clube Livres Para Voar

Nosso primeiro “pit stop” foi em Petrópolis, recebidos pelos companheiros do Moto Clube LIVRES PARA VOAR, conhecidos de longa data. Já rolava um churrasco na Sede do MC e, mesmo um pouco cansados, lá estávamos. Hospedamo-nos na residência dos amigos Ricardo e Tereza e, no dia seguinte, com outros integrantes, visitamos o pequeno museu “Casa de Santos Dumont” naquela cidade. Após, fizemos um passeio à Itaipava, onde acontecia uma exposição de carros antigos (imperdível, mesmo para motociclistas!) O programa da tarde foi almoçar numa pequena comunidade da Região.

Casa Santos Dumont, em Petrópolis-RJ Casa Santos Dumont, em Petrópolis-RJ Exposição de carros antigos, Itaipava-RJ Exposição de carros antigos, Itaipava-RJ

Na segunda-feira, partimos em direção à Além Paraíba, evitando retornar pela Capital. Inicia-se um desafio: em se tratando de um veículo com uma roda dianteira central e duas traseiras, a dificuldade de se livrar dos inevitáveis buracos (muitos, verdadeiras “crateras”) da rodovia. Não deixamos que isso se tornasse um grande problema, pelo contrário, seria um desafio a superar. Não demora muito e, ao passar por uma dessas “crateras”, sentimos que algo estranho tinha ocorrido, pois um lado da suspensão traseira abaixou, deixando o para lama apoiado sobre o pneu. Mãos à obra! Tiramos o para lama e começamos a voltar, pois havíamos passado pela Cidade de Além Paraíba há pouco. Como nossos anjos da guarda são eficientes, após um curto trajeto havia uma pequena oficina que constatou a quebra de uma barra de torção, conseguindo solucionar o problema num espaço de tempo razoável. Percebemos a facilidade com que se lida com a mecânica tradicional da Volkswagen.

Primeiro problema mecânico Primeiro problema mecânico Em algum lugar no Espírito Santo Em algum lugar no Espírito Santo

Passamos por Macaé, cruzando no sentido oeste - leste em direção ao Espírito Santo, chegando ao anoitecer às proximidades de Cachoeiro do Itapemirim. Na verdade, esse foi o primeiro dia efetivamente na estrada.

No trajeto seguinte, agora pela BR 101, cruzamos Vitória, entramos no Estado da Bahia sem parar nas localidades do sul, uma vez que conhecíamos até Porto Seguro, indo pernoitar numa agradável pousada não muito distante da Ilha de Itaparica. Tínhamos pretensão de conhecer o Morro de São Paulo, porém nos deparamos com o problema de ter que deixar o triciclo num local e fazer um determinado percurso de barco. Como acomodávamos os pertences em duas bolsas de couro, teríamos que levá-las conosco, de forma que abortamos a idéia. Quem sabe na volta!

A primeira grande atração foi conhecer pontos turísticos de Salvador, como o Farol da Barra, o Pelourinho, com sua bela arquitetura e as baianas típicas, o Elevador Lacerda, etc.

Baianas do Pelourinho, em Salvador Baianas do Pelourinho, em Salvador Elevador Lacerda Elevador Lacerda

Saindo da Capital Baiana, enfrentamos a primeira (e última) “ficada sem gasolina”. Mais uma vez a eficiência dos anjos da guarda: havia um posto a menos de 20 metros. Passando por Lauro de Freitas tentamos contatar um companheiro motociclista, porém não o encontramos em casa. Seguimos, agora pela chamada “Estrada do Coco”, pista em boas condições, parando apenas em Arembepe para observar alguma coisa sobre o Projeto Tamar. Mais uma vez a dificuldade de deixar o triciclo com as bolsas, ou seja, se vai um, fica o outro cuidando dos pertences, o que começou a nos incomodar.

Arembepe - Projeto Tamar Arembepe - Projeto Tamar Chegando em Sergipe Chegando em Sergipe

Na divisa de Sergipe com Alagoas, em Propriá, hospedamo-nos num hotel às margens do Rio São Francisco, onde pudemos apreciar toda a beleza do “Velho Chico”, tão cantado em prosas e versos. Um belo pôr de sol deu ainda um aspecto mais especial à paisagem.

Rio São Francisco - Propriá - Divisa Sergipe / Alagoas Rio São Francisco - Propriá - Divisa Sergipe / Alagoas

Seguimos em direção aos demais estados nordestinos, com uma pequena parada apenas em Maceió. Em Pernambuco, não visitamos Recife uma vez que, quando possível, evitamos o tumulto das grandes cidades. Já na Paraíba, após uma chegada confusa ao anoitecer na Capital João Pessoa e com dificuldades para encontrar um hotel adequado, visitamos, no dia seguinte locais como Ponta Seixas, parte mais oriental das Américas e apreciamos a beleza da orla marítima com os tradicionais coqueiros, paisagem que se repete nas demais cidades litorâneas do Nordeste.

A simpatia e a cordialidade do povo nordestino é algo surpreendente. Quase sempre nos rodeavam buscando informações sobre a viagem e o triciclo, do tipo: quanto corre? quanto gasta? quanto custa? etc., o que sempre procurávamos responder.

Chegando a Pernambuco Chegando a Pernambuco Ponta Seixas - Paraíba Ponta Seixas - Paraíba

Em Mossoró, Rio Grande do Norte, contatamos o companheiro Luiz Lima, do Moto Clube GUARDIÕES DA LIBERDADE, que conhecíamos apenas pela Internet. Muito prestativo, veio acompanhado da esposa e de um casal amigo. À noite saímos para uma pizza e, no dia seguinte, gentilmente nos orientou acerca de providências que se faziam necessárias em relação manutenção do triciclo e aquisição de “bauletos” que pretendíamos instalar, objetivando acabar com a questão de não poder deixar o veículo sozinho sem ter que levar as malas junto. Conhecemos outros integrantes do MC do Luiz, despachamos as malas vazias através do Correio e seguimos viagem, agora em direção à Fortaleza, não sem antes fazer uma parada em Canoa Quebrada, local de rara beleza.

Amigos motociclistas de Mossoró-RN Amigos Motociclistas de Mossoró-RN Canoa Quebrada - Ceará Canoa Quebrada - Ceará

Chegando à Fortaleza, hospedamo-nos num hotel da Praia de Iracema onde, do alto, pudemos observar toda a efervescência da vida noturna dessa Cidade. No dia seguinte, enquanto o triciclo era submetido a uma merecida revisão, empreendemos um passeio marítimo para apreciar o belo por de sol da Capital Cearense.

Fortaleza - passeio marítimo Fortaleza - passeio marítimo Amigos motociclistas de Fortaleza Amigos motociclistas de Fortaleza

À noite, contatamos o companheiro Luiz Almeida, do Moto Clube ESQUADRÃO DO ASFALTO, o qual, também, conhecíamos apenas pela Internet, que levou-nos para conhecer a Sede do MC, onde fomos apresentados a outros integrantes e recebemos uma camiseta de lembrança. Saímos para jantar e bater papo sobre aquilo que mais gostamos, nesse caso, em dose dupla, pois o Luiz estava, finalizando seu livro.

A VOLTA

É chegada a hora do retorno. Não somos adeptos de voltar pelo mesmo caminho, porém, dessa vez, não tínhamos outra opção, ou melhor, até teríamos se resolvêssemos voltar pelo interior e enfrentar estradas em péssimas condições conforme nos informaram.

Como triciclo não é moto trail!? De qualquer forma, aproveitaríamos para visitar locais que, por “n” motivos, não puderam ser vistos na ida.

Antes de Mossoró, por indicação do companheiro Luiz, de Fortaleza, fizemos uma pequena parada na praia de “Redonda” à procura de lagosta, pois achávamos injusto ir ao Nordeste e não saborear esse incrível crustáceo. Após essa parada, eis que surge o segundo problema mecânico no triciclo: rompimento de um retentor da caixa, passando óleo para o disco de embreagem, ocasionando uma pequena patinação quando na quarta marcha. Paramos em Mossoró para solucionar esse problema e, mais uma vez, tudo resolvido mais rápido que o esperado. Pena não termos condições de contatar novamente nossos companheiros que tão bem nos receberam na ida quando de passagem por aquela Cidade. Algumas centenas de quilômetros após, eis que surge o terceiro e, (ufa!), último problema mecânico: dessa vez o rolamento de uma roda traseira. Nada que qualquer mecânico de beira de estrada não resolvesse – ou seriam nossos eficientes anjos da guarda?!

Porto de Galinhas - PE Porto de Galinhas - PE Terceiro problema mecânico Terceiro problema mecânico

Um dos locais que pretendíamos visitar no retorno (e o fizemos) era Porto de Galinhas, em Pernambuco, com suas incríveis piscinas naturais e, nas imediações, a foz do Rio Maracaípe, com manguezais de incrível beleza, onde passeamos de canoa e experimentamos incríveis caranguejos.

Chapada Diamantina - Morro do Pai Inácio Chapada Diamantina - Morro do Pai Inácio Maracaipe - PE Maracaipe - PE

Conhecer a Chapada Diamantina, no centro do Estado da Bahia, também estava em nossos planos e, retornando àquele Estado, para lá seguimos. Lamentavelmente as estradas estavam em condições tão precárias que quase nos arrependemos de haver tomado essa decisão, porém, se achar no topo do morro de Pai Inácio com seus mais de 300m de altura, donde se tem a melhor vista da Chapada, ou visitar a gruta Poço Encantado, com suas águas cristalinas de mais de 60m de profundidade, cujos raios de sol iluminam o fundo, valeram mais esse sacrifício.

Chapada Diamantina - Poço Encantado Chapada Diamantina - Poço Encantado Amiga Jane - V. Rio Branco - MG Amiga Jane - V. Rio Branco - MG

Deixamos a Chapada Diamantina em direção ao Estado de Minas, observando pequenos vilarejos perdidos no “meio do nada”, com gente extremamente humilde e, porque não dizer, até assustadas com nosso estranho veículo.

Visitamos a amiga Jane Siqueira, em Visconde do Rio Branco, próximo a Juiz de Fora, Minas Gerais, de onde partimos direto para Barra Mansa para uma última revisão do veículo, agora na fábrica.

No dia seguinte tomamos a direção da Grande São Paulo e Curitiba (com muita chuva), para, finalmente, receber o abraço da família no retorno à Florianópolis, após 19 dias na estrada, 8.700 quilômetros percorridos, cruzando 13 estados e haver experimentado alguns problemas mecânicos, plenamente normais num protótipo montado sobre diversas peças recondicionadas.

Recepção da Família Recepção da Família

A viagem foi uma experiência inusitada, nem tanto pelo roteiro escolhido, porém pelo fato de adquirir esse estranho veículos através da Internet e, mesmo sem experiência em sua condução, haver concluído o projeto de chegar até o Nordeste.

Cícero & Lourdes